Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Saturday, August 23, 2008

Abismo - Só Um Passo


Quem pode saber quando está amando alguém?
Quem pode realmente dizer, eu amo você ou amo ele(ela) com certeza? Você já fez essa pergunta, confesse. Amor é uma das palavras com a rima mais pobre, dizia Bezerra da Silva. Mas a pergunta seria, Você sabe quem ama?

Ela o amava. E ela amava o outro. Eles a amavam. Amava do mesmo jeito pessoas diferentes. Amava diferente com o mesmo sentimento. Sua vida cômoda, sem nenhum percalço, foi sacudida, como se a colocassem dentro de uma caixa de fósforos. A sacudiram com força. Antes realizava-se com a felicidade que ele a proporcionava. A satisfazia com amor. E numa troca de olhares, ela descobriu-se amando o outro. O outro que a cativou pelo olhar quase sem piscar, que a seguia sobre os calcanhares, pelo manear de seus cabelos, pelo sorriso contido. E dos beijos quase que involuntários, movidos pelo desejo, pela vontade, pela atração, pelo escuro do momento iluminado diante dos olhos que seguiam. Aconteceram. Cada dia aumentando, crescendo, tomando para si o destino, a saudade como fio condutor de energia. A surpresa como a lanterna nesse túnel escuro. E ele continua amando-a. E ela a ele. E o outro a ama; e ela também retribui. Até quando? Como saber?
O medo tomou conta dela como se o novo fosse uma armadilha e o atual, o seu presente certo, trouxesse não só a segurança, mas sua vida completa.O kit estava pronto, já conhecia, decorado, todo o manual. O novo amor está ali presente também. A dúvida como tempero, apimentado, que arde na língua. Coloca diante dela as cartas de apresentação, seu menu de opções que é ele. Clique para acessar, convida. Nesse momento tudo se mistura, ele é o outro; o outro ele também. Ela não sabe como escolher, não sabe se deve escolher. Nem se precisa. O outro deixa a seu critério, por não querer sair da sua vida. Ele, o atual, não sabe o que acontece, crê que nada abalaria seu amor. Ou faz de conta que ela sempre o terá. A confiança é sua única convicção. Até quando? Um será o outro e o outro será ele?
Quando ela decidir pelo amor atual e deixar o novo vagar sozinho e ver logo adiante que perdera mais do que uma paixão, mas aquele que poderia ser seu amor. Ou ter a certeza que fizera a escolha certa. Que seu amor hoje é único que lhe preenche os espaços. Não importa a escolha, todos sofremos com isso, nos convencionamos a isso, e assumimos nossas falhas. Escolher pode ser um passo para frente, aquele passo que se dá na beira do precipício que chamamos de vida.
Todos sabemos quando temos que escolher, mas em algum lugar da sua vida, em algum momento crucial entre escovar os dentes e pentear o cabelo, você vai perguntar se fez a escolha certa. E você só terá duas respostas: Sim ou não. Escolha.

