Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Thursday, October 19, 2006

PANTOMIMA

Buscava a esperança de não estar mais num dia alimentando a solidão, cantarolava fraseados de poemas para ilustrar um novo futuro. Um futuro solidificado em devaneios, em meio à decepções, em meio à sonhos, em meio aos pesadelos. Rezei para Deus como quem pede ajuda e conselhos. Recebi o vazio de uma fé que escondo de todos ao redor. Comi as palavras jogadas pelo ar para alcançar o nirvana da paz na consciência.
Ei, Deus está surdo! Clamei com raiva. Rindo logo em seguida. Hoje algumas visitas fizeram a gentileza de dividir a mesa de jantar comigo. No centro da mesa estava um ser soturno de vestes escuras, alto, face marcada por traços talhados à mão. Sua voz era um mistura sonora entre o gutural e o ronronar de um felino. Postura ereta, olhos negros que pareciam sem fundo, densos como a escuridão plena da noite alta. A minha direita, então, havia um outro indivíduo. De terno alinhado, belo rosto, cabelos ondulados vermelhos, sobrancelhas grossas, braços musculosos, voz clara, suave, delicada, sensual. Ambos se encaravam com uma certa cumplicidade, um “quê” de olhares, entretanto nunca trocaram sequer uma palavra, um som, nem um suspiro. Não tinham nomes que eu pudesse chamá-los, nada que eu conseguisse ter uma intimidade maior. De certa forma estava feliz por não estar sozinho. A minha esquerda jazia o terceiro conviva. Cabelos ralos, rosto sofrido, olhar triste com uma melancolia profunda, dolorida. Sentia-se a sua presença como se ela cortasse aquele ambiente. Vestia-se com sobriedade e cores alvas sem abusar do branco que o compunha.
Não havia uma interatividade nas conversas e ficamos muito tempo escutando o silêncio como um anfitrião resmungão. Percebi que todos naquela mesa me olhavam como se almejassem a minha atenção. Talvez muito mais do que isso. Um certo mal estar se apossou de mim, dessa vez eu preferiria estar sozinho.
A mesa estava localizada no centro de uma sala cor pastel amarelado, sem quadros ou qualquer outro móvel espalhado ao redor da mesa onde estávamos sentados esperando a hora de jantar. Não me recordo como cheguei até aqui, e aparentemente aqui não é um lugar onde eu conheça. O silêncio parece ser nossa refeição.
De repente, um zunido correu pelas paredes vazias e pareceu-nos que sentou-se à mesa. Atabalhoadamente, derrubei meu prato no chão e o som desapareceu junto com a queda de uma cadeira solitária.
Todos me olharam com ares de repreensão. Nada disseram, mas a minha atitude desastrosa causou um rebuliço de emoções, fato que gerou um clima pesado, quase sufocante que não me permitia respirar. Estavam calados encarando os pratos vazios que permaneciam intocáveis diante deles. Juntei os pedaços do meu prato que espatifou-se no chão de mármore, frio e limpo. Me ajoelhei naquele piso e fiquei ali por alguns minutos atarefado com o meu infortúnio. Uma mão à mais ajudava-me saída não sei da onde. Segui a mão que vinha um pulso, um braço, um corpo de uma mulher. Muita bela, de uma beleza delicada quase pura como a pureza dos traços sarcásticos das ninfetas. Vestia-se com simplicidade, uma calça de tecido comum, uma camiseta branca e estava descalça. Sorria com um brilho fascinante, sentia-se em seu sorriso uma paz jamais encontrada em outros rostos. De ímpeto toquei em seu rosto e ela afastou-se. Seu rosto de feições suaves deram contornos a outros desenhos que manufaturaram uma face de horror, espanto, raiva e pânico. Recolhi minha mão e ela gritou, transformou-se numa luz que esbarrou entre as paredes gracejando um linguajar não conhecido. Fiquei em pé e todos que estavam à mesa riram. Fui até a porta de entrada e decidi sair dali. Ela estava trancada. Uma cadeira foi empurrada atrás de mim forçando-me a sentar. Estava preso, enclausurado, sem saída. A cadeira, como se fosse um imã, me atraiu de volta para a mesa onde os convivas continuavam a rir.
