Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Saturday, March 24, 2007

VULGAR!

E o gozo estava na boca daquela mulher como se ela pudesse bebê-lo todo e sorvê-lo com lentidão de quem suga uma alma. Assim que meu corpo estremeceu por completo, olhei-a ainda chupando o meu membro que aos poucos amolecia em sua boca quente. Ela subiu com a língua o meu corpo e foi me despindo. Comecei a ficar ereto de novo. Ela pegou meu pênis com força e aquilo me causou um prazer tamanho que gozei em sua mão. Não pude resistir e aquela mulher como que possuída por uma volúpia intensa, espalhou todo o meu esperma pelo seu rosto. Pedia que arrancasse suas roupas. Eu obedeci imediatamente. Distrai-me um pouco e ela pegou uma lâmina. Vi alguns relances de dor e pânico. A mulher cortara-se, um de seus mamilos foi amputado e ela desferiu o segundo golpe em seu sexo torcendo a navalha com força. Gritei e a empurrei para trás; ela sorriu, enquanto tinha convulsões. Não sabia o que fazer, só chorei. Morreu ali, na minha frente, naquele quarto pequeno de paredes brancas e com manchas esverdeadas de mofo no teto. O cheiro de porra estava no ar e eu temia em fazer qualquer coisa. Peguei a mulher, beijei-a com carinho e massageei o seu mamilo cortado. Fiquei excitado e a penetrei com lascívia. A coloquei de bruços sob a cama molhada de suor e sangue, em pouco tempo gozei fortemente, pensei que iria arrebentar a minha glande. Aquele corpo era quente, tinha uma magnitude, um algo mais. Baratas voavam pelo teto como se fizessem uma coroa com seus corpos sob nós. As sombras dos insetos e o barulho de suas asas me provocaram, novamente excitei-me com aquele corpo gélido e inerte, não pestanejei em chupar seu sexo cortado que jazia uma pequena fonte de sangue. Bebi.
A lâmina jazia no chão de parquê corrido, depois de tragar a mulher, trouxe para perto de mim aquela faca. Brinquei com ela passando-a pelo meu corpo nu, coloquei debaixo dos meus testículos fazendo uma certa fricção até sentir uma ponta de dor. Continuei assim e comecei a me masturbar gozando no chão. Olhei a mulher e ela me respondeu o que eu fazia, então peguei a faca e desferi um golpe rápido em seu estômago levemente flácido. Senti ela gozar naquele segundo; sorri.
Me levantei da cama manchada e fui ao banheiro que fedia a mictório público, lavei-me e peguei uma das toalhas molhadas que estavam no chão. Me sequei com as flores desalinhadas de uma paisagem mal pintada da toalha. Me encarei com alegria pelo espelho rachado. Arrumei o meu cabelo e quebrei a lâmpada sobre minha cabeça com uma “toalhada”.
Voltei para cama eufórico, falando alto com a mulher ao meu lado. Ela se chamava Clarice. Gosto desse nome. Tinha uma estatura mediana, cabelos longos pintados de preto, mas certamente essa não era a cor natural, seus pêlos pubianos inexistiam, eram muito bem raspados, seus seios eram médios e cheios, sua bunda era pequena, sua pele bronzeada “fake” . Ela me dizia que não sabia muito bem se já tinha conhecido alguma pessoa como eu na vida. Eu sorri e disse-lhe: - Você não me conhece. Rimos de forma descontrolada por alguns minutos, quase desmaiando pela falta de ar. Fui até a janela e a abri sentindo frio. Ele entrou em meu corpo e tomou conta dele. Ela estava atrás de mim com a faca dançando pelas minhas costas. Comecei a sentir um calafrio de terror. Pedia-me que olhasse para a rua e analisasse o movimento. Argumentei que a aquela hora não havia nada para ver porque era muito tarde; ela raspou com uma certa força a lâmina nas minhas costas que me fez gemer de dor. Continuei a olhar para fora e ela pediu com veemência que narrasse o que estava vendo. Falei das luzes dos postes enfileirados que povoavam os dois lados da avenida, apontei, com certa dificuldade, para um edifício à frente e contei-lhe que lá era um lugar de encontros noturnos. Um hotelzinho “fuleiro” onde mulheres e homens transitavam num entra-e-sai sem parar. Senti a mão da mulher agarrar meus testículos e lentamente passar o indicador pela glande do meu pênis, nesse momento gaguejei. - Não pára! Sentenciou ela. Respirei fundo e prossegui o relato da paisagem urbana. Contei até cinco em voz alta, falei das árvores envelhecidas que protegiam os postes de luz, comentei que pareciam cercas de sustentação da avenida. Virei–me para a mulher e afastei a faca da sua mão, beijei-a com fúria, mordi seu pescoço até deixar uma mancha roxa, abaixei mais a cabeça e abocanhei seu seio antes amputado iniciando uma sucção voraz. Senti que ela começava a sangrar novamente em todo o meu rosto.
