Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Saturday, June 21, 2008

Você Entre Vírgulas

Ah, ainda me lembro! Tenho diante dos meus olhos o momento que tive você. Quando começamos a conversar, trocar beijos, olhares além das nossas roupas que caíram, foram se soltando. Minha língua correu da sua boca pelos seus seios, pela sua barriga, subindo até seu pescoço, dançando ao movimento do seu corpo, virando você de costas. Beijar você deitada até suas coxas. Ver sua lingerie se soltando no ar, levando quase o mesmo tempo do meu desejo. Seios à mostra. Sexo desnudo. Desenho de muitos outros verões. Minha língua tatuando a saliva pelos arrepios da sua pele. Ambos ofegantes, olhos semi-cerrados. Cabelos desarrumados. Beijos, beijos, beijos sendo nossa linguagem indo muito mais do corporal. Estamos únicos. Eu em você. Você movimentando meu corpo. Sua boca é a minha. De olhos abertos nos encaramos. O calor do seu sexo é exato ao meu. Que contrai, que solta, que suspira em cima dos gemidos que ambos trocamos. Você se entrega, grita, nesse instante meu peito arfa, explode assim como seu gozo. E você desmonta, cai ao lado. Olha para o meu desejo ainda pulsando e oferece sua boca com magnetismo. Sua saliva quente escorre em mim que já estou banhado por seu prazer. Você de joelhos me guia, mãos ágeis orquestram minha segurança, minhas pernas dobram, eu, em pé, olhando seu rosto, o segurando, evitando não segurar demais, não a empurrar, não prender, deixar você livre para me usufruir. Você num pequeno instante me olha, acelera, e, eu tento me segurar nas paredes, falo o seu nome, eu digo que a amo, e ela, me sorve, me engole, não só meu corpo, mas minha alma. No banho a tenho diante de mim, e o desejo é invocado mais uma vez. Sua boca entreaberta diz que me ama. Penso em você todo o tempo. E o desejo é meu confessor; o meu amor meu confidente. E você entre vírgulas.

Saturday, June 07, 2008

Ácido no País das Maravilhas - Uma Aventura além do Arco-Íris






Uns dos contos infantis mais doidos de todos os tempos é Alice no País das Maravilhas. Já houve estudos políticos, sociais, psicológicos em cima disso. Alice já foi literalmente desnuda de todas as formas. Tiraram sua roupa peça por peça até chegar na alma. A analisaram até sexualmente falando. E como jargão, serve para falar sobre alguma pessoa que vive a esmo. Cá entre nós, sei que até já falaram sobre isso, mas Alice teve uma aventura alucinógena! Você já pensou nisso?!
Se você pincelar algumas passagens, inclusive se tiver na memória o desenho, pode-se deduzir que ela teve experiências desse tipo. Ela era muito "louca"! Hum...
Estou esperando alguém parar de rir. Um, dois, três...Deu, vamos lá...Aquele encontro com o acelerado chapeleiro, com seu bulê, falando todo momento, com os dentes trincados; ou o gato listrado que aparece e desaparece como fumaça, com sorriso enorme e com a fala mansa dando algumas baforadas; o Coelho branco de colete sempre atrasado correndo, correndo; os impronunciávess tweedledeem e o tweedledum que só se pode repetir seus nomes com maestria depois de uma rodada de dez cervejas; todo o universo com a rainha de Copas querendo cortar as cabeças alucinada com suas pupilas dilatadas, o exército de cartas; o chá, ah, o famoso chá que a deixa tonta, a faz crescer, diminuir, ela vê imagens distorcidas, sentada em cima de cogumelos, abrindo as portas da percepção e indo além do arco-íris.
Alice é uma loirinha de vestido rodado com a curiosidade e ímpeto do ser humano de querer descobrir o que há por trás da cortina do palco. Faminta por experiências, por novidades, por se encontrar ou desestruturar a mesmice. Mexendo com sua libido. Correndo perigo. Isso não é apologia a nada, mas a viagem que ela fez ultrapassou o bom senso e o melhor de tudo que não deixou seqüelas maiores. Não desse tipo. E acima de tudo é um conto emocional. Apaixonou-se na época pelo chapeleiro e pelo gato ao mesmo tempo. Ficou em dúvida, mediu as diferenças, um era o ar, outro chão, um era acelerado, o outro vivia por si. Acabou optando encontrar os dois num só ou algo mais parecido com ela. Ainda pensa nos dois; ainda imagina como seria, mas ficou para trás. Quem sabe pudesse voltar. Bastaria um movimento pra que isso acontecesse. Ou se ela tomasse o chá novamente.
Alice hoje deveria ser uma avó daquelas que faz bolos em formato de bichos para os netos. Que faz os olhos com balas de goma. Viúva do seu amor, que ela suspira quando chega em casa depois de andar as escadarias da igreja próxima da sua casa, porém não o maior, se isso é possível. De vez em quando ela acende o narguilé que ganhou numa tour que fizera na Índia, pensando nas aventuras com o chapeleiro, com o gato, com os talheres, e xícaras falantes, com a rainha resmungando, e sorri por ter vivido aquilo, mesmo que dê uns espaços em branco na sua memória. Causa disso tudo não precisa nem ser comentado. Lera Timothy Leary sem entender muito bem, mas não largava o On the road, de Jack Kerouac.
Alice teme pelos seus netos e pela sua insegurança, mas se vê feliz. E essa felicidade sempre pode ser maior, basta saber qual viagem você fará. Em qual país de maravilhas você está buscando. Alice sente na boca o gosto do chá. Volta e meia pensa em fazer em casa, mas estará sozinha e não quer sentir a paranóia do que – ou de quem – passou. Olha para a janela, faz com a ponta dos dedos desenhos no vidro embaçado. Corações, chapéus, gato, iniciais. Alice descobre-se ao olhar de relance o espelho, se vê de novo garotinha. Sexualidade, saudade, segurança. E isso a faz abrir um sorriso conhecido. E como se estivesse segurando uma xícara de chá simplesmente bebe com vontade. A aventura ainda não acabou. Então mexa-se Alice! Ela saltita e sai pela porta pulando amarelinha enquanto no céu cruza um arco-íris multicolor.