Ao chegar à mesa desvencilhei-me da cadeira, fato este que assustou os risonhos companheiros. O homem de cabelos vermelhos esmurrou a mesa fazendo o som ecoar pela sala como se um sino badalasse naquele momento. Ficou em pé, fitou os meus olhos com superioridade; senti medo mas também pus os meus olhos nos seus. Imediatamente, a figura alva levantou-se e apontou-me. O terceiro personagem desse confronto manteve uma postura ereta e passiva, sentado segurando um copo vazio que ele teimava em beber seguidamente. Ficamos naquelas posições caricatas e patéticas por dias. Pelo menos era a sensação que eu tinha.
O zunido voltou cortando o andar do nosso diálogo de atitudes inertes. Coloquei as mãos para proteger os meus ouvidos e cai de joelhos no chão de mármore. Era um som forte, agudo. O homem de cabelos vermelhos também sentiu o impacto da sonoridade trazida pelo silêncio e gritou como um animal ferido. A figura alva começou a chorar compulsivamente sentando-se na sua cadeira; enquanto a mórbida companhia do ser soturno nada fazia a não ser beber o seu copo vazio e remexer em seu prato que nada tinha.
Como um jogo ensaiado, o som findou-se. Eu continuei no chão de joelhos numa posição retorcida de dor. Demorei alguns minutos para levantar a cabeça e ver o que se sucedia ao meu redor. Vi o ser soturno quieto, imóvel e de olhos fechados, assim como todo o seu rosto; o homem de cabelos vermelhos enxugava o suor da sua face crispada e a figura alva, ali já não se encontrava mais. Fiquei em pé e perguntei aos dois onde estava o terceiro. Não houve resposta como sempre. Não há respostas.
Fechei os olhos e meu estômago se fez presente como se adquirisse vida. Ri baixinho do som que saía do meu ventre e procurei algo para comer naquela bela mesa vazia. Aquela procura com os olhos começou a me fazer esquecer do terceiro elemento que pereceu da nossa companhia. Uma agonia se instalou dentro do meu corpo.
Um dos dois silenciosos comparsas deu um grotesco ruído digestivo, tão fonético e impertinente de soberba e gula; da sua boca, um cheiro loquaz, fétido. Olhei para ver quem teria sido o autor de tal “sinfonia”, não consegui descobrir quem era, pois ambos estavam exatamente como tinha descrito anteriormente. Fiquei irritado. Danem-se! Idiotas! Pensei eu com raiva. Se desejam me fazer de estúpido que o façam. Tenho vontade de comer alguma coisa e não há nada aqui nessa mesa, tão limpa, tão grande e tão fria, vazia, inútil. Comecei a ouvir algo parecido com passos vindos de diversas direções daquela sala. Olhei para trás, para frente e para os dois lados, nada vi além dos meus “sócios” calados. Fui dirigir a palavra para um deles, o de cabelos vermelhos, quando pronunciei o primeiro som da primeira sílaba, deparei – me com rosnar de um cão que estava ao meu lado com ares nada amigáveis. Paralisado. Assim mesmo eu fiquei em posição de dizer alguma coisa. O cão avançou em meu braço direito como se ali estivesse um suculento prato de carne fresca. Sim, era carne, minha carne, meu corpo: eu. Gritei de dor, me em pânico, enquanto debatia-me com o animal. Fiquei empurrando-o, jogando-o de um lado para outro como se ele fosse um ioiô. Estava com medo e ninguém fazia a menção de me ajudar. O cão cravava os seus dentes mais fundo cada vez que eu o afastava. Uma dor interminável culminava com a sensação de chamas que subiam pelo meu corpo. Estiquei a mão esquerda e peguei uma faca e enfiei na cabeça do meu agressor. Como se nada tivesse acontecido, o cão, o corte, a dor, a queda, o desespero acabaram, sumiram, dissiparam.
Estava, eu, sentado com fome e um pouco atordoado. Olhei para o homem de cabelos ondulados vermelhos e ele ficou em pé. Sem dar importância maior à mim e ao outro; ele partiu em direção a porta que estava trancada. Nada ocorreu para impedi-lo e cruzou a porta aberta. Levantei-me de sobressalto e corri para a porta. Quando cheguei a dois passos de alcança-la, ela fechou-se como se uma gargalhada fosse ouvida com o eco que o trinco fez.
Voltei para a mesa derrotado, cansado e frustrado. Sabia que tinha que atravessar aquela maldita porta. Como se lá estivesse algo que para minha vida fosse imprescindível, de importância. Talvez alguém que eu devesse encontrar. Fiquei de frente para o ser soturno que me encarou seriamente. Ficamos desafiando os nossos olhares por horas à fio. Parecia um teste, uma brincadeira infantil de quem fica mais tempo sem piscar. Parecia.
