Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Saturday, June 16, 2007

FATAS IMPLERE- Conto

Nos enlaços da vida, três crianças cresceram separadas mas estavam unidas pelo mesmo ventre que as pariu. Seus caminhos foram cruzados várias vezes de incontáveis dias, entretanto sempre se encontravam pelo mesmo personagem que os segregou. Um distorcido guia que os levava, cada um, por caminhos descritos na sua fala embaçada numa péssima dicção. Personagem este, que se chama Bibo.
As três crianças cresceram. Malitia tornou-se uma mulher bela, sedutora e com ardor do seu corpo fremindo pelos homens que a cercavam. Abusava de seus encantos, os usava para alcançar seus objetivos e necessidades, sorria com o canto da boca como só quem sabe fazer entende o seu significado fantasiando o coletivo masculino. Sua cabeça transitava sem parar todos os subterfúgios que planejava com cuidado e astúcia. Pensamentos dos mais audaciosos e pecaminosos. Malícia em olhos profundos, boca de veludo e corpo de formas curvilíneas, além de ter um apetite sexual de quem sabe o faz e como se faz.
O segundo a tornar-se adulto fora Maculosus. Homem que sofrera na carne a desonra do seu nome. Era um tipo ignóbil. Nasceu com a marca dos desafortunados, não merecia o olhar fixo de qualquer pessoa que viesse ao seu encontro. Falso, covarde e desonesto. Sua pele trazia as cicatrizes da sua vida talhados à formão e suas roupas os farrapos da alma.
A terceira criança também não demorou muito para tornar-se adulto e homem. Benedictus foi criado de forma severa, porém seus convivas admiram-lhe a sua honra e honestidade. Era bem aventurado, boa índole já sabia o que era certo e o que se tornaria errado. Pudico e fiel, fruto da benevolência dos deuses.
Todos os três prosseguiam por seus caminhos descritos nas palavras de Bibo, autor das escrituras que guiavam os acontecimentos. Eles, mesmos separados, tinham algo em comum. Malitia, Maculosus e Benedictus nunca souberam de suas origens. Foram criados por entes queridos e diferentes. Mas Bibo, ardilosamente, os aguardava em mais uma encruzilhada, segundo as suas próprias palavras embriagadas pelo néctar do tempo, o futuro de cada um.
Os três chegaram juntos num ano na estrada da vida que se dividia em três vias. Cada um sentia um certo desconforto com a presença do outro. Bibo, gordo, surgiu do nada carregando em uma das suas mãos uma garrafa de vinho. Seus olhos negros e sua pele branca quase sem traços não coincidiam com a sua enorme barriga e suas pernas finas. Postou-se à frente dos três com desleixo e soberba. - Três caminhos; três pessoas. Nenhuma escolha e várias apostas. Disse-lhes bebendo desajeitadamente. - Cada um já tem para onde ir e não tem mais como permanecer. Vão! Sentenciou arrotando.
Malitia se aproximou de Bibo e perguntou-lhe com a voz macia, qual caminho que ela deveria seguir. Ele riu alto, enxugou o rosto suado e babou pelo canto da boca uma saliva colorida. Maculosus nem chegou completar a pergunta e recebeu uma cuspida. Benedictus permanecia quieto, calado, estático analisando os caminhos.
Nenhum deles moveu um passo. Bibo caiu no chão tentando segurar a calça que teimava em escorrer pelas suas pernas. Ele rira da sua própria situação. No fundo, ele temia pelo futuro dos três, pois não os via com clareza. Se arrependia do passado que os guiou e da forma que o fez. Gostaria de esquecer o presente que os faz viver.
Decidiram, Malitia e Benedictus acabaram concordando em ir juntos pelo mesmo caminho. Maculosus tinha medo, mas sabia que poderia usufruir das experiências encontradas por eles e evitar os inevitáveis obstáculos. Aproveitando-se dessa confiança de ambos, aceitou ir junto, mas uns passos atrás.
Os três juntos num caminho só. Separados pelos anos e unidos pelo futuro. São um só. A malícia das pessoas, seduzindo, conquistando espaços; a desonra de quem traí, de quem corrupta, de quem usufrui do sucesso alheio; e o abençoado, quem tem coração puro, que ajuda, que auxilia, que busca o bem-estar do próximo juntamente com o seu. Eles unificados num corpo que fora desmembrado, respira inteiro.
O caminho se torna cada vez pior, íngreme, perigoso e muitas vezes, deserto. Muitas dessas vezes, um desistia e os outros o carregavam. Num trecho menos acidentado, Bibo urinava aguardando-os. A garrafa ao seu lado, à esmo, ainda pela metade. Riu. Os três o ignoraram.
O destino se faz por si só. Ele já está escrito. Seria muito seguro pensar assim; é um caminho ainda sem fim. Quando acabar, outro começará. Nem que seja à sete palmos ou na piada de um bêbado sujismundo qualquer.

Tuesday, June 12, 2007

FATAS IMPLERE

QUE O DESTINO SE FAÇA POR SI.......................