Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Saturday, July 21, 2007

Mistério da alegria é: SELVAGEM!

O mistério da alegria é selvagem!
Sabe aquela coisa que fica na tua cabeça como uma música ruim? Aquele refrão com português errado? Isso pode soar assim. Como uma bigorna que cai bem em cima da cabeça. Momento delirante. Lúdico. Sonoramente forte, de impacto, provocante e também, totalmente despretensioso. Para dizer a verdade, inútil. Comece a desmembrar a frase acima para torná-la mais audível e visual. Mais filosófica até. Eu a li num jogo de palavras imantados na porta externa da geladeira branca da casa de um amigo. Nem tão amigo assim, para sermos bem sinceros. Eu sou réu confesso. Tinha que fazer algo que pudesse utilizá-la, colocando o meu nariz entre suas sílabas, movendo as palavras, dando sentidos variados e variantes pensamentos que pipocam à frente dos meus olhos e vão de encontro com tudo que imagino que seja aquela idéia posta lado a lado com o que pensar. Certo, não tinha nada o que fazer. E os estribilhos cheios de lálálá foram acompanhando a batidinha de samba de bêbado já doido. Queria sacudi-la um pouco e ver se outras frases dali surgiriam com mais verborragia, mais loquaz, como farelos. Mostrar que ela estava errada. Currá-la! Se possível. Ou concordar com ela. O que eu não pretendia mesmo com todo aquele peso. Mas fica no ar essa exclamação com adornos de uma interrogação.
O mistério da grande alegria é selvagem! Será que isso é verdadeiro? Será que os nossos maiores receios, segredos são indomáveis, ferozes? O que será que isso quer dizer? Qual é seu fundamento? Que vivemos bem alegres e nessa alegria somos crias sem coleiras que continuamos vivos por causa do nosso instinto de sobrevivência? Podemos viver uma emoção extrema que nos conduza aos joguetes da irracionalidade para atingir nossas metas? Podemos cravar entre os discursos num debate essa frase sem que os outros olhem para você desnorteados com caras de bobos? Com certeza. E além do mais, e daí! Comecei achar que isso era mais uma forma arrogante do ser humano. É disso que precisamos! Bingo! Aparência. Superação. Comoção. Instinto. Estupidez. E uma dose bélica de cultura inútil.
Assim que vemos as outras pessoas. Dessa forma. Menores. Inúteis. Fúteis. Não os queremos conversando conosco para aceitarmos suas idéias. Nenhuma conversa começa só para preencher o vazio do momento. É um momento de ganhar a medalha. Queremos superá-los pela nossa (medíocre) inteligência; nossa superioridade adquirida nas liquidações do shopping mais perto de você. Temos que provocá-los com frases fortes de conteúdo dúbio e talvez sem nenhum apelo maior para nos mostrarmos o quão misteriosos podemos ser. Ou pretensiosos. E idiotas. Mas vencedores.
O Santo Graal do relacionamento entre as pessoas se baseia em emprego, escola, casamento, família, amigos, como se a vida fosse regrada e domesticada. Veja só procuramos discutir a vida alheia como se folheássemos uma revista de fofocas das vidas de artistas. Fuxico. Mesquinharia. De tão pomposos somos obrigados a derrubá-los, destituí-los de suas posições pondo em dúvida quem o ou o quê está certo. Tornamos uma simples conversa de mesa redonda numa enorme e intrigada análise de vida recheada de complexos, preconceitos, amarguras, falsidades e rancores de brinde, principalmente quando a língua fica mais solta por manipulações narco-químicas-alcoólicas. Nossa pretensão afoga qualquer manifestação efêmera de uma lucidez. Provocamos uma tempestade perturbadora em canais sensoriais.
Criamos bichos-de-sete-cabeças debaixo do colchão de boca aberta engolindo nossos medos e frustrações. E daí surge o bom humor. Por tanto vermos os outros como selvagens, não domesticados, esquecemos da sujeira de nossos umbigos. A calmaria depois da fúria de um furacão. Do cinismo egocêntrico em abraços e agradecimentos para o próximo embate. É isso que significa. Esse é o mistério. Essa é a maior alegria. Dominar a sua parte selvagem. E acabar por derrotar você. Ou até aparecer um comercial de cerveja melhor.

Friday, July 06, 2007

Perda.Perder.

Perda. Perder.
Há várias formas de perda; de se ver o que é perda.
Você pode perder uma parte do seu corpo; perder um ente querido, um amor; perder um jogo de futebol, a carteira, o relógio, o ônibus, uma oportunidade de trabalho, uma consulta médica. Perder tempo. E aquela sensação atônita de zanzar como uma barata que é agredida pela luz e saiu desesperadamente para o mais longe possível. Você acaba perdendo muito mais, pelo menos é essa a sensação. Perder a sanidade; perder as estribeiras, perder, perder, perder...E depois de chorar muito, cair aos prantos mesmo, sofrer como nunca, como se tudo ruísse ao seu redor, acaba parando. Como se parasse de sacudi-lo dentro de uma caixa de fósforos. A respiração pesada, sufocante que causa dor, que mexe com tudo dentro da sua cabeça, do seu corpo, dentro da sua alma para os que creêm. E passa. Dói, mas passa. Não é daqui há alguns segundos e nem daqui uns dias. Demora como uma cicatrização. Aquele corte que abre de vez em quando com as lembranças, com as derrotas, ao simples movimento dos olhos que nos traz recordações e uma onda gelada de perda.
Perder. Perda.
E as maneiras são tantas que diferem de uma pessoa a outra.
Não há limites e nem receitas para diminuir que você seja afogado por tudo isso. Mas quando você chega lá no fundo, o mesmo desespero que o empurrou para baixo também o faz se mexer para subir o mais rápido possível. Chegar até a superfície. E as ondas continuarão. Até você aprender a "furá-las", embarcar no próximo navio, escuna, tábua de salvação.
A vida continua...
E num jogo de rimas as palavras se modificam: perder pode se transformar em aprender. Mas para tudo isso você só pode contar com suas crenças, pessoas ao seu redor, amigos, família, bichos de estimação até, que o ajudarão a dar os passos para frente como um recém-nascido que tomba, cai, se levanta, se segura onde puder e continua, perdendo os dentes, aprendendo...Nunca perdendo a fé, seja ela qual for, como for, onde for.
Às vezes perder nem sempre é ruim.
Você pode garantir que perder tempo é tão ruim?
Perder o tempo ouvindo seu pai contar as mais deslavadas histórias que emocionam você pelos requintes de asneiras e inverdades. Das anedotas da sua mãe que ri descontroladamente e você também acompanha nas risadas por achar aquilo tão sincero, bonito e ingênuo. Do seu filho correndo de um lado para outro "viajando" em suas aventuras imaginárias.
Perder tempo ouvindo quem você admira. Perder um tempinho vendo o amanhecer da pessoa que ama acordando com aquela cara amassada, mas que você não consegue parar de olhar abobalhado.
Perder. Aprender. Aprender a perder é a grande prova da vida que todos temos que passar.
Espero que não tenha perdido nada lendo isso.