Os seus olhos negros, profundos, sem perspectivas, sem alegrias, sem mais nem menos, sem nada para dizer. Tudo aquilo me cativava, emocionava e causava medo. Vi naquela escuridão uma luz, um sinal de vida, um grito. Vi um espelho dos erros que cometemos, das bobagens que dizemos e de tudo mais que engloba a nossa vida, relacionamentos, sentimentos, crenças, esperanças, dúvidas, raiva, traições, rupturas, enganos, mentiras, verdades, nós... E senti um remorso por estar ali parado, olhando a insensatez de uma figura tão temível e mesmo assim tão frágil. Ouvi sons de batimentos cardíacos acelerados. Parecia que toda a sala era uma enorme coração. Encarei o meu observador com uma fleuma de vitória e ele riu. De sua boca jorrou uma risada amarela de quem pouco é acostumado com tal atitude.
A sala estava abafada, quente, muito quente. Eu suava como se estivesse embaixo de um Sol. E o calor tensionava o meu corpo causando desconforto e ansiedade. Vi que o meu parceiro não tinha nenhuma reação em relação aquela sensação, insuportavelmente, sufocante. E a escuridão tomou a luminosidade daquele recinto como quem se apodera com violência de um corpo alheio, de um objeto de outro, de um outro qualquer. Uma penumbra que não chegava a separar a visão nítida do meu “amigo”, se assim posso defini-lo. Medo e tranqüilidade estavam reunidos naquele momento para realçar o nosso confronto.
Não chegamos a falar, mas a certa altura eu já compreendia a comunicação que aquele indivíduo se expressava. Os seus movimentos neutros, nulos, sua respiração cadenciada, o seu desdém, sua postura firme e aquele sentimento despretensioso em relação ao outro. As horas se fizeram presentes pelo tic-tac cansativo de um relógio que eu não tinha visto antes. Um relógio de madeira, pequeno como aqueles que se colocam na cozinha, sem número e nem marcadores, somente os longos ponteiros de madeira. O movimento dos ponteiros tornou-se acelerado e de imediato, parou.
O ser soturno levantou-se, apontou para mim como se enviasse uma ordem e virou-se em direção à porta que estava aberta. Fui atrás dele à passos curtos, lentos, moderados, quase tímidos. Ele cruzou à porta e eu parei diante dela, virei-me e vi aquela mesa que antes estávamos sentados disputando o nosso joguete de performances, tinham sentado várias pessoas diferentes em cor, classe, idade e mais os meus dois ausentes colegas. Voltei-me para a porta e a atravessei.
Acordei com alguém segurando minha mão, vi que estava deitado numa cama e ao redor um maquinário médico estava ligado. Um zunido contínuo fazia o levantamento dos meus batimentos cardíacos. Uma jovem, vestida de enfermeira, sorria com leveza. Respirei aliviado, a porta estava aberta.

Sunday, October 15, 2006

Botas

Ele acordara cedo. Já estava em seu trabalho conversando com os amigos pelos corredores como fazia todos os dias, mesmo nos domingos e feriados. De repente, mudara o rumo da sua rotina, ele pressentiu uma coisa. Um calafrio correu pelas suas costas lambendo do seu cóccix até sua nuca. Ele, então, a viu, percebendo o seu caminhar lento. Olhou para seus amigos que desapareceram instantaneamente, deixando para trás poeira e ecos. Estava sozinho naquele corredor, encurralado como poucas vezes a vida o deixara assim. Evitava olhar para frente, mas num minuto cedeu. A viu vindo mais devagar ainda, com o dedo indicador encostado nos lábios vermelhos coroados por um sorriso malicioso acompanhado por um rebolado próprio. Ele se viu sem saída. Abaixou os olhos, tentando que ela sumisse, num joguete de esconde-esconde. Entretanto sua ação de nada teve efeito, viu apenas aquelas botas vindo em seu traçado ritmado. O pânico tomou conta do seu corpo. Ele tremia como se estive tendo um orgasmo. Choramingava