Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Tuesday, November 16, 2010

As Estrelas No Seu Jardim



O meu menino, sozinho à noite, olha as estrelas em seu sonho e em cada uma ele coloca um nome que lhe vem à cabeça, pessoas, cores, coisas que ele mal conhece. É um pequeno descobridor de mundos. Desbravador. Estudioso. Curioso. Em aprendizado contínuo.
Uma vez, vou lhe dizer, eu disse, no horizonte de um outro jardim, que aqui não seria o espaço certo para descrever ou mostrar ou falar de você. Repito o que disse aquela vez. Não sei se aqui é esse lugar para eu lhe trazer, mas é o único lugar que só meu com as portas sempre abertas. E você tem tantos lugares para ir. No coração de tantos. O meu está sempre escancarado com os dizeres em neon que amo você, meu pequeno imperador. Meu reino imaginário é o seu real. Fico de joelhos, em reverência, mas com a mão firme para segurá-lo no seu ímpeto. Serei um orientador de qualquer forma, de algum jeito, estarei ao seu lado mesmo quando você se sentir sozinho diante dos problemas que vierem. Você irá encará-los olho no olho e eu surgirei com todas as armas e escudos para protegê-lo, ao mesmo tempo, que um exército será erguido ao seu redor entre avós com dor nas costas, osteoporose, velhice avançada (também que não está presente mas de olho aberto em cima de você!), padrinhos displicentes ou residindo em outras fronteiras, emprestados, os que assumiram, os tios que serão amigos, uns naturais outros a vida mostrando a amizade ao natural, primos e primas aumentando a retaguarda, sua mãe como uma felina lambendo a cria pronta para cravar as unhas em quem for, e, eu abanando aos ares minha espada. Seremos um enorme time. Numa torcida incansável a cada sucesso seu e um apoio forte a cada deslize. Eu sou seu fiel escudeiro. Com todos os erros que a humanidade alimenta. Mas sou seu amigo. Um amigo que vai chorar com e por você. Mesmo na distância que espero acabar eu lhe tenho perto e perto porque você está dentro de mim. E daqui, filho, você não sairá. Não uma prisão, mas um abrigo.
Sou seu pai. Não perfeito. Você me ensinou a não ser egoísta. E eu por teimosia ou todas as fraquezas – e uma boa dose de burrice – tive que enfrentar os medos e frustrações dia após dia como um gladiador ferido dentro de uma arena romana e principalmente querendo sobreviver para procurar minha redenção e que você veja o que fiz também de bom. Tenho as cicatrizes que não preciso lhe mostrar, só saiba disso.
Meu menino vai crescer tirando dos céus as estrelas na noite, como fossem parte de um móbile e as colocará ao seu lado iluminando seu quarto, sua cama como um jardim de luzes, dando calor quando sentir frio, refrescando quando estiver muito quente. Brincará com elas jogando-as para cima, deixando-as flutuar. Colocará no seu peito, iluminando seu coração, ele apenas dará um longo sorriso de felicidade com as estrelas em seus olhos. Estrelas essas em que seus pais serão chamados por ele. E para eles, você é o Sol maior. Ele as colocará de novo no céu negro, sorrindo para as estrelas como se desse: boa noite! “Boa noite mãe; boa noite pai” . Durma bem pequeno. Estaremos aqui. Sonhe, pense, lembre, eu vou estar lá até o dia que meu sorriso esteja espelhando no seu bem perto. Vou cantarolar ao seu ouvido para você dormir a música que eu cantava quando você nasceu e choramingava, Stir it Up ( Bob Marley ), e nas estrelas dos seus olhos você se acalmará.

