Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Friday, December 02, 2011

Eu Comigo Mesmo


Hoje é um dia daqueles comuns.
Um dia qualquer. Um dia que não e para qualquer um.
É uma virada de página, um reconhecimento dos anos. Hoje os anos são presentes ao tempo que passou e embrulha neles os que virão no futuro logo após a leitura dessas linhas.

Aqui está o limite de todos os erros, dos acertos, das bebedeiras, das ausências, das culpas, das desculpas, mentiras, verdades, da incompreensão e da felicidade. Tudo junto, misturado no liquidificador que é chamada de vida. Uma sacudida à mais e sirva frio no copo fundo da consciência. Um lembrete na geladeira das ideias para não esquecer o quão difícil foi chegar até aqui. Passaram-se muita coisa por esse rio que quase teve mais um afogado. Saiu-se bem do outro lado nadando com toda a força que lhe resta, o sobrevivente.
Não é pouca coisa isso tudo. E para somar temos que aprender antes de tudo a dividir. Como disse é só um lembrete.

Eu comigo mesmo.

Friday, November 04, 2011

Sob o Domínio dos Caninos Expostos

Estou sentado numa praça arborizada com o sol na cara e vigiado ao lado pela saudade armada com uma 12 de cano cerrado.

Eu, com as mãos nos joelhos, olho para ela e vejo todo o seu sarcasmo. Tem um sorriso bonito cativante, até. Com um palito entre os dentes, um uniforme paramilitar, põe o coturno pesado de seus pés sobre o banco que me faz desequilibrar. Fico pensando depois de tudo isso, das coisas que se sucederam. Do que está distante.

A saudade é uma dominadora sádica e perversa com os caninos expostos. Ela é diferente para tantos. Pode ser sobre o tempo perdido das brincadeiras com o seu filho, com as outras que terá, com a criação da sua filha de cachos, dos amigos de tantas bebidas sorvidas como fossem hóstias, dos amigos novos que foram verdadeiros salva-vidas em momentos de mares turbulentos, da família desajustada e daquela que quer se ajustar ou que ajusta os ponteiros, dos lugares novos, dos velhos lugares, das estradas percorridas, das outras que nunca estive. Poderia ser no Japão tecnológico repleto de uma orientação lógica despreparado para a fúria da natureza, no interior da China com seu passado tão rústico quanto à dádiva de hoje de povos aldeões com seus filhos a tiracolo fazendo necessidades na rua com a naturalidade ímpar, dos templos imponentes seduzindo-nos, na Índia com sua pobreza financeira em contraste com a riqueza religiosa e cultural, em Praga culturalmente fria e extremamente quente aos convivas de outras terras beirando as bizarrices, no trânsito de pessoas e carros de maneira circular e sem fim de Roma, nas peripécias em touradas de Madrid, no verdadeiro sabor da Tequila no México aceitando a maldição de Montezuma pela poluição quase sólida no ar com toda a sua força, nas ruínas labirínticas de Machu Pichu deixando pelos corredores de pedra essas saudades. Seja nos lugares onde estive. Seja nos lugares que só sonhei. Seja nos seus lugares. Em todos esses lugares que misturam tantas conversas e idiomas quanto às pessoas que lá ficaram. E o domínio continua. Perpetua.

No mesmo momento que sorrio com o sol fazendo um mimo, ela engatilha sua 12 de cano cerrado e a mira no meu peito.

Cada um tem sua saudade seja assim ou assado. Faça dela um samba com uma melodia gostosa. Dance junto um forró quente. Deslize num sertanejo. Acabe-se numa rave sem hora para encerrar e chute muitas pessoas num rolete de roqueiros. Sacuda a cabeça. Respire profundamente. A viva!

Os caninos expostos com a saliva no canto da boca misturado ao seu sorriso, ela fecha um olho e mira no seu, no meu, no nosso peito e dispara. O cartucho explode. O baque derruba. A saudade vence, mas no chão você abre os olhos e sorri. Essa saudade que machuca, fere, também alimenta o sentimento. Com voracidade.