como um menino desamparado. Começou a rezar para todos os santos que se lembrava com os olhos cerrados. Quando se deu conta, ela já estava a menos de quatro metros de distância sorrindo alto. Como tinha andado para trás acabou se chocando com a parede levando um forte coice. Pensava nos amigos, na sua mãe, no capacete que não deveria ter deixado em casa mesmo acreditando em todas as campanhas de segurança de trânsito que ridicularizava (onde tudo começou, naquela noite, na carona, na garupa, na ida desviada de rumo). Pensou em suas alternativas, como se as tivesse. Primeiro olhou para o teto, muito alto, jamais alcançaria a tempo; depois a parede, não havia como perfurá-la(não diga nada disso! Perfurar, introduzir, enfiar esse infinitivo verbo voraz); e por último, a janela, são oito andares, nada bom. Ela vinha quase rebolando, quase falando, quase salivando, quase em cima dele como um predador atrás de sua refeição, seu dejejum. Não havia o que fazer. Estava absolutamente entregue à carnificina que se preparava. Ele se lembrou com detalhes daquela noite. De como saiu ileso. Tudo girava. O capacete voara de seus pensamentos. Não havia outra chance. Era agora, tinha que ser. Ele nem pensou. E se jogou pela janela, aos berros, gritava feliz, alegre, livre naqueles poucos segundos antes de chocar com o piso acidentado da rua. Com os braços quebrados, as costelas moídas, a bacia deslocada, as pernas imóveis, a espinha em frangalhos, as roupas esfarrapadas empapadas de sangue, ele assim mesmo sorriu e disse com seus dentes frouxos: - Ela não me pegou...Dessa vez, consegui. E deu um leve sorriso, fechando os olhos em paz. Não demorou muito e sentiu aquele calafrio de novo, o seu batimento cardíaco aumentando. Arregalou os olhos quando viu que ela se aproximava dele. Uma lágrima escorreu pelo seu olho direito. E ele só podia ver que ela estava de botas.

Tuesday, October 10, 2006

Na Ponta da Língua

Ela agarrou-o pela cintura, sentiu a pressão do seu corpo e o latejar do seu sexo. Enfiou sua língua nele. Roçou sua garganta. Dançou para um lado, para outro, para cima e para baixo. A respiração sempre pesada, forte, constante. Ele a empurrou para o canto da sala. Suas mãos subiam e desciam pelo seu corpo. Ela, idem. Mordia o lábio dele. Suor escorrendo pela nuca. Saliva pelo rosto. Ele apertou os seus seios. Ela deu um leve gemido. Colocou suas mãos na bunda dele, massageando-o, apalpando-o. Sua blusa foi sendo aberta sem muito jeito, bruscamente. Puxava ao mesmo tempo a camisa dele arrebentando os botões. Ele levantou as pernas dela apoiando nas suas. Com uma das mãos a segurava e a outra abria o zíper da calça. Estavam escorados na parede lisa. Ela ajudou puxando para o lado a sua calcinha. Em segundos ambos estavam únicos. Ele dentro dela. Ela englobando todo o seu membro. Sincronizavam seus movimentos pélvicos indo e vindo. Respiração mais forte. Gemidos mais agudos. Movimentos mais rápidos. Gritos de ambos. Caem no chão, um para cada lado. Ele ainda respira ofegante; ela tenta se espreguiçar empurrando as pernas e sentindo escorrer o gozo dele pelo seu sexo. Imaginara se devia ter usado proteção. Se olharam, cúmplices. Fizeram caretas e riram sem jeito, um pouco envergonhados. Disseram o porquê de não terem usado. Ele riu e buscou na calça amarrotada o bolso direito e tirou um envelope de preservativo. Ela balançou a cabeça rindo. Ele encolheu os ombros. Ambos se levantaram, trocaram mais alguns beijos. Começaram a se vestir, mas novamente se excitaram. Ficaram em pé, trocaram mais um beijo e saíram pela porta do motel. Não havia mais tempo. Ele foi para casa da namorada e ela foi para uma festa com outros amigos. Não marcaram outro compromisso. Deixaram ao acaso.
