Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Wednesday, October 27, 2010

Reverso em 180º


A sensação de ser um Deus, só por alguns instantes, ver sobre as nuvens além delas. Um momento de êxtase. De ser um gigante. De ser. Mas apenas humano. Sem arrogância ou prepotência. Pernas, braços, peito, cabeça, boca, bunda, sexo. Admira o quadro das intocadas nuvens. Seus formatos mudam de acordo com o olhar. Parecem enormes geleiras se deslocando, santos em luta, anjos cantando, cães furiosos, lagartos com suas línguas, navios cruzando os ares, corpos boiando no místico mar dos céus. Eram nuvens, apenas isso. Assim como ser. Ser humano.
E os medos que esse “ser” carrega nas costas esconde em suas atitudes ou falta delas. Vamos lá, relembre seus erros, das coisas mais sórdidas e estapafúrdias que seus atos foram cometendo como se fossem fotocópias. Se repetindo e ao mesmo tempo enganando você mesmo. Não adianta ficar preso dentro de uma ostra. Saiba que pode ser uma e dentro criar uma pérola valiosa. Um valor que não tem preço. Sair do ponto 0 e seguir adiante passando por todos os números até chegar do outro lado da rua. Desafios. Os desafios dos heróis gregos. Sinta-se um semideus. Mas para que ser algo além do que você é. O sentimento estará dentro de você sendo Deus ou um deus. É o seu ponto de partida e de segurança. A fé maior está dentro de você.
Mude o lado que você dorme. Não faça o mesmo caminho. Desarrume os livros empilhados. Depois os coloque em ordem, de ano, escritor, edição. Mude. Difícil, não é?! Não se preocupe ficará pior. Sobre as nuvens você vê um jogo de damas. Jogue. Coma o maior número de peças. Vença. Vá até a porta, abra-a e grite, “eu vi, vim e vencerei.” Nesse novo jogo num tabuleiro antigo, você está de cara com desafios (eles estão ai) de novo, mais um e de novo, de novo, novo.
Nada é igual. Nada ficará igual. Nada nunca é igual. Faça a diferença em si. Mesmo que seja você mesmo no espelho todos os dias.

Sunday, October 03, 2010

Impessoal e Transferível


Não, nem sempre o Eu sou Eu. Pode ser você em muitos casos. Pode ser a transcrição de fatos alheios. Pode ser a simples menção da existência de fatos. Pode ser a complexidade do alheio. Pode ser apenas Eu, em alguns casos.
Em muitos momentos você pode se deparar com situações que lhe obrigam a agir. Errado. Certo. Ser levado a fazer algo. E nesse instante, deixar de fazer outra coisa. Ato de covardia. Ato de bravura. Ser homem. Ser um inseto. Ser apenas você. Um inseto pode carregar 100 vezes seu peso. Uma formiga sem uma das “pernas” se arrasta por metros tentando seguir em frente, voltar para seu abrigo, reagir. Uma mosca dura alguns dias, em algumas espécies, dias, só precisa procriar e morrer, mas voa, “zanza” por vários lugares e defeca onde passa. Sete dias limitam algumas borboletas. A imagem de sair do casulo, surgir bela, embelezar a paisagem e morrer. Os aracnídeos, a aranha devora o macho logo após a fecundação, o escorpião ataca pelo simples toque em seu corpo mexendo suas presas para defender-se. A máxima da melhor conhecida “a melhor defesa é o ataque” se faz jus. E você muitas vezes se pergunta, sou um homem ou uma barata? O popularesco ironiza, debocha disso. Apresenta a barata como um ser inferior, covarde porque foge da luz, corre para todos os lados pelo simples ruído. A barata usa seu exoesqueleto para espremer-se sob superfícies. É veloz. Voa. Alimenta-se de tudo que está ao seu alcance. Suas antenas percebem atividade externa a uma distância que a permita observar saídas rápidas. Seu instinto é de sobrevivência. Filósofos e estudiosos garantem que somente as baratas resistirão a enormes catástrofes naturais. Podem viver na água, no ar, na terra. Sobreviver. Frágeis a ponto de que com uma simples pressão serem mortas, mas não dizimadas. Mas como diz o ditado, a cada barata morta dez surgem. E você? Homem? Mulher? Inseto? Muitas vezes seus atos o transformam de herói em vilão. De homem em inseto. De valorizado em um ser que causa asco. E em algo mais virando o copo. Meio cheio; meio vazio.
Nem sempre o errado é você. Pode ser eu. Deite-se na cama. Barriga para cima. Coce o umbigo. Estique os braços e as pernas. Olhe para cima. Observe a teia de aranha no canto. Acompanhe com a cabeça e a vire. Arraste-se até os pés da cama. Vire seu corpo. De cabeça para fora do colchão. Cabeça suspensa. O sangue pressiona. Observe. Não estará na posição certa, mas não quer dizer que está errado. Tenha isso como exemplo. Não há barreira maior para decifrar isso que não seja a própria vida. Sim, e os fatos que dela vão brotando. Ovos do inseto que você criou. Sua metamorfose benéfica. Seu “eu” sobrevivente.
Você se identifica com isso. Não?! È, você não sou eu. E nem eu sou você não posso colocar palavras na sua boca e nem você colocar idéias soltas na minha cabeça vazia. Só que irei contar uma coisa. Eu estou com os arquivos abertos dessa biblioteca que chamam por aí de cérebro. E daí me questiono o desenvolvimento dos cérebros dos insetos. Eles agem por instinto para viverem; eu tenho que pensar para isso. Há uma certa ironia nisso. Enquanto falo tudo isso, a vida continua lá fora, os carros acelerando pelas avenidas e as pessoas sorrindo; embaixo de seus pés os insetos alimentam-se. Nada pessoal. E pare de transferir responsabilidades.