Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Monday, May 12, 2008

Fátuo


Meu nome não interessa. Pode me chamar de qualquer coisa. Pelo meu apelido. Invente um agora. Um até pejorativo, deve ter uma dezena passando pela sua cabeça agora. Inferno! Pode rir, não será a última bobagem que saberá de mim. Tenho o lado bom e o ruim, escolha qual máscara você quer. Absurdamente quero apresentar minhas armas, cortar você com minha língua afiada. O acaso venha de braços abertos, mas que esteja armado com suas melhores frases ou disposto a brigar. Estou chegando bem perto de você. Já estive dentro de você, dancei com você, cobri seu corpo com minha saliva e suor. Você deve estar rindo mais alto agora. Não estou nem aí. Você quer que eu desista. Eu só vou recuar e deixar o acaso dar uns primeiros golpes. Você está indo para longe. Para o canto do ringue. Mas quem sabe você rodopie e se veja diante de mim. Não vou correr, como disse, o acaso tem seus direitos adquiridos. Contagem aberta. Vou reencontrar essa disposição, essa falácia que eu sempre vivenciei. Ainda irrito você, de algum jeito. Viva a sua vida como quiser, com quem quiser, e eu darei meus movimentos nesse tabuleiro. Vou guerrear com meus atributos nos hangares das fundações que vou derrubar. Estarei passeando com a minha alma. Colocando os óculos escuros quando encarar o Sol e desafiá-lo. Posso fazer qualquer coisa, e se pretende seguir fazendo as coisas certas, o faça, só responda rápido o que é certo. Se quiser, mude de opinião, mais rápido ainda, quando achar necessário ou válido. Errar faz parte. Acertar é um bônus. Falta algo, não falta? De algum jeito sua felicidade não se completa. Você não consegue que o cubo mágico tenha os seis lados perfeitos. Não adianta desmontá-lo e colocar peça por peça. Quando o movimentar, não formarão o cubo com todas as cores. Ridicularize o sentimento alheio. Se sinta ridicularizado também. É a ordem do jogo. Não quer jogar? Impossível, assim que acordou hoje, o tabuleiro foi sacudido. E todas as peças caíram, os Peões, os Cavalos, Bispos, as Torres, o seu Rei e sua Rainha. Reinicie a jogada. É bobagem, você vai dizer. Estou ouvindo sua voz. Vejo seu nome em crachás de caixas de supermercados, em fachada de loja, ouço seu nome pronunciado por pessoas que nunca devem ter lhe visto, mas o falam para seus homônimos. Acha que fico feliz com isso? Não quer nem saber a resposta. E daí, mais uma vez você vai dizer. Fazer bico, desdém. Vai ir direto para os braços que o acaso, o novo, o inesperado, crie a surpresa. Ou não. Não há proibições. Nunca houve. Consideração, sim. E eu vou jogar as coisas na parede, o que estiver ao meu alcance. Arrancar pela fresta do vidro qualquer menção que está ali. Vou ajudar quem eu acho que mereça, mesmo que tenha que fazer uma romaria pra levar alguém que pede auxílio. Não terei vergonha dos meus dedos quebrados e nem das cicatrizes que o acaso continua fazendo. Estarei pronto para qualquer golpe, e vou senti-los, vou cair, sorrir com raiva e a boca escorrendo sangue. Mas não vou ser nocauteado. Vou olhar fixamente. Apoiar-me sobre os braços, levantar a cabeça, dar uma gargalhada, fincar os pés no chão e continuar com os olhos vidrados bem direto nos do adversário. Estarei na luta. Sem sacrifícios, em busca do que foi perdido, pedido, e do que ainda vou ter. Seja como for, criando um lugar melhor para o amanhã. As crendices me levam como se soprassem boas novas ao ouvido. Tento enxergar as promessas que fiz e delas encontrar as indagações que o inferno não é um lugar tão ruim assim. Aqui as histórias são mais cruas, com mais erros de continuidade. E daí sairá da sua boca, não uma pergunta, mas uma exclamação do que virá. Enquanto isso as peças estarão sendo colocadas para mais uma partida.

Thursday, May 01, 2008

Por Acaso, Obrigado!

Quantas vezes você pôde agradecer a alguém por ter entrado na sua vida?
Entrou arrombando a porta, quebrando alguns pratos.
Mas estou falando sobre alguém que o fez amar. Do jeito que só você soube que era, mesmo quando apagaram-se as luzes nesse palco de atuações e devaneios, que chamamos de vida. Destino. O acaso.
Não é o caso de uma pessoa que lhe dá um emprego, lhe presenteia, lhe ovaciona.
Você já deve ter ficado irritado, magoado, triste, alegre, por esse alguém, porém dificilmente você agradeceu por esta pessoa ter surgido. E deveria.
Veio num olhar, num arrepio, numa caminhada, num dia de sol, no meio do escritório, simplesmente veio. Surgiu de repente. Chegou abrindo as janelas que estavam cerradas, pintou as paredes, jogou o tapete escada abaixo, colocou fogo na cozinha e nas roupas antigas. Trouxe a felicidade como sua mala e se pôs em pé diante de você esperando o próximo embate. Um beijo. Um alô. Um telefonema. Uma mensagem. Fez você ouvir músicas que não conhecia, ler livros entrando em seu mundo por tabela, enxergando as coisas de modo diferente, aproximando das cores, os detalhes, os minúsculos traços, ranhuras. E você talvez não tenha visto que ela trouxe tudo isso, convidando você para acender todas as luzes, clareando o seu caminho. Ela foi a sua luz, lhe pegou pela mão, o empurrou devagar para uma passagem até descobrir o que seu coração poderia entender, mesmo tarde, mesmo depois que ela bateu a porta atrás de você.
Agradecer a facilidade de ter a felicidade ao seu lado, por um lapso momentâneo do tempo. Ou já ter estado. E se amanhã não estiver, o que importa?!
Mas sei que vai importar, muito.
O que a solidão não aceita e o que você não compreende é que essa pessoa continua dentro de você.
Tatuada na pele. Correndo pelo suor. Sorrindo quando você fecha os olhos.
Nas lembranças de acordar junto.
Na melhor maneira de se despedir de alguém, agradecendo. Acenando para os quatro cantos do mundo tentando ser visto. No fundo tentando trazer de volta tudo isso todos os dias. Por isso você tem que dizer de todas as formas, se tiver oportunidade nessa roleta russa com a arma engatilhada bem na sua cabeça, obrigado, e se tiver de novo, mais uma vez, voltar atrás, complemente com Eu te amo!
E se não conseguir, reconheça, admire o melhor do que teve, se desculpe caso precise. Agradeça por ter sido apresentado a este estranho sentimento que é chamado de amor. Que você não explica.
E recomece a amar de novo.