A vi no chão fria, sem dar um suspiro. Aquilo me irritou. A chamei, gritei, xinguei de todas as formas e maneiras que aprendi nesses trinta anos de vida. Me lembrei de um dia ter ido a um jogo de futebol, uma mulher não muito bonita junto com o seu namorado, atravessaram as arquibancadas e quase todos os homens presentes gritavam, esperneavam, deleitavam-se com a presença daquela mulher, uma loira oxigenada de shortinho cavado de jeans e camiseta do seu time. Chamavam-na de puta, vagabunda, incitavam o seu acompanhante ao ridículo; ela ria discretamente. Não acredito que ela realmente estivesse gostando daquilo, mas a histeria ficou à mercê do controle policial. Ela riu mais ainda. Não creio mesmo que ela tenha gostado daquilo. Olhei para a mulher no chão e pedi desculpas ajoelhado ao seu lado.
Clarice disse-me que tinha sonhos; gostaria de sair nua pelas ruas e “trepar” com qualquer um que visse. Eu a fitei com censura; não disse nenhuma palavra. Ela percebeu minha reação e disse: - Você pode ficar olhando. Você não iria gostar?! Me afastei dela como se fosse uma praga. Fiquei em pé e andei de um lado para outro. Parei e a peguei pelos ombros, coloquei-a de pé e a esbofeteei. Ela caiu no chão rindo. Olhei-a novamente, ela estava fria, distante com olhos parados.
Estava com sede, estiquei o braço direito e alcancei um copo de água que fora deixado ontem por mim mesmo em cima do criado-mudo. A água tinha cor, corpos estranhos mergulhados naquele líquido. Fiquei com nojo; fui até o banheiro e despejei aquele líquido na pia. Voltei para o quarto e Clarice deslumbrava alguns desenhos de teias de aranha que faziam sombras esculturais no alto do teto. Perguntei o que ela admirava. Ela nada disse. Parecia não estar ali. A sua indiferença me causou um certo temor e tristeza. Fui até a janela e suspirei para avenida.
A noite era um pouco fria para aquela época do ano. Não chegamos nem no outono e já tem esse ar gélido chegando, pensava eu naquele instante. Clarice veio até mim e sussurrou em meu ouvido. - Goza em mim, goza?! Eu me assustei, sua voz ecoava, tinha um timbre rouco, provocante e aterrorizador. Ela curvou-se permanecendo de quatro à minha frente. Aquela posição me excitou e eu penetrei-a com rapidez e intensidade. Meu pênis foi retirado do seu sexo e ela começou a masturbá-lo em seu rosto, passando pelos seus seios e aterrissando-o no mamilo que outrora tinha sido extirpado. Gozei, foi só o que me lembro. Cai num sono profundo.
Não tinha amanhecido ainda, sentia a noite fria empurrada pela brisa que advinha pela janela aberta. Eu me encontrava jogado no chão em posição fetal, aguardando o tempo passar para abrir os olhos devagar. - Onde ela está? Preocupei-me por alguns segundos e do banheiro ouvi uma gargalhada debochada. Clarice estava tomando banho, limpando o seu sangue, ensaboando-se com o seu prazer. Fiquei na porta observando-a, ela me fitou e disse: - Saia já daqui! Me assustei, cheguei a tropeçar para trás caindo, desajeitadamente, no chão. Levantei-me com raiva e adentrei pelo banheiro. Não a encontrei mais ali. Olhei para o espelho, molhei o rosto na pia e senti um objeto pontiagudo atravessando minha carne das costas. Cai de joelhos no piso do banheiro, imóvel, frio, morto.
