Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Sunday, November 25, 2007

Ordinário


Típico do dia de não saber o que fazer. Estar enclausurado entre dúvidas, vontades e nenhuma certeza. Ficando arrependido daquilo; daquele outro momento de escolha decisiva sem valor algum dentro do presente, só que seria a peça fundamental hoje para apoiar ovo de Colombo.
E daí consumaria o show de variedades assim posto entre meus olhos, em cima do nariz. Aportuguesando o alfabeto diário de conversas paralelas pelas amizades, amores, respeitos e ofensas. Grafando o calcanhar de Aquiles de reles mortais ociosos e pretensiosos servidores de trabalhos balzaquianos, ocasionados por nossos egos mortificados.
Saberia que hoje eu estaria em cima de uma duna de areia avistando novos mares, afrontando Netuno e deliciando-me nas escamas de suas sereias numa passarela da Rua da Praia; ou saquearia os navios de desavisados posicionados na procissão da minha fé para Nossa Senhora e seus Navegantes.
Ou verificaria na lente angular, atravessada na garganta de teóricos, Marxistas seculares, capitalistas desempregados e de casais liberais, liderando a forma mais massiva de obtenção de respostas às perguntas sem o mínimo de decoro. Na letra repetida e enfadonha de um idôneo Pero (ou Pedro de tal) que caminha em litúrgicas missivas aos Reis atrás de fama, fortuna e um beijo. Na Afrodite que quiser, deixando tonto o Caetano momento de se expressar sem nada a dizer. Na popularidade do convencionalismo comercial adúltero propagado pelas televisões de azuis Marinhos e de camelôs de idéias nos meus olhos opacos, assim como o Silvas, Sílvios e Santos malandros de vários nomes, contornos, barrigas e poesia.
No cruzamento de litorais, passando à costa do país, gordo, flácido, caído posto como retrato de uma pós-venda ainda sem previsão de lucro. Abençoado pelas crenças de Xangôs, de Padroeiros, de Exus, de Papas, Padres, Pastores, ovelhas abatidas no primário erro de estarem vivos e apavorados com a desgraça do outro lado da tela do tubo de imagem, não vendo o tumulto formado na sala de estar da porta fora numa brigada pincelada; ele, como eu, tão são, tão Jorge.
Pela simpatia, salve, salve, de opiniões neo-governamentais aos candidatos descoLLoridos pela história e redefinidos uLULAnte pela humildade e ignorância tirana de Átila cusparando o remix de personas non gratas.
Copiar a via crúcis pústula de renegados encontros de vazios pesando o mundo para quem ao Prometeu o próprio fígado como pagamento e tortura de viver o dia a dia, desumanizando as costas do calhamaço da sujeira e falta de papas na língua literária rodriguiana em contos e contos da carcaça das pessoas tão civilizadas.
Estando ali no cubismo descaracterizado ao carro nomeado e seus royalties pagos pela estética neurastênica do que queremos e do que procuramos. Na busca dentro do labirinto do Minotauro atrás do que fazer, do procurar, a quem, o porque. Nas mãos dos Joãos e Marias de vícios e curas, de amores e curras, do que realmente queremos para sermos felizes. Eu feliz; você feliz,...
Então nesse dia, estaria dizendo todas as coisas certas; um Dom Juan amando você...Enquanto isso, o acelerador da rotina brada com o ônibus mais perto para te trazer consigo uma população crente no que terá que fazer amanhã na desleal disputa de quem será o melhor, o time campeão, o artilheiro, o Pelé da história. Fico apenas coçando o queixo e vendo quantas personagens temos travestido de nossas expectativas e frustrações.
Peço algo muito simples. Peço somente a minha paz. Mesmo com a arma sendo disparada.

Tão ordinário.

Monday, November 19, 2007

DISCOS RISCADOS volume I

Hoje fiz a bobagem de dizer que te amo. Fiz naquele instante entre o beijo e o abrir dos olhos. Levado pelo impulso, pela sensação de ter uma pedra enorme de gelo em cima da barriga. Disse porque sentia. Não importa se foi para preencher o espaço entre nossas coxas. O que interessa era o que eu queria que você soubesse. A sua resposta foi ao me olhar bem nos olhos e retribuindo com um beijo. Ou uma gargalhada. Dependendo da música. E isso derrubaria uma manada de búfalos. Um soco no nariz. Um chute no baixo ventre. Como uma música que marca, que sensibiliza, que soa piegas, melosa ou suingada ou ainda pesada. Que fica martelando na cabeça e saindo boca afora. E quando você vai mostrar a música para alguém, o disco onde ela está gravada cai de suas mãos e você tenta agarrá-lo. A pressão dos dedos, o mal apalpar das mãos o arranha de ponta a ponta. Não importa se é um cd, um dvd, um vinil, um acetato, coisas que você nunca viu. E nem sabe que existe ou nunca deu muita importância. Como quem é o fulano, de qual disco, quem e onde tocou, qual a música. Toda aquela informação que eu trago dentro mim e nada serve para você. Toda importância que você dá a mínima.
Olho a minha estante. Fico olhando cada disco enfileirado, amontoado, empilhado. Cada detalhe da capa, cada nome, cada faixa. E me descubro mais e mais. Meus conhecimentos inúteis sobre detalhes idem. Desde quem fez a capa, o produtor, quem tocou, estado físico de quem ouviu. Uma vida toda ali entre tantas. Minha vida toda composta por outros que não sabem que eu nasci. Minhas emoções colocadas em pauta, sobre tons, descritas por notas musicais. Minha vida sonora. E como todo disco bom tem uma música ruim ou que toca demais, que você enjoa, já conhece, que assovia sem se dar conta. A minha vida é assim...A vida de qualquer um é assim. Tem suas faixas preferidas, aquelas que pula, que nem se lembra mais, mas mesmo assim passa por elas. Porém de vez em quando retorna. As ouve, tenta entendê-las. Dar atenção. Ter uma outra opinião. Fez a escolha certa. Se ela ainda é ruim ou boa. Passou por ela batido ou se ainda está lá na sua galeria de favoritos. Mas sem querer você pode, como dito, deixar seu disco cair e riscar a única faixa que era importante no disco todo.