Pois é, sem esperanças, sem pudor, sem ponto e nem vírgula. Não há compromisso, nem vontade de ficarem mais tempo juntos. Isso é normal. Hoje, isso é normal. Essas meninas descobriram como invadir o mundo besta masculino de aventuras e promiscuidade. Sem culpa e muito menos desculpas. Aliás, isso nunca foi só uma "virtude" (sic) dos homens. Sempre houveram e haverão mulheres que são assim. Donas do próprio nariz. Do próprio sexo. Nessas andanças, muitos homens já se apaixonaram por elas. A maioria - friso bem - a maioria. Junta-se uma pessoa interessante em todos os aspectos físicos, químicos (e porque não dizer, nucleares!), sociais, culturais, psicológicos, de comportamentos, parceiras, acompanhamentos e óbvio, cama, mesa e banho e você terá uma companhia perfeita com um toque do proibido, do improvável, da conquista que o homem imagina ter conseguido, de poder trair, de enganar e ele já cai na rede. Lição para anotar na agenda: O homem é um babaca. A mulher é quem manda em qualquer relacionamento. Seja ele um simples cumprimento, um olhar numa festa, uma conversa descompromissada ou uma trepada. Ela está sempre no controle passando, à seu critério, para os homens a imagem que eles estão no comando. Sabendo no seu íntimo que está sendo justamente o "pato" da história. As mulheres também se apaixonam ( e como ), mas parecem que estão sabendo contornar os problemas com os homens. Consideram sua liberdade - igual aos homens - como o grande troféu até encher o saco e querer só um. Seja para deixar guardado nos lençóis ou para compartilhar o tão temido relacionamento.
Existem mulheres, meninas até, que não se apaixonam. Gostam, ficam, trepam, comem, chupam e depois jogam na primeira lata de lixo. Assim como os homens. Elas querem o que os homens sempre fizeram questão de propagar. Liberdade. O problema é quando elas são alvejadas pelos franco-atiradores. Pelos ainda remanescentes homens que se mostram sensíveis, falam o que quer ser ouvido, mostram-se dispostos, conversam, são inteligentes, que apresentam-se como amantes aptos e loucos mexendo com sua libido. Mesmo que nem sejam tão bons assim, sabem encontrar os atalhos. Com isso mexendo com a sua cabeça. Daí, quem cai na armadilha são as mulheres, só que está tornando-se cada vez mais raro.
Os homens resumem - alguns deles - as mulheres em quatro partes básicas: Rosto, seios, sexo e bunda. Se impressionam quando se deparam com uma mulher quase completa que sabe conversar, que sabe sair de situações constrangedoras, que tem uma resposta pronta, que não se amedronta, que é independente. Eles pensam como é possível, além de tudo isso ela pensa! ( o pensamento machista que prevalece ). É horrível, mas alguns homens pensam assim. Digo, pensam? Nem se tivessem essa qualidade. Os homens criam isso porque a sociedade nos apresenta todos os dias na mídia. As mostram como uma espécie de prostitutas da mídia. Putas! Diria o mais machista que compra as revistas onde elas posam e fica horas em frente à televisão assistindo seus rebolados. Sem preconceitos, por favor! É uma escolha e se forem mesmo e estiverem felizes, devem estar certas. Só existe produto, quando o mercado exige e a procura está atrás. Silicone, lipoaspiração, bronzeamento artificial e caras e bocas com ou sem calcinha, marcas do pequeniníssimo biquíni sobre a calça justérrima. Estética e cérebro. Cérebro ou estética. Cérebro para viver com a estética. Tudo pensado, criado e operado. Só falta fazer um filho com jogador de futebol e já está com um programa de auditório garantido. E não sejamos hipócritas dizer que não pensamos nelas, nós homens, como pérolas dos sonhos masculinos mais depravados ou ordinários. Nenhum homem olha uma mulher porque ela é "legal". Eles querem o desejo que ela lhe causa na cabeça. Tanto a de cima quanto a debaixo. Um exemplo que se vê em qualquer lugar, em qualquer rua, bar, festa, reunião, missa, culto. Todos os homens sejam gordos, feios, baixos altos, bonitos, maduros, jovens, adolescentes quando enxergam uma mulher bonita de calça justa ou saia, se dobram todos para trás quando ela passa por eles olhando direto para sua bunda. Analisam com detalhes a calcinha que ela usa ou não e já ficam à ponto de bala no seu desejo físico ou psicológico. E pensam "alguém está pegando tudo isso". Quem souber pensar pelo menos.
Os homens não suportam as mulheres que miam em vez de falar. Embrulham o estômago quando elas já chegam com as frases prontas para demonstrar interesse, mexendo para lá e para cá o cabelo. Você se sente um completo idiota. Os homens gostam de Barbies na cama e não para conversar ( arte quase impossível ). As mulheres também odeiam homens que descarregam o que são, o que fazem, quanto tem. Quando elas se interessam por isso, sinal de alerta. Tanto para um lado quanto para outro. As mulheres sabem quando um homem mente. E os homens, dificilmente. Elas só deixam o barco andar porque achou bonito, gostoso, interessante, mas há um limite para ver até onde é a sua superfície. Os homens encontram essa superfície quando acabam na cama; as mulheres quando ele começa a segunda frase. Há os sensíveis, que declamam elogios, dizem tudo que elas querem ouvir, como eu já demonstrei acima. E o pior, quando elas querem ouvir, elas acreditam. E levam à sério! Eles quando se fascinam por uma mulher, ela nem precisa falar. Desligam automaticamente o volume no cérebro e só ficam hipnotizados pelos lábios mexendo. Mas não todos e nem todas, só a maioria. Toda a regra tem exceção.