Abri os olhos e Clarice me beijou no rosto com carinho, um beijo quase maternal. Olhei-a e ela passou a sua mão direita pelos meus cabelos. Sorri. Fechei os olhos novamente, uma sensação de queda livre se apossou do meu corpo. Não conseguia abrir os olhos e nem me segurar em nada. Estava preso, mãos e pés amarrados. Uma mistura de frio e calor transitavam pelas minhas entranhas. Fiquei em completo pânico. Ouvi a voz de Clarice que sussurrava palavras chulas, grosseiras, dizia nomes e expressões que ofendiam minha moral. Estava com ódio e eu nem imaginava o porquê.
A dor da punhalada que eu recebera, voltara muito mais agressiva e profunda como as piores sensações de desconforto e frustração conseguem se apresentar às pessoas tristes. Meus olhos despertaram e me vi sozinho no quarto. De repente uma mão pousou sobre o meu pênis e iniciou uma coreografia “masturbatória” incessante. Eu tentava não gozar, mas a intensidade da massagem que o meu órgão estava sofrendo era tamanha. Aos poucos aquela mão foi apertando o meu pênis ao ponto de estrangulá-lo. Meu corpo sofreu uma descarga elétrica assim que gozei e a mão parou de apertá-lo, acariciando-o com delicadeza como fosse uma lâmina passando sobre o corpo do pênis.
Já era de manhã, o Sol estava alto e invadia o apartamento pela janela aberta. Eu acordei com um gosto horrível na boca, parecia que tinha bebido a noite inteira. O apartamento tinha um odor fétido, insuportavelmente podre. Estava, eu, sozinho. Completamente suado, cansado, nu. Observava cada detalhe do meu corpo, uma sensação de repulsa repousou em mim ao admirar que havia defecado no chão como um cachorro vira-lata. O cheiro de urina colidia o ar vespertino. Finquei os calcanhares no chão e pus-me de pé. Procurei limpar a sujeira fisiológica daquele quarto. Durou exatamente uma hora para transformar aquela pocilga num lugar habitável. Vesti-me sem pressa. O silêncio da minha solidão foi quebrado, quando Clarice deu sua graça e presenteou-me com uma cena de masturbação feminina. Uma típica cena onde o observado sabe dar prazer muito mais ao observador passivo e satisfazer a si mesmo. Uma combinação explosiva. Ela gozou aos gritos. Como se estivesse paralisado, permaneci ali em pé, fitando-a embasbacado.
A campanhia da porta foi brutalmente acionada diversas vezes. Consegui me mexer e fui atender quem lá estava. Abri a porta e uma mulher perguntou aflita: - Onde tu estavas? Te procurei todos os últimos dias. Estava preocupada. “Ana”, esse era o seu nome. - Veste alguma coisa. Você está nu! E também está fedendo como um animal. Reclamou ela. Eu me olhei e sorri. Via-me bem alinhado, perfumado, limpo. De repente me lembrei de Clarice. “Ela não pode ver que ela está aqui!”, pensei apavorado. Fechei a porta na sua cara. Corri pelo quarto tentando encontrar Clarice. “Puta”. Fui ao banheiro, olhei pela janela ao mesmo tempo que a porta era espancada e Ana gritava sem parar para eu abrir a maldita.
O cheiro apodrecido voltou a encher o ar. Vi sangue seco desenhando no chão estranhas texturas e designes diversos. Finalmente, Clarice foi achada. Ela jazia nua em cima da cama, totalmente ensangüentada, muito pálida, lábios roxos, olhos azulados e manchas pelo corpo. O seu sexo estava dilacerado; seu seio idem. Encontrei a faca que fez todo aquela show de horrores. Na superfície da lâmina permanecia o seu sangue quente; eu coloquei-a sob minha língua e lambi todo aquele líquido que parecia aumentar na minha boca.
A porta continuava a ser espancada. Atrás de mim ouvi o sussurro de Clarice que iniciou um ritual de beijos e mordidas nas minhas costas. Começamos uma jornada sexual intensa. Posições foram criadas em segundos de imaginação, acrobacias e quebras de tabus. Orgasmos nasciam e morriam com uma rapidez inominável. Gemidos faziam parte do nosso diálogo e eram acrescentados termos muito singulares para ouvidos desatentos.
Ana chorava aos berros do outro lado da porta. Eu me sentia culpado e gostava daquele tumulto todo. Clarice agarrou-me pelos cabelos e esbofeteou o meu rosto várias vezes. Revidei instintivamente. A mulher caiu no chão sangrando muito. Fui para cima, comecei a chorar pedindo desculpas, mais uma vez. Do outro lado da porta outras vozes se misturavam com a de Ana que pedia auxílio. A porta estava sofrendo carga para ser rompida.