Monday, November 15, 2010

Suor Rasgando a Pele


No vidro embaçado pelo calor apenas observa-se o caminho das gotículas escorrendo. Tento me aproximar. Fixando o olhar, sem piscar, percebe-se atrás dele, corpos em movimento. Vou me arrastando, o corpo contorcendo-se, puxando, grudado no teto como se meus membros pudessem ter aderência. Uma coreografia lenta, quase somente na ponta dos dedos, um e depois o outro com muita força para fazer, quase nenhum ruído um ballet de um palco invertido. Continuo a me aproximar, escorado no teto.
Invado o recinto. Sombras e silhuetas se dividem com a pouca luminosidade. Observo. Observo. Observo. Duas pessoas. Pares de pernas, braços e vozes sussurrando, gemendo, acelerando, diminuindo. Cabelos misturados. Mãos. Unhas arranhando a pele. Estou quase em cima, a poucos metros de cabeça para baixo. Giro o corpo, me apoio com uma mão chegando a quase tocar nas sombras. E vejo.
Mesmo corpo. Corpos diferentes. Mesmo sexo. O mesmo desejo. E eu observo. Diferente em sexo e desejo.
Não precisam de mais nada. Aguardo no silêncio sendo rompido pelo gozo das silhuetas. Fetiche meu. Desejo delas. As sombras. Eu observo. Estou longe de tudo isso. Mente ao longe. Estou no teto numa distância curta e muito mais longe do que poderia me aproximar. E as silhuetas dançam ao embalo do meu ballet por mim, idilicamente, pensado que orquestro como maestro em uma grande sinfonia. Ouço a música na cabeça. O suor escorre pelos vidros embaçados pela vontade alheia. Um mistério além do imaginado. O imaginário criado como mistério.
Acordo ofegante. No teto, o vazio. O meu suor rasgando minha pele.

Saturday, November 06, 2010

A Tempestade de Braços Abertos


Você vê a calmaria e espera pela tempestade, talvez ela nem venha, mas pode ter certeza ela virá. E com força! Preste atenção ao movimento das nuvens no horizonte, incline a cabeça e sinta o vento, as rajadas empurrando seu corpo como se intimasse você para uma briga, um confronto. Você espera que seja passageiro, mas não sabe dizer o que restará depois. Só pede por proteção.
E ao seu redor você se cerca de tudo e todos. Mas quando está com a solidão trancando você dentro de um quarto vazio, nada pode ser feito, só espera que a tempestade passe e as janelas parem de tremer, que o uivo do vento não continue. Quer sossegar, mas ouve a solidão rir baixinho. Reza, ora, suplica, incita.
Quando mais se espera por uma solução mágica, por uma porta na parede para sair em outro lugar, você se depara com o sorriso de um anjo, com o afago de uma fada, com as peripécias da vida. Enquanto a tempestade xinga aos quatro ventos do seu mundo, os anjos que aparecem para você sejam na forma que deseja, que almeja, que se lembre faz companhia aquecendo o ambiente. Eles não têm suas asas angelicais ao seu redor, mas a sua proteção fortalece. Sente as asas, que não estão presentes, abrigar contra as intempéries. Um abrigo contra projéteis, que maculam a saudade, disparados pela solidão. São nesses momentos que você respira nessa luta dentro de um tatame e o seu adversário tem vários rostos, muitos braços e nem sempre é identificado. A tempestade ainda cresce lá fora. E no instante que os anjos cansarem, tiverem suas forças exauridas, as fadas que você fantasiou chegarão com tamanha virulência, quanto à paciência para ajudar. Ou lhe darão um empurrão que você poderá até cambalear deslizando no chão branco frio até impulsionar passadas além do lugar onde está dando razão para romper a porta que separa a sua vida. Com suas asas agitadas, em vôos rápidos como pirilampos, as fadas buscam de todas as formas auxiliar.
Mas não creia que serão apenas os momentos felizes, alegres, dispostos a facilitar as coisas. Existe uma tempestade lá fora e você precisa enfrentá-la. Se conseguiu sair do seu quarto arrombando a porta, vá com todos os medos que possa carregar na mochila dentro de você para frente da tempestade. Fique no meio dela. Abra os olhos mesmo que o vento bata neles como se os vendasse com as próprias mãos. Espere que ela se aproxime mais. Quando estiver no seu ápice, abra os braços, deixe o peito ereto, sinta que em cada mão há o seu anjo e sua fada. Nada vai conseguir vencer você. Não importa o tamanho da tempestade. Quem lhe ama está ali, mesmo na distância de seus pensamentos segurando suas mãos.