Os sonhos mais secretos das mulheres aparam arestas e subdividem-se. A maioria das mulheres que conheci tem, tiveram ou terão sonhado, desejado, querido ter tido um lance, um caso, uma transa com outra mulher. Por curiosidade, por vontade. Além de ser um fetiche masculino, é uma sensação que elas têm. Beijar um seio, sentir o corpo de outra mulher, seu sexo, como mexê-la, movimentá-la, fazê-la gozar e deixar-se levar. Algumas vão dizer que é nojento beijar uma outra mulher, estar em suas pernas. Mas com certeza terão alguns minutos pensando em falar isso. Pode não ser a sua "praia", mas a curiosidade sempre impera. Vindo da boca de uma mulher: Se uma menina nunca pensou em ir para cama com outra é porque está mentindo...Um homem nunca sabe quando uma mulher mente, realmente.
Elas chegaram juntas da festa. Com suas roupas suadas e adrenalina no pico. Foram dormir no apartamento de uma delas por causa da distância da festa e do horário que saíram de lá. Entraram no apartamento rindo meio embriagadas, alegres. Aos poucos, conversando, foram tirando a roupa ficando só de calcinha e soltando o sutiã no sofá da sala. Resolveram beber mais um pouco. A dona da casa tinha um vinho branco no refrigerador. Falavam de como a festa estava boa. Do beijo que deram nos homens da festa e no beijo que elas trocaram para provocá-los. As duas de seios à mostra ficaram de frente, em pé, cada uma segurando uma taça de vinho. Riam. Um minuto de silêncio. Se aproximaram. Deixaram os copos de lado e beijaram-se delicadamente. Aos poucos suas línguas se encontraram movimentando-se de maneira acrobática. Mãos correndo pelos seus corpos. Beijos no pescoço. Bocas nos seios de mamilos endurecidos. Uma delas se ajoelha e retira com paciência a lingirie da outra que se entrega totalmente. Rapidamente uma goza. A outra muda de posição e coloca a parceira no chão e mergulha nas suas pernas. Ela também goza. Satisfazem-se. Se olham. Dormem. No outro dia, ambas se cumprimentam sem dizer nada. Elas tinham os telefones para ligar e os encontros a ir. Uma delas ainda hesitou.
Um dos maiores dilemas dos homens e das mulheres também é da inevitável e famosa "broxada". Quem nunca broxou deve dar graças à Deus ou esperar que um dia vai acontecer. Tem apenas que saber se comportar e tentar remediar o momento de alguma forma. Não existe nada mais melodramático do que o sujeito ficar com aquela cara de abobado. As mulheres - muitas - nem querem saber da situação, querem às vias de fato. Acham-se culpadas ou acham-se desprezadas. Consideram absurdo. Essas muitas vezes não tem a oportunidade de ser reveladas no que viria. Outras já sabem contornar com muito mais malícia, amadurecimento - nada com idade - causando maior desejo. O homem por sua vez tem que ter o timing e não perder a chance de fazer de um limão uma doce limonada. Daí que se descobre os atalhos. O resultado, seguindo o instinto animal e sabedoria ( mesmo que muitos ainda não saibam pensar ), a mulher vai acabar ficando tão feliz porque tudo se resolverá. No final até aquele começo atabalhoado vai se transformar na segunda dela. Até porque as mulheres broxam. Muitas mulheres não conseguem chegar ao orgasmo por inabilidade do homem ou porque não estão com tanto tesão assim. Têm homens que parecem que estão numa corrida contra o tempo querendo bater algum recorde de cem metros rasos. Sem preliminares, sem conversas. Às vezes não precisa mesmo. Contudo, outras se faz imprescindível. Acontece com todos. Um dia vai acontecer para quem ainda não passou por isso.
