Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Saturday, September 27, 2008

Mergulhe!


E pode parecer estranho que o tempo passou desabando pelos dias, tendo as lembranças como um bólido alegre. Foi declarado tudo, assinado, agendado. Cada dia foi virando mais uma forma de esclarecer aos olhos de alguns o que pode acontecer. Uma brincadeira, um agrado, uma esperança, uma saudade, um começo de felicidade.
Sempre em busca do próximo olhar, do seu olhar, do nosso. Mesmo longe, por algumas horas, por dias, por outros lugares, por outras pessoas. E nossas vozes ainda são ouvidas, gostos ainda são reconhecidos. Das nossas bocas, dos nossos corpos, das nossas manias. Mudamos nesse tempo. Cabelos, corpos e de corpos. Corremos contra o fluxo ao mesmo tempo, que queremos que a maré nos leve. Não há o que esquecer, nem o que deixar para trás. Depois da tormenta, de ondas gigantes tentando nos afogar, hoje as temos para surfar, criando manobras, sendo parte desse oceano.
Não vou cair. Nem me afogar. Sei que pode acontecer, mas não vou. Você também. Não quer mais vai. Pelo menos pode. Cair em prantos. Cair de joelhos. Cair nos braços de alguém. Se apaixonar. Se afogar no corpo de alguém, na boca, no sentimento. Não quer prostituir o que sente. Não quer ser uma puta. E nenhuma puritana submissa. Quer ser as duas também. Não quer vender o que tem por preço algum pensando em querer ser feliz. Mas negociar da melhor maneira. Quer entrar nesse mar, indo até onde ele possa levar, por águas mais calmas e agitadas que nos deixem além dos Oceanos, enfrentando todos os perigos que lá estão.
As palavras nem precisam ser ditas, todas, de uma vez, elas perdem o seu significado. E podem nos separar como vírgulas, que nos pausam e mal colocadas nos afastam. E o que pode nos confortar, ser nossa casa, que preenche o vazio que o silêncio festeja, muito mais claro do que o som dessas palavras que discutimos e nos perdemos.
Caminhamos com nossos próprios pés. Um de cada vez. Aceleramos, porque não. E continuamos com as passadas maiores, indo pela areia, pelos contornos das dunas, chegando na beira do mar que não nos teme e vem com a serenidade e fúria chamando para perto. Sem dizer nenhuma palavra. Ficamos parados diante de suas ondas, com os pés afundando na areia, com a espuma da maré crescendo. Estamos dentro de suas águas. Abrimos os braços e seguimos cada passo, com o arrepio causado pelo choque das ondas aumentando. Somos abraçados pela cintura e puxados para dentro, mergulhamos, e com o Sol sobre nossas cabeças temos a cama desfeita.
E você, assim, como eu, procuramos uma ilha no meio dessa imensidão. E ela pode estar no desenho do seu pescoço, nas suas costas, nos seus braços, na sua cintura, para volta e meia navegarmos junto tendo um porto seguro. Sabendo que qualquer furação pode nos banir. Mas estaremos alegres nesses dias em que nossos corpos sejam apenas um. Num longo mergulho. Em silêncio.

Monday, September 08, 2008

Brincando em Campo Minado



Desde criança brincamos, buscamos novas brincadeiras, recriamos as que conhecemos refazendo as regras, às vezes, e sempre para nos satisfazer. Com isso cativamos amigos, novos e os que estão sempre ao nosso lado. Brincamos no primeiro dia na escola, no jardim, na pré-escola, os tutores, professores, “tias” nos colocam em grupos para brincarmos. Saímos com a vontade única de diversão. E crescemos com essa vontade. Nos descobrimos na puberdade brincando. Com o nosso corpo, com o corpo alheio. Antes sem conseqüência começamos da brincadeira para um jogo mais perigoso, com caminhos cheios de armadilhas. E não paramos de brincar. E nem de jogar.
Quando adultos resolvemos apostar nas brincadeiras e ficamos viciados no jogo, seja qual forem regras, as quebramos ou as seguimos de acordo com a nossa vontade. E participamos. Já pulamos por areias movediças, ficamos presos em jaulas, saltamos sobre muros, nos arrastamos por baixo de cercas de arames farpados, esquivando de uma saraivada de tiros, desviando das miras infravermelhas, e correndo de animais ferozes.
E não paramos de brincar. A cada saída, festa, reunião, convivência, nós brincamos, fazemos piadas, rimos, damos largas gargalhadas, dançamos sobre os caixões de relacionamentos já passados, e ficamos surpresos, alegres, estupidamente sensíveis ao conhecer novos amigos e amigas e mais corpos para brincar. Convocamos times certos para disputar as partidas. Mesmo que seja um esporte coletivo, nos expomos para a torcida, ajudamos o time. O seu esporte está na platéia, na torcida desligada, tentando chamar a atenção. E quando conseguimos, trazemos para o nosso lado uma parceira ou parceiro para um jogo mais nosso. É bom ensinar; é bom aprender. É bom brincar. E muitas vezes viramos o objeto da brincadeira. Mas há as regras e elas dificultam. E brincamos ao burlar. Sim passar a perna, descobrir os atalhos, ir no F2 de qualquer jogo de computador e ver como saímos de determinada situação. E mesmo quando perdemos nossas “vidas extras” ou bônus, nós continuamos com a cara mais desaforada e com a adrenalina como combustível. Suamos a camiseta, pelo esforço. Nos dedicamos. Tentamos melhorar nossa performance. Nesse jogo de qualquer tipo de relacionamento entramos correndo atrás com o placar marcado pela vida com um ponto à frente. Qual é seu jogo preferido? Bater bafo, ou bater figurinha, onde você engana o adversário lambendo suavemente a mão para a figurinha ficar grudada do mesmo jeito que você o faz no lábio inferior da pessoa que você está conquistando. BUM! Caiu na armadilha de suas pernas. Ou quem sabe você prefere o jogo da garrafa, verdade ou desafio, indo e vindo, aproveitando a situação para penetrar na intimidade do alheio com olhos de canto no terceiro alvo. Há um obstáculo diante de você. Força! Salte, defenda-se, curve-se, sente-se, rasteje, domine, derrote, conquiste. Vamos girar em círculos, rápido, de braços abertos e seguir atrás de alguém. Brincar com gelo, doces, objetos, dedos, mãos guiando o rebolado de nossas danças. Brincando o tempo todo. Sorrindo, caindo em graça, fazendo graça.
E cada um segue com suas regras, as quebrando uma a uma, para sobreviver no jogo. Brincando com um humor negro sarcástico, irônico, debochado querendo mais e mais vencer a partida, passar para o próximo nível, ter créditos maiores, mesmo que esteja desacreditado.
Essa busca de brincar nos seus relacionamentos. Lingeries, fantasias, descoberta de fetiches, criação de personagens, quebra de tabus. Tudo isso para um bem maior. E você já sabe o que fazer. O que usar. Aonde ir. Vá brincar!