Marco Zero


Todos nós já passamos por algo bom ou ruim na vida. Essa conversinha para boi dormir mamando na teta que já ouvimos, lemos e digerimos por ai.

Encaremos isso como se fosse um ritual de passagem; uma nova etapa. Uma fronteira logo adiante. Um novo lugar que carregamos em vez de deixá-lo.

Territórios conquistados em batalhas nem sempre vencidas por nós. E de tantas fronteiras que qualquer um já teve, em algum momento da sua vida, ao atravessá-las, uma a uma cruzando cidades, estados, países e situações num crescimento de vários sentidos, nos vemos de cima como se observássemos uma maquete. Inclusive quando tratamos de nossos sentimentos.

Os anos, os meses, os dias passam acompanhados por rostos, sotaques e situações adversas. Soma-se a isso um punhado de emoções e overdoses de sentimentos. Um colapso eventual. Acrescente às suas descobertas, aos seus esquecimentos e às projeções colocando nos seus olhos as areias imaginárias do tempo e muitas vezes cegando-nos, não percebendo que elas se vão.

Nisso tudo, no aglomerado dessas emoções, de algumas presenças, de inúmeros vazios, de escaladas aos picos e quedas acidentadas vê-se o amadurecimento adquirido, as experiências malfadadas, a consistência da insolvência dos fatos e o que vale a pena em relação a tudo descrito numa incógnita chamada destino. O peso maior em torno disso, o valor na lição mais básica, mesmo na frieza tão comum entre as pessoas com escolhas racionais, vê-se do que somos feitos e para quem o fazemos.

Desvendar os segredos que guardamos dentro de cada um com a inapta falta de atitude em tantos momentos é a maneira menos salutar de estar vivo. É como quebrar uma parede com a cabeça. Seremos, então, obrigados a aceitar tantas mudanças para conseguir um ou outro “sim” na troca por um orgulho tolo e sem noção. Mas esqueça tudo isso e sinta. Isso, sinta. Aperte junto ao peito a saudade e a cesse personificando o sentimento.

O marco zero está no respirar de todo dia. Vestir-se, fazer um café vespertino, lavar a louça de dois dias, limpar a casa que aglomera teias de aranhas e punhados de poeira que parecem adquirir vida própria, passar roupas que teimam em ficar amassadas e chegar ao final do dia depois de ser rechaçado pelo mundo que o faz com o dedo em riste como um herói ou heroína. Não é uma ode contra a humanidade e nem rancor contra os lugares ou com as pessoas, mas admitir que uma outra pessoa melhor, mais forte, mais resistente e ainda não tão sábia, porém sabedora que há muita mais coisas por ai pode ser reconhecida à sua frente, diante do seu espelho.

Queremos algo em comum. Mesmo aparentando termos poderes não queremos perder o rumo. Ter o sentimento como timão do nosso barco. E você sabe, assim como eu, quem é a nossa bússola basta seguí-la evitando todos os desvios e deslizes. Esqueça dos monstros, dos maremotos, dos abalos naturais. Saiba que eles existem, mas não tire seus olhos do horizonte. Sua última fronteira é logo ali. Uns quilômetros, alguns metros, várias jornadas a mais e você estará lá. Objetivos e metas de passar ao lado de quem você quer pelo resto da vida. Comece do marco “zero”.

Saturday, September 03, 2011

Rabiscando O Ar Em Mais Uma Conversa Esperando Pelo Sol

A chuva virou a noite e amanheceu com o dia num espreguiçar lerdo. Também se transformou numa faladora comigo, aonde nossos diálogos iam e vinham num duelo de perguntas, constatações e respostas. Ela tem o fel na língua e eu os ouvidos ávidos por orientação. Não se começa uma frase com a partícula incondicional “SE”, diria alguém por aí. Mas e SE a chuva tivesse mais voz do que você a ouve? Eu iniciaria, com toda a liberdade, sua frase, respondendo-a logo em seguida. O dia vai encurtando a sua duração na velocidade que ela derrama suas frases nas nossas conversas.