Ele a seduziu por telefone. Marcaram um jantar. Foram ao cinema. Ele a provocou dizendo tudo que queria fazer com ela. Que a colocaria assim, que a penetraria, que levantaria suas pernas. Ela ficou mais excitada ainda. Foram ao motel aos beijos. Ele pediu o quarto mais caro. Uma suíte. Ao chegar deixou-a passar por ele agarrando-a pela cintura. Tirou suas roupas e as dela. Ela impávida, quieta, tímida até. Quando ele se deitou sobre ela retirou sua cueca e a calcinha dela. Ela olhou para seu sexo e de imediato para seu rosto. Ele ficou parado. Não sabia o que fazer. Tinha desejo, mas seu corpo não. Seu membro estava flácido, caído, sem força. Ela segurou-o pelo pescoço e o beijou. Ele retribuiu beijando todo o seu corpo. Foi até o sexo dela e a fez gozar em sua boca. Ela olhou de novo extasiada e se posicionou à sua frente. Abocanhou seu membro que endurecia em sua boca. Sua timidez tinha dado lugar para o retrato de mulher. Ele sentiu crescendo na sua língua. Daí partiram para as manobras sexuais que se sujeitavam.
As mulheres são mais inteligentes que os homens. Seu coração bate mais vezes que do homem. Elas usam mais habilidades psicomotoras que os homens. Elas vivem mais. Elas estão se tornando chefes. Fisicamente são mais resistentes, não em massa muscular é óbvio. Falo de resistência. Uma mulher sabe suportar com muito mais força dores de todos os tipos. Dores de amor, dores das cólicas menstruais, de dores através de abuso ou de defloramento ( que palavra demodê ) sexual, dores de rejeição, dores de parto. O homem tem força física, mas que se fragiliza de maneira muito mais explícita. Quando um homem chora é porque não há mais o que fazer. Uma mulher chora para provar para si e para quem quiser que ela tem sentimentos e não tem vergonha disso. Uma força de ser pessoa, carne, sentimento, sensibilidade. De ser mulher, amante, filha, mãe. Um ser que gera, que se multiplica em funções vitais. Por isso são tão apaixonantes e intrigantes.
Virgindade é um tabu ainda hoje. A minha virgindade, particularmente, foi perdida aos 13 anos. Não que isso interesse alguém, mas se nota como oscila isso em relação às mulheres. A maioria deixa de ser virgem por volta dos 16 anos. Os homens um ano antes. Essa idade era quase um marco anos atrás. Mas hoje em dia, eu acreditava que era raríssimo, algumas mulheres chegam aos 20 ainda sem ter tido qualquer relação sexual, seja por escolha ou falta de opção.
Ele a empurrou para dentro do banheiro. Ela sorria, beijava-a, segurou os braços dela erguendo-os. No banheiro foram para o box mais próximo. Entraram se debatendo no minúsculo recinto. Ela apoiou o pé na latrina. Ele levantou a saia dela e descobriu que ela estava sem calcinha. Abriu sua calça deixando-a cair no chão úmido. Eles transaram rápido, beijando-se, aos gemidos gozaram ao barulho das coxas batendo. Ouviam os usuários do banheiro entrando e saindo.
Mas o crescimento da SIDA ( AIDS ) tem aumentado na faixa etária dos 13 aos 18 anos e gravidez precoce. Quadro assustador. Como também nos jovens homossexuais que tem sido infectados pela não utilização de preservativos. A epidemia que se disse estabilizada aos final dos anos 90, acabara dando créditos para que as pessoas achassem que não havia mais perigo. As primeiras relações sexuais são quase sempre através do sexo oral. As meninas se espantam ou engasgam quando é jorrado na sua boca o gozo dos rapazes que não o evitam. Muitas gostam, outras nem tanto. Assim como no homossexualismo masculino. Entretanto na relação com mesmo sexo, as mulheres o fazem, primeiro é o toque, depois é claro como uma evolução, a boca.
E existem várias coisas para serem ditas. Exemplificadas. Engraçadas e nem tanto. Frustrantes e bastante proveitosas. Aguardemos o que essa guerra de sexo expostos nos reserva e esperamos termos prazer em conhece-lo.

Sunday, October 01, 2006

Amor Sem Nome.

Tive vários tipos de amor. Uns bons, outros nem tanto. Tiveram aqueles do começo, na adolescência, bem no começo dela que ficava embasbacado com a beleza da sexualidade das meninas que estavam moldando-se com o surgimento de seios, de coxas. Aquele amor apaixonado que era completo só em conversar com elas coisas bobas, fazendo brincadeiras, correndo atrás delas. Com o passar do tempo não mudei muito. Só um pouco.