Saturday, August 16, 2008

Água no Espelho

A sua imagem e semelhança. Quando começa uma termina a outra.
Bela e Linda, duas irmãs, uma com seus cabelos castanhos escuros e a outra com seus castanhos claros.
Bela com seus vinte e dois anos; Linda, dez segundos mais nova. As duas com seus nomes adjetivados, movendo mundos masculinos nas suas vidas. Cada uma em seu jogo particular arrasando (arrastando) os corações dos marinheiros incautos por hobbie. Uma coleção de amores desfeitos como troféus. Medalhas expostas nos diários. Cada uma com seu texto pronto, com suas paixões que se perdiam com o passar dos dias, alguns meses para os que tinham mais sorte.
Bela casou-se cedo como por capricho. Quis experimentar a monogamia como um passatempo além do jogo de palavras cruzadas que fazia a cada festa, a cada saída, a cada novo amigo, romance e desejo aplicados na veia ativando sua sexualidade por um estopim misturando carência, competitividade e tesão. Num desses reveses havia encontrado o amor. Sobreviveu aos dias de convívio como namorada. Entregou-se para o outro assim como sujeitou ao subordinado despojo maior. Quatro anos de um namoro irresponsável na doce brincadeira de criança, de esconde-esconde, de casinha. Para não sucumbir à perda da escolha, o traía eventualmente com a desculpa de que o seu compromisso era apenas uma convenção hipócrita. Precisava de ares para fortalecer o relacionamento, seu amor estava acima do desejo. Entre culpas, e mentiras mal costuradas deu um basta para si e para o seu, então, amado. Ainda sonha com ele.
Linda, perambulava na alegria de estar só ao mesmo tempo de ter todas as bocas para beijar. Era escolhida e escolhia a dedo quem ela queria. Não se sentia uma qualquer por divertir-se, mas sentia o golpe quando se via enganada. No fundo buscava um parceiro que não só a satisfizesse apenas na cama, mas no convívio. Encontrou numa tarde um modelo diferente que a vida moldava diante dela. Alguém que ia contra seus preceitos e presunções. Alguém que era seguro sem ser para ela. Que lhe causava estranheza, mas a atraía. Cabelos desgrenhados, olhar fixo, sem meias palavras. E a paixão tornou-se tão forte, que o amor ali deu seu cartão de visitas. Foram momentos diferentes. Ela entregou-se como já havia se entregue a outros, mas não só o seu corpo, nem só sua luxúria, abriu mais do que a porta de seus tabus, e seu sentimento; arrombou a segurança da sua alma, do seu amor.
O sexo sempre foi o melhor companheiro das duas. Cada uma com seus amantes e pretendentes próximos de mais ao gozo e distante de relacionamentos mais profundos. Tão rasas, mas buscavam a profundidade para mergulharem no que acreditavam. Queriam ter filhos, profissão, casa, marido, carro na garagem, tudo certo, bem planejado, mas iam e vinham por caminhos diversos e outros mais.
Bela, depois de separada e lamentando ter escolhido o momento errado para fazer a coisa certa, voltou a entrelaçar-se nos braços e pernas de alguns e mais outros afogada na saliva de beijos de gostos diversos; Linda, disciplinou-se em ter um amado. Um corpo todos os dias, mandando mensagens pelo celular, deixando recados na página dele em sites de relacionamentos, recebendo flores, fazendo compras, andando no parque de mãos dadas.
Ambas saíram juntas coisa que há muito não faziam. Encontraram amigos, amigas numa festa badalada. Riram, ouviram suas histórias, contaram detalhes das suas últimas, deram as mãos, eram unidas, estavam cada uma do seu jeito: felizes. Ao final da festa, Linda encontrou o seu redentor guiando pelo seu caminho ainda a ser descoberto e Bela abraçou seu santo Graal, que não via há tempos, que tinha ficado numa esquina de anos atrás como aqueles amores defeitos, mas que o nó ainda teimava em não se soltar.
Longe dali uma menina deitada no chão olha para o teto branco. Levanta-se e joga a água do seu copo no espelho escorrendo na sua imagem, onde ela se escondia.

Wednesday, August 13, 2008

Hoje Procurei Teus Olhos

Hoje procurei teus olhos
Como se procurasse meu Sol
Mesmo num dia nublado
Sorrindo para mim
E acordaria com teu calor
Dormiria no teu corpo
Como um abrigo, um aconchego
Minha rendeção
Faria desse céu meu caminho
E da tua boca meu lugar
Hoje procurei teus olhos
Como se procurasse meu Sol
Mesmo num dia nublado
E teria a certeza que tudo
Se resumiria em todos os caminhos
Traçados pelas linhas do teu corpo
Meu perdão
Criaria todo um mundo
Adivinhando os teus desejos
Descobrindo teus segredos
Hoje procurei teus olhos
Como se procurasse meu Sol
Mesmo num dia nublado
Minha ilusão
Sentiria além do teu toque
Apaixonado e apaixonando
Cada minuto, segundo, hora
Em oração
Como se tudo acabasse em ti
Recomeçasse em mim
Palavras, silêncio
Compreensão
Serei teu
Enquanto minha
Únicos
E apenas
Hoje procurei teus olhos
Como se procurasse meu Sol
Mesmo num dia nublado
Te esperando...