Ela, aos poucos, foi cedendo. Foi diminuindo. E eu fiquei sozinho apoiado no vento que limpava o céu retirando as nuvens. O silêncio suspendeu a minha curiosidade pelas minhas indagações. Cantei uma canção, fiz uma poesia, sapateei nas poças da água no chão falhado, orei, critiquei. Senti saudades.

Contei cada nuvem que ainda estava em cima de mim numa coloração gris. Elas mudavam de cor, quando observava. Elas se moviam. E uma leve garoa voltou a molhar meu rosto. Sua conversa era mais lenta, sussurrada.

Hoje a chuva não vai embora de vez. Ela vai e volta, como nossos diálogos. Ela vem balançada pelo vento que a empurra de lado. Eu permaneço no meio do caminho com o céu acima de cabeça para trás e olhos fechados. Amanhã o dia será diferente. Não haverá a chuva para conversarmos e o silêncio composto, por outras bocas, dirão coisas que não serão ouvidas. Até no silêncio mais profundo há um som, um ruído.

Teu mistério rabiscando no ar numa contagem imprevista, enumera os dias no calendário até a data marcada. E quando for o momento certo, a chuva cairá com força deixando para trás palavras e logo a frente outras mais. No resumo da ópera se completarão no horizonte com o Sol.

Monday, August 15, 2011

ABERTA

Começo agradecendo. Difícil isso para se entender. Difícil ainda mais para se dizer. Obrigado. Palavra cara essa que eu aprendi dizê-la e compreendê-la. Agradeço a você pelo meu filho. Sei bem o que move isso. O amor. Sei o que me move a dizer isso, o amor.

Ainda acho que estou em guerra com o mundo, sendo o Capitão Ahab na caçada por Mob Dick, numa mistura de teimosia, insanidade e persistência. Essa imagem me persegue pelos cantos, na sujeira debaixo da geladeira, atrás do fogão, em cima do armário, no vão das janelas de correr. É a minha visão disso tudo. Passo o dia dos pais sozinho. Por escolha, mas não por vontade. Queria ter aos meus braços o meu pequeno gigante e eu com todas as armas, granadas e com muita fé estaria presente. Meu pensamento é todo em torno disso. Eu penso nisso o dia todo. E em mais alguns dias também de datas diferentes.

Aberta. Aberta como uma ferida que não cicatriza, como uma fresta de porta que o trinco deixado para fora não permite que a feche. Aberta como a possibilidade de um dia novo ainda incerto dos acontecimentos que saem da rotina; como uma boca que se surpreende, uma olhada rápida, uma risada histriônica, uma vontade sem fim ou uma saudade que aperta com mãos de ferro.

E continuo, depois de derramar algumas centenas de lágrimas que ninguém vê dentro do meu imaginário protetor, a distribuir saudações e mais agradecimentos. São mais que isso; são reconhecimentos. Valorizo. Talvez não por mim, mas pelo que foi feito. Isso tudo para meu filho. Ele nem sabe. Não precisa. E nem peço que me vejam com ardor, com admiração. Outrem sejam vocês com suas impressões. Aqui, sou eu, em carne, ossos, músculos, pêlos, flatos, arrotos, dejetos, poros, suores, saliva e se puder, com alma. Resta algo ainda no fundo disso tudo.