Me assustei, abracei-me em Clarice e ela sorriu maldosamente. Um ruidoso som de guizos embalava a sonoridade do quarto. O cheiro de carne putrefada povoava o recinto. A janela aberta reluzia o azul de um dia comum contrapondo-se com a escuridão dali. Medo, essa era única coisa que podia sentir. Clarice riu. Riu como se nada daquilo a atingisse, não havia nenhum receio em que nos vissem abraçados nus, banhados em sangue e orgasmos. Ela via todos como grandes bufões de festas vazias. E eu, para ela, era o mais idiota de todos.
Uma voz, grossa, masculina gritava do outro lado da porta, dizia que iria arromba-la se ela permanecesse fechada. Nada disse. Fiquei encolhido no chão frio, inerte, receoso, sem ninguém por perto. Clarice estava ancorada na janela, os raios do Sol emolduravam o seu corpo nu muito pálido. Ela virou-se para mim com autoridade, seu domínio era indiscutível. Engatinhei até seus pés e levantei a cabeça para enxergá-la, recebi um golpe no rosto com violência. Me ajoelhei na sua frente de cabeça baixa. Olhei-a novamente e a vi com uma auréola que tingia ao redor do seu corpo. Parecia mais alta, mais bela. Movi-me para trás como um animal acuado. Ela estendeu sua mão em minha direção com um sorriso angelical cicatrizando sua boca. Estendia a minha mão esquerda para tocá-la. Fui repelido.
A gritaria se instalara ao desespero das pessoas que estavam fora do quarto tentando em vão me convencer a abrir aquela proteção de liberdade e isolamento que eu mantinha como meu mundo à parte. Clarice achava ridículo, quando eu batia no peito falando sobre isso.
Me encontrava, agora, no banheiro com medo de Clarice e da horda selvagem que ameaçava invadir o meu “mundo”. Clarice me chamou. De soslaio a vi no mesmo lugar de antes. Dessa vez fui caminhando que nem um homem em sua direção, sem desviar o olhar dos seus olhos brilhantes. Tinha não mais medo, mas ódio. Cheguei bem perto dela e o seu corpo estava pálido, ensangüentado e com o mesmo cheiro que sufocava o ambiente. Vi em seus olhos brilhantes um vazio, um nada. A empurrei pela janela aberta e a fechei.
Meu corpo tinha sangue, minhas mãos, meu rosto, meu peito, meu pênis. “Caralho”, gritei sem dar importância maior a horda. Resvalei no piso umedecido e cai de costas no chão. Foi uma queda lenta, vi todo o quarto com detalhes, as paredes, os insetos, o lustre, o criado-mudo, a cama, o banheiro e suas particularidades. Enfim, bati a cabeça. A porta foi arrombada.
Vi todos correndo em minha direção. Ana foi a primeira a chegar, pensei que ela estava rindo, mas ela chorava compulsivamente. Abraçou-me, enquanto um punhado de pessoas estranhas e pouco conhecidas analisavam a cena toda. Uns foram ao banheiro, outros olhavam ao redor e um homem magro, muito pálido, perguntava-me porquê daquele sangue sobre mim. Eu sorri como um débil. O cheiro forte do quarto estava enjoando algumas pessoas que invadiram o meu recinto privativo. Examinei o meu corpo e fiquei ereto. Abriram a janela para ventilar um pouco.
Ana tentou cobrir-me com uma toalha que tinham lhe dado para limpar-me. Uma mulher muito gorda vomitava no banheiro. Outra senhora de idade bastante avançada se interessava pela minha ereção que teimavam em esconder. Ouvi pessoas, alguns homens, dizendo que eu era louco, drogado, um merdinha qualquer que merecia bem tomar uma surra. A inconsolável Ana estava deformada de tanto chorar e da vergonha que sentia era quase física, tinha tamanho, forma e conteúdo.
A janela foi desocupada por um dos homens que me chamara de merdinha, que me comparava a um nada, que não tinha vergonha do que fazia com a pobre moça que se esvaía em lágrimas. Meu mundo foi descoberto, foi saqueado, possuído e incompreendido. Empurrei Ana e corri em direção à auréola que brilhava como uma estrela. Atravessei aquele brilho nu como se nascesse de novo, ressurgisse com mais nitidez num batismo de luz. Não há mais cheiro apodrecido no ar; não há mais manchas de sangue; não existe mais invasões; não estou mais sozinho.