Amor de vários nomes. De muitos hormônios. Primeiro foram as colegas de colégio vendo-as dia a dia em seus uniformes, em seus shortinhos na educação física. Eu me mostrava sempre o mais forte, o mais agressivo, o que mais gritava para chamar atenção. Mas elas só queriam os mais velhos, os atletas, os surfistas. Ficava, eu, só com os colegas numa disputa de futebol às vezes chutando pedras.
Nesses amores, houve a primeira que me fez despertar. Foi a primeira vez que fazia amor, apressado, rápido, sem muito controle, antes nem beijar sabia fazê-lo direito, sem língua, sem ritmo, sem experiência. Esse amor me pegou pela cintura num golpe de judô e me levou ao chão entre 4 anos, me vencendo por knock out. Mas não poderia dizer que era amor. Como saber se era amor. O caminho apresenta uma trinca de Ases. Uma dupla de Reis e algumas Damas. A mão não poderia estar mais carregada. E o blefe é imprescindível. Tem um verbo ao colocar todas as cartas na mesa. E não é amar. Porque só se têm naipes, figuras e nenhum nome. Com o passar dos anos, na faculdade, já estava um pouco mais esperto, mas carente. Amar ainda confunde e por isso nos deixa dependente, principalmente se você é um adolescente querendo provar diariamente que você é além. No curso superior, nos dois primeiros semestres, não fiz amor com ninguém, mas supri minha carência em muitos corpos. Tomei uns tombos mesmo assim e encontrei outros amores fora dali, nessa época. E amor se tornou ato, ação. Uma dessas se deu por uma disputa, puramente egocêntrica, com quem fosse por qualquer uma, simplesmente o que me atraía nela era a disputa acirrada, minha carência precisava vencer todos e conseguir todas. Essa falta de profundidade e de reciprocidade era sentida do outro lado. Elas então, saíam de campo carregando na bagagem a minha necessidade, e alguma coisa a mais.
Tendo compromisso com essa carência, acabei viçado na droga que se tornou. Na conquista. No amor vencedor. Vencer o amor. E as armadilhas foram sendo armadas. Amado por quem não me amava. Soube contornar o meu desejo e me fazer crer que dependia de mim, me deu a sensação de crescer, de deixar de ser o adolescente/adulto pára trás. Ela conseguiu fazer todo o jogo de conquista, de amarrar bem. Não a amei, mas o jogo de espelhos me fez crer nessa dependência que tornou, na obviedade de todos, minha masmorra. Viciado. Dependente. Fiquei preso nesse relacionamento de todas as formas alinhavado como principal ponto o nó em meu ego. Anos, sim, anos de risos falsos e traições diversas de ambos. O amor fere até quando se descobre que não era amor mesmo. Fere porque foi contra todos, família e amigos, contra a mim mesmo, história sem muita explicação que não tenha justificativa. Fere o amor de outras maneiras, de outros.
A partir de tantos poucos e nem sabidos tipos de amores, acabamos caindo na montanha russa de amores a granel. Amores que nem lembramos os nomes, que fizeram amor no sentimento de algumas e outras paixões que sumiam com o passar das horas. Que tiveram oportunidade, mas erraram na dose, exageraram no fato, não estavam presentes na ocasião. O objetivo ainda prevalecera, vencer.Amores que quase empataram essa espécie de campeonato que criamos; eu pelo menos perdi as partidas que meu time não jogou em conjunto.
E o amor é como se cada um estivesse numa estação de metrô olhando os trens irem e virem apaixonados com as pessoas saindo e entrando em nossas vidas. Esse amor vem, esbarrando, olhando para frente, torcendo de leve a cabeça para o lado, de toalha na cabeça recém saído do banho, se preocupando com a roupa que irá vestir. Um amor assim, desse jeito limpo perfumando o corpo amornado e nem precisa ser um novo ou desconhecido que pode estar logo ali. Daqueles que no meio desses anos todos estiveram de algum jeito desviando, provocando, chegando perto, indo pra longe, voltando a cabeça pra trás e vendo com o canto dos olhos. Ali perto. Só precisando estender a mão. Amor que agora tem nome e que não há como esquecer. Amor que sempre teve nome. Que não some com as horas; dessa vez são as horas que somem por esse amor. Amor que conheces. Amor que te conhece. Um amor que tem o teu nome. Tem o meu. E pra mim já basta. Uma vitória de ambos. Amor.