Já estive no ringue apanhando sem parar. Caindo de uma janela à beira de um penhasco. E estive em todos os lugares do mundo. Criei batalhas em guerras sem adversários e ao mesmo os enfrentei enfileirados apenas com as mãos nuas e a mente carregada por um arsenal de idéias. Eu já repeti essas frases e mesmo assim elas ecoam. Abracei o mundo nesse ínterim. O esmaguei. Fui abraçado para ser derrubado num golpe e esmagado com a fúria de Atlas me carregando em suas costas. O mundo tornou-se um mapa e eu um ponto de referência atrás da bússola sem ima. E vi no horizonte, a saída, no movimento da Mob Dick, sua barbatana esmurrando o mar, seu corpo saltando sobre a água num misto de deboche, afronta e desafio. Eu peguei o meu arpão e rezei para que a atingisse. É, nesse instante eu entro numa página aberta na obra literária que rasuro entre dentes. Clamo o nome do meu filho. Ele guia minha mão. Mas não minha mente. A baleia branca pára e observa. Abre sua boca e vem na minha direção. O arpão é pequeno, um graveto e ela uma tormenta. E o livro é folheado pela força do vento.

Ao meu filho devoto toda minha vida, mesmo longe, mas tão perto como fosse uma sombra embaixo de seu travesseiro. E só tenho a agradecer. Numa disputa aberta.

Monday, August 01, 2011

A Ostra em Pedaços


Eu ainda acho que posso agarrar o mar com as mãos. Acho que posso buscar as ostras no fundo do mar e abrir uma a uma tirando delas as pérolas que ficam ali guardadas calcificando. Eu ainda acho que posso dividir os mares e ver o fundo dos abismos. Eu ainda acho, mas não encontrei. E mesmo assim acho que possuo o dom de congelar as ondas antes que elas me levem de volta para terra ou me afoguem de vez.

Descobri, com muito custo, que o Universo pode ser visto a olho nu por óticas diferentes. Obviedade, não sou o Senhor da Razão. Na minha conclusão existem “multiversos”. Cada um a sua identidade e semelhança. O que é engraçado, porque todos nós buscamos a nossa metade, algo ou alguém para completarmos, mesmo quem se ache uma ostra nesses universos.

Estar só é uma condição natural. Buscar alguém é a segunda etapa dessa condição de aprendizado, de crescimento, de ser adulto. Quando crianças, por mudanças dos destinos dos adultos, nossos pais, nós podemos ir de uma escola para outra começando toda uma relação nova. Essas relações são difíceis. Algumas vezes cruéis e traumáticas. Sofremos o “bullyng”. Nós o praticamos, também. E saímos com as cicatrizes mais profundas que as outras pessoas. Chegamos, ali só e também podemos sair dali do mesmo jeito. Ou pior ainda. Isso é só o começo.

Criamos a nossa própria concha. Nos tornamos uma ostra num oceano cheio de afrontamentos e desafios. Podemos ser algo selvagem ou apenas um pré-meditado abate para continuar a cadeia alimentar da seleção natural. E entra aí nossa condição. Aquela, tal de condição natural: solidão.

Não precisa você pintar de preto as paredes brancas do seu quarto ou você ficar olhando a lua até o clarear do dia, não precisa disso para sentir-se só. É normal, cedo ou mais tarde você vai abrir sua concha e estará a sua disposição uma pérola com o brilho mais forte que seus olhos já puseram a lupa. A solidão é uma fase que surge num horizonte onde você está acelerando com seu carro cheio de sentimentos esperando reduzir, mas perde o controle logo na próxima esquina capotando e revirando sua vida. Quando o carro parar de girar seus olhos fixarão uma imagem qualquer que representará sua solidão. Isso, vai lá, xingue ou agradeça; reaja de alguma forma.

Mas cedo ou bem mais tarde, você, a ostra, será quebrada. Estará em pedaços. Fique assim. Estufe o peito e sinta que ainda tem ar ali dentro. Você pode respirar. Ninguém vai fazer essa dor passar. E não a alimente, porque ela só precisa disso para apertar o seu peito com a força de uma pisada de um elefante. Veja seus pedaços, organize esse mosaico de sentimentos e tente chegar à superfície. Mais uma vez, assim como eu, tente abraçar as ondas, derrubá-las numa luta sem fim e sem vitórias.

Hoje, assim como amanhã, eu vou correr em direção ao mar com o pé no acelerador.