Monday, June 02, 2008

A Piada Repetida

Sempre tive a impressão que Deus fosse um piadista. Calma, antes que alguém me acuse de herege. Deus é um ser bem humorado. Ele não sofre. Isso cabe aos fiéis. Ele é um Ser Supremo. Acima de tudo e todos. Okay haverá outras crenças e religiões com seus seres superiores, até os etemaníacos podem se manifestar. O que importa nisso tudo é que esse ou esses Ser(es) tem(têm) bom humor! Mas não são tão criativos. São repetições que nem sempre vale a pena ver de novo.
Quando há uma catástrofe, rezamos, oramos por ajuda. Dizemos que é por nossa culpa. Concordo. Mas quando temos alguma coisa boa em nossas vidas, cabe exatamente um degrau acima de agradecimento à hierarquia da fé.
Deus(vou colocá-lo em foco para ilustrar, calma crentes de outras verves!) deve sentar-se diante da sua poderosa tevê de tela plana de duzentas polegadas para abranger todo o conteúdo do mundo e dar boas risadas. Quem sabe ele pode mesmo chorar com nossas desgraças, desilusões ou pegar uma caneta no rabo de um cometa e escrever nossas histórias. Novelas mexicanas com sofrimento, lágrimas e com finais felizes. Até iniciar o próximo capítulo. Deus escreve certo por linhas tortas e piegas. Podia ter um corretivo daqueles branquinhos para apagar algumas coisas. E alguns chamam de destino. Ele intitula com simplicidade, o nome de cada novela, de cada folhetim com nomes próprios e alguns títulos de impacto e já repetitivos.
Deus é um piadista! Assim como Buda, como Alah, Jah, Oxalá, todo mundo faz uma piada com você. Mas isso não é maldade, é bom! Rir da vida, rir da desgraça alheia faz parte da criação humana, faz parte de todos nós. Quem não ri de alguém que se engasga, cai, tropeça? Eu rio. E os deuses, os Seres Superiores, com certeza diante de suas telas planas também.
Acho que se todos essas divindades formassem uma banda seria um grande sucesso. Imagine ouvir suas orações embaladas por um ritmo com esses multiinstrumentistas divinos nessa fusão ecumênica musical. Todos juntos e todas as misturas, rock, samba, funk, jazz, hiphop, djs, e claro, muito soul. Isso pode parecer piada do “coisa ruim”, mas não é.
Pense na piada, que é repetida pelo seu colega de trabalho, no escritório 100 vezes e você ainda ri; quando ele espreme os dedos na gaveta ou faz uma imitação de drag queen. E você pensa, não sei se ele é gay, mas ele está fazendo curso, ah, com certeza está.
Deus é isso, bom humor, alegria. Humor negro. E você crê em deus na forma ou da maneira que quiser, em energia, em felicidade, em humildade, em conhecimento, em amor, então mesmo que a piada se repita siga crendo. A piada vai continuar. Gargalhe. E aproveite a forma do seu amor e beije até que se repita, pelo amor de Deus!