Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Saturday, January 30, 2010

Nada Mais Importa


Fui surpreendido e mesmo assim nem me empolguei quando soube, não era esperado, não estava aguardando, de repente em estado de choque, paralisado. Algo estava acontecendo. E eram coisas boas! Não são lamentações; são frutos de um outro estado, o de prontidão para tudo se encaixar. Nesse final de tarde, depois de passar mais um dia de overdose de um vazio profundo, me apareceu a oportunidade de ir ao encontro da adolescência. Fui a um show – Metallica – que queria ir, me trazia boas lembranças de como eu era tão tolo quanto agora, porém na época era bem mais ingênuo.
A noite veio, depois de ir e vir até conseguir chegar ao local que fora transferido dias atrás por motivos de segurança. Olhando de fora, não vi muita coisa que diferenciasse a primeira escolha, mas estava ali não para pensar. A noite quente soprava um vento tímido mas engrandecido. A fila circulava para fora da avenida onde era entrada do local. Carros e ambulantes se dividiam nos barrancos e calçadas. Vendedores de quinquilharias empurravam qualquer objeto que trazia a logomarca da banda. A estrutura de grande porte ao palco enorme e o terreno de lama que afundavam os pés num banhado eram o contraponto. A maioria das pessoas, de preto, corriam para os lugares mais propícios para enxergar o show. Não era necessário, havia três telões de alta definição que dava toda a visibilidade possível.
O show estava preste a iniciar. Com uma lata de cerveja na mão e adrenalina no corpo ainda teimava um vazio imenso dentro de mim. E como precisasse de um antídoto que acabaria com aquele flagelo, peguei o celular e digitei a cobrar um número. Não houve resposta. Deixei apenas “bipar”. Olhei com uma certa resignação e bebi num gole só a cerveja que me ofereceram junto com uma tristeza. Demoraram trinta e tantos minutos para que meu celular tocasse. Eu ouvia pouco pela intensidade do barulho das batidas da bateria, dos gritos da platéia e pelos riffs das guitarras. Eu queria dizer que estava feliz acima de tudo porque estava ouvindo quem eu queria. Que eu a amava, faria de tudo e poderia viver com ela. Que não seria um monstro desorientado infantil que me tornara. Que a certeza do que sentia ia além de todos os erros. Que ela era a minha única escolha mesmo que não parecesse. Que nenhuma discussão poderia nos afastar tanto. Que o destino, sendo o mais sádico, nos colocaria de novo e de novo cara a cara, mesmo que nos separássemos cada vez mais. Eu gritei que a amava e ela me respondeu que também. E nesse momento explosões ocorreram como se tudo estivesse sido ensaiado.
Eu olhava às chamas incrédulo, com um sorriso no rosto, agradecendo pela noite, pela ligação, pelo que foi dito. E principalmente por saber que nos amamos. A noite encerra-se. Caminhei a pé um longo trajeto e fui com o doce sabor de uma brisa suave. Você sabe meu objetivo. Nada mais importa.

Tuesday, January 12, 2010

Não Há Ar Aqui!

Não há ar aqui. É escuro, mas há uma certa claridade logo acima. Ter forças para subir é essencial. Usar toda a força possível. O ar preso nos pulmões já não suporta mais.E o tempo está se esgotando. Os músculos necessitam de toda a energia para que se consiga subir. Ir até a parte onde há luz. Está perto, quase conseguindo e as bolhas de ar saem da boca que é forçada em ficar fechada. É a necessidade de respirar. Não poderá desistir agora. Tudo está preste a dar errado. Já deu. Existiam obstáculos, agora terá que superar muito mais para sobreviver. O ar já está se esgotando. E só há chance de chegar na parte mais clara. A salvação. Perto da superfície. E respirar.
E o que passa diante dos olhos são todos os sentidos. Respira-se sua saliva. seu perfume encharca a pele alheia. O seu suor mistura-se com o outro. O ar some dentro do outro corpo. Uma mistura química e desejo. De vontades e esperanças. De início e fim de um para o outro.
De todas as fugas se criam as maiores desculpas que se consomem o ar. Sufocamos. Abrimos os braços. O ar não vem. Os pulmões contraem-se numa luta desesperada na busca de energia. A visão torna-se turva. Os movimentos atabalhoam-se. Nada está no seu lugar. O ar não existe. O ruído agonizante perpetua na garganta seca criando uma máscara. No rosto se percebe os sinais vitais sumindo. A boca, ainda aberta, permite apenas que o desmaio seja ecoado pelo vazio do espaço aberto.
Está dentro da água. Os olhos abrem-se de relance enquanto se cai cada vez mais para o fundo puxado por uma correnteza mais forte. A boca aberta ingere tanto líquido que os pulmões já não reagem. Está indo para fundo pesado, mas ainda com os olhos abertos. Não há ar aqui. Mas os olhos vêem a superfície luminosa se distanciar. Observa suas mãos e braços estendidos ao longo do corpo inertes. As pernas idem. Cai. E não para. Não tem reação e nem ação.
Na água também há oxigênio.
Vá aprendendo a respirar.