Friday, July 15, 2011

Todos Os Erros Possíveis




Isso aqui não é um divã. Já afirmei isso. Nunca foi essa pretensão. Ninguém quis mostrar um poço sem fim de lamentações. É apenas um espaço onde pode ser preenchida com a atenção e a intenção de quem participa como autor ou leitor. O que não pode deixar de ser ignorado.
Mas colocando os pinos nos eixos ou os pingos onde você quiser, estamos diante de mais um dia ensolarado. Esperando que ele seja melhor que ontem e seja ainda menos do que amanhã, só que ele tem que ser um dia sem erros. Daí todos percebemos que.... Que os erros existem e acontecem. Quem for o mais honesto pode jogar a pedra na casa do vizinho, se pegar na vidraça será no mínimo de estrago possível.
Vamos lá,você pode rir, soltar o ar dos pulmões a cusparadas. Quero que você se delicie com a estupidez dos atos do outros. Já que você não vai olhar os seus nessa ótica desfocada.
As coisas podem mudar de um dia para outro mas podem piorar do mesmo jeito. E daí quem vamos culpar? Ok, porque fazer esse tipo de pergunta? Porque perguntar? Quem entrou no jogo que se dispôs que seja auto-suficiente em enfrentar os erros.
Isso é possível?! Sim! Não queria afirmar isso; não queria mesmo. Queria que fosse um conto de fadas que contamos cada um de um jeito diferente e com o final feliz. Mas daí nós voltamos à primeira frase: isso é possível?!
A todos com seus diálogos uníssonos, aos traidores de pensamentos, aos de fato, aos errantes que rumam sem fim, aos que ainda procuram, aos que falam sem parar, aos difíceis de acesso, aos cruéis de espírito, aos que estão indo pra lá e os que ficaram por aí, aos que acreditam no paraíso e aqueles que já colocaram fogo nele terem consciência que os erros de cada um são possíveis e seus consertos são no mínimo possíveis.
Como citei, isso não é e nem quer fazer parte de uma terapia em grupo. Que o grupo se disperse, vá para direita ou esquerda, não importa só não fique esperando a fórmula mágica. Faça algo para sanar esses erros possíveis. Faça o que for possível. E se for necessário, algo mais.

Monday, July 11, 2011

Quando os Urubus Começam a Voar Baixo


Pode parecer uma frase engraçada. Uma frase como tantas outras. Mas engraçada é a vida. E a frase representa algo para alguém. Chega-se num ponto da vida que nós não sabemos mais o que dizer. Nossas palavras perderam o sentido perante nossos atos. Dizem que os “urubus” estão atrás dos restos. O que são esses restos?

Esta aí uma pergunta que podemos, cada um, fazer para si.

Podemos até colocar a culpa no destino ou em Deus. Chamá-lo de palhaço! Mas será só tirar o foco. O seu da reta. Meu amigo ou amiga, você pisou em campo minado. Preferiu a porta “A” em vez da “B” que estava ali quieta mas com todos os luminosos apontando. Caiu na “pegadinha”. E saiu um gorila fantasiado.

Os urubus estão sobrevoando. Já não é a primeira vez. Já disputaram espaços com os abutres sedentos pela carniça dos sentimentos. Os urubus são mais seletos. Querem que você “morra” para depois desossá-lo, pele, músculos, gordura e, claro, sentimentos devorando com uma volúpia.

Sabe quem pode ajudá-lo nesse momento? Olha só quantas perguntas. NINGUÉM!

O que?! Vai alguém esmurrar a mesa. Mas sério, como alguém pode ajudar um coração ferido? Uma promessa feita para Eros?! E descobrir depois que rodopiou a cabeça e jogou a forma de doces para cima onde está sua vida e se deparar que as chances eram menores do que se imaginava. Pecou feio. Pecou em abrir a porta central do casarão que você chama de coração. E a vida que deixou para trás?! E AGORA????

Quem vai ser a mão boa que vai dizer que as coisas vão melhorar???? Ninguém! Olha ai de novo.

Senhores e senhoras, aqui o show encerra sua parte mais dramática mas não impede que tenha uma outra parte. Será de menos impacto, com menos emoção, até com atuações “canastronas”, mas terá os prosseguimentos. Um novo reinado sem princesas, sem príncipes ou rainhas que estarão observando tudo e a todos.

Mas sabemos que para cada um os monarcas estarão nos quadros de seus casarões num lugar de destaque rasgando o peito com a saudade. Enquanto no horizonte se aproximam os urubus. É melhor que eles entrem de uma vez.

Venham estou esperando-os.

Tuesday, July 05, 2011

A Dúvida da Certeza

A certeza pode parecer uma coisa tão intangível, tão distante quanto a perfeição. Preencher espaços. Todos nós buscamos preencher espaços, seja no trabalho, seja na família, entre amigos, amores. E sempre deixamos lacunas. Sempre. Não importa. Deixamos. Seja por escolhas, seja por imperfeições. Seja o que for.

Mas sempre há uma saída. Olhe as setas, os sinais, interprete-os. Veja o que vale a pena em tudo isso. Você pode construir um castelo de areia na beira do mar e saberá que a maré vai desmontá-lo. Mesmo assim você o constrói com todo cuidado e esmero. Você se orgulha do que fez. Aprecia ao longe, se aproxima. Envaidece. Porém tem a consciência que vai ser por pouco tempo. Escolha sua ter colocado ele tão próximo de um “desastre” iminente. Deixá-lo tão a mercê. Sem nenhuma proteção, um muro de contenção. Só que para você é ali tinha que ser feito. Desse jeito, sujeito a tudo e a todos. Bem ali, diante de todas as probabilidades de erro. Mas na propriedade dos acertos. Você vê o tempo passando com os sinais. E a maré vem lentamente, às vezes mais rápida. É inevitável.

Mas vamos lá. A maré chegou e seu castelo foi aos poucos desmoronando. Pedaço por pedaço e de repente, ele cai de vez. O que sobrou? Um amontoado de areia molhada que vai se deformando até se transformar num buraco. E no meio de toda aquela “terra arrasada” você se depara nos pequenos detalhes. Nos detalhes que você cuidou ao construir, agora os vê na destruição. E como um passe de mágica: Há vida ali! A areia borbulha. Respira. Inúmeros crustáceos saem daquele lugar, peixes nadam a favor da maré e permanecem ali por alguns segundos até a onda os levar de volta ao mar. No meio de tudo isso. O que provoca você na certeza de que pode iniciar tudo de novo tantas vezes forem possíveis. A maré vai baixar e o seu castelo será erguido. Procure outro lugar mais seguro, se considerar melhor. Mas o faça valer a pena. O vento poderá derrubá-lo. O descuido de outros poderão estragá-lo. Só você pode saber onde seu castelo será construído, independente de tudo. E se for no mesmo lugar o faça com todo seu amor. Isso que vale a pena.

Aí está a sua certeza!

A Lente de Aumento Arranhada

Ela chega em casa e larga suas coisas pelo caminho. Bolsas, sacolas, canetas, cadernos, óculos, chaves, joga os seus tênis para longe com um pontapé no ar, o cansaço colocado sobre a mesa. O dia passou com a velocidade de um bólido. Ela suspira ao abrir a geladeira. Não me vê. Não percebe. Eu a olho com os olhos que dizem algo a mais. Ando a passos leves. Não fico na sua frente e nem em seu caminho. Mesmo assim ela se atrapalha e derruba um prato que estava teimosamente se equilibrando em cima de tantos outros. O ruído ecoa. Coloco as mãos no rosto e fecho os olhos comprimindo-os. Ela esbraveja. Xinga. Ofende. Levanta as mãos. Eu dou uma risada e fico de cócoras para juntar os pedaços espalhados. Antes que eu tome a iniciativa, ela já retira das minhas mãos. Fica em pé e começa a varrer tudo como quem quer apagar a poeira desse dia. Penso na metáfora “quebrar os pratos”. Eu fico observando sentado em cima da mesa envernizada. O dia dela está acabando. Eu tento chamar a atenção. Puxar um assunto. Sou ignorado. Ela passa de cabeça baixa. Coloco a mão dentro de uma panela com óleo quente sem querer. Sinto a pele explodir em cada poro. As bolhas fervendo misturado com o óleo. Grito. Agonizo, lágrimas nos olhos, mas nada acontece. Caio prostrado numa cadeira segurando a mão e a vejo com detalhes. Não há nada. Nada acontece. Minha mão está intacta. Olho para ela, logo em seguida, que está parada na minha frente mas seu olhar está longe, sem brilho. O dia ainda dá resquícios de sobrevivência com acunha do Sol que desponta teimoso no horizonte. A noite chega abraçando o céu. Pela janela se percebe o movimento sem compromisso das pessoas. A pressa e ansiedade são companheiras assíduas fofocando no ouvido de todos. Ela está escorada no parapeito da janela. Olha tudo e sente todo o vento. Fecha os olhos. Subitamente mordisca o lábio inferior e vai até seu computador. Passa por mim logo quando eu esboçava uma pergunta. Fico no meio do caminho da fala e da ausência. Já diante do seu computador o aciona e entra no seu universo. Vai até sua rede social. Acessa sua página, seu perfil, sua senha, seus interesses. Olha com atenção hipnótica, a vida dos seus amigos e compartilha o dia. Sorri. Vejo que ela está atrás de maiores interesses. Não sei quais são, mas percebo que os há. Sobre seus ombros tento ver além da página. Uma frase diferente que possa me orientar. Que possa dar rumo não somente a ela. A nós. Aproximo-me dela e pouso minhas mãos em seus ombros. Ela deita a cabeça sobre uma das minhas mãos. Mas é tão rápido quanto as mensagens trocadas na tela. Distancio-me dela. A noite não está fria. A casa está morna. Sento-me à beira da cama. Curvo-me. Coloco as mãos no queixo sustentando um suspiro. A observo ainda sorrindo diante da tela de amigos e de interesses. Arremesso o controle remoto na parede. O barulho não faz jus à ação. Ela gira a cabeça e nada vê. Eu levanto de onde estou e vou pegar o controle. Ele está apenas no chão. Nada aconteceu. Nada.

Não estou ali. Não mais. E nada é o suficiente.

Tuesday, June 14, 2011

Na Companhia de Olhos Vendados


Numa tarde quente, daquela em que o Sol parece um carrasco com raiva que aquece a nuca, queima a pele do rosto, o suor escorre pelo meio das costas, acumulando nas axilas, encharca a camisa, o meio das pernas, você sobe ladeiras, lombas acima, numa rua comum entre tantas, que não existe o endereço que tem que chegar. São minutos que você está sozinho. Na rua o movimento ao contrário de carros, de pessoas que conversam entre si e de repente, você está sozinho. Com todo o movimento, você se vê absolutamente, sozinho. Na sua cabeça diálogos se perdem com a visão da rua. Lá dentro você provoca situações, discussões e soluções. Pergunta-se por ontem, por hoje e como será. Continua caminhando, a respiração forte puxa o ar dos pulmões, enquanto os músculos das pernas se contraem a cada passada. Nos pés, as bolhas crescem, fomentam-se. Nessa solidão você cria um mundo à parte de tudo ao redor e de todos. De repente o silêncio é quebrado pela sua voz no diálogo, antes dentro da sua cabeça para fora da sua boca. A conversa toma rumo pelas esquinas. Perguntas e respostas. Uma música é cantarolada, um poema aparece, daí por diante seu mundo privado torna-se público para uma platéia que o ignora. Canta uma música recém criada com os arranjos e melodias que não se lembrará quando parar. A repete, várias vezes e algumas frases que ficam presas por ai na “caixola”, na sua vitrola física. Acostumou-se a ficar sozinho. Isso tem mais a ver com a sua vida no geral do que essas quadras acima.Mas depois de uma penca de lamentações e ofensas ao universo, você olha para o lado. E vê que nesse momento tem uma companhia. Um tanto machucado, com carrapatos, língua para fora, marchando junto, dando pequenas corridinhas até o outro lado da rua, voltando para o seu lado, ficando a dois passos atrás e, às vezes, grudado. Ele lhe observa, um cachorro preto, vira-lata, focinho com uma cicatriz, patas e peito brancos, barriga inchada, que pede atenção, você conversa com ele, sorri, o cuida quando pára nos cruzamentos. Já faz alguns minutos, quase uma hora e ele ali. Você entra nas lojas, estabelecimentos comerciais e ordena que o cachorro fique do lado de fora. Indica com o dedo em riste. Ele tenta vir junto, mas lhe observa e permanece do lado de fora. Nisso ele corre até um canteiro, cheira a grama, mastiga algo, um resto qualquer, dejetos, vai até um saco de lixo, a um poste, dá pequenos piques, mas volta quando se distancia. E você o espera. Não sabe o porque, mas faz. Também quer companhia, também quer ser cuidado e cuidar. Os dois rumam mais alguns quilômetros. O cachorro sai em disparada, você o segue com o olhar e pára. Ele encontrou comida um frango assado numa lixeira. Entreolham-se, e você diz, em alto bom som, para ele ficar ali. O cão dobra a cabeça como se o ouvisse, olhos de pidão, como se o entendesse. Ele ainda volta correndo, mas você acena com o dedo para ele voltar. De boca aberta, língua para fora parece sorrir e você também. Agradece a companhia. Ele balança o rabo, vai e volta até a metade do caminho onde você está e o resto do frango. E você sai caminhando indo adiante. O cão corre para o outro. Assim o tempo passou e nenhum dos dois percebeu que o Sol já não estava tão forte e o cansaço nem era tão intenso. Você se sente sozinho hoje, mas num desses dias nem que seja em sua crença, entre anjos, demônios, amigos e amores nunca estará. E nunca é muito tempo. O agora já passou. Você está a 10 segundos à frente do seu presente. E daqui a 15 segundos, a solidão fará parte do passado. Abra os olhos, deixe de ficar vendado.

Thursday, June 02, 2011

Monólogo a Três Palavras

E o amor, hein?! O amor resume todas as culpas que podemos levar nas costas como mochilas para uma viagem sem o itinerário determinado. Esperamos por algo. Um movimento. Uma mexida de braços, maneio de cabelos, uma atitude, uma ação. E como resposta nós temos uma reação. Sabido. Mas a encararemos de acordo como pudermos enxergar. Então vamos abrir os olhos. Arregalando-os.
Veremos o movimento como uma dança; uma canção inventada para o nosso amor. Que amor seja. Que assim seja! Atravessando rios, mares, oceanos e terras distantes para retornar ao ninho. Como uma ave de rapina que vaga atrás de novos territórios em busca de sobrevivência, mas ao retornar trará a experiência e carregará em suas costas as lembranças como bússola. O amor é seu norte/sul.
O amor pode estar por um fio. Desfiando. Definhando. Desafiando. Aconteceu o que deveria. E o que poderá ser daqui pra frente? Exatamente isso. Para frente. Se não terminou que siga junto em frente. Se o fim se fez iniciado que o encerre à frente. Tudo guiado desgovernadamente com a acomodação dos fatos, dos acontecimentos e não somente pela acomodação dos envolvidos.
Não esteja curado do amor pela razão. Combine essa matemática ilógica somando para dividir com seu amor. Apagaram as sobras na subtração de escolhas erradas, de opções rasuradas em questões que pareciam muito complicadas. A não compreensão colocou na sua boca línguas que o fizeram ver o novo dia como novidade. Nem sempre necessários. Não precisava ter passado por isso. Descubra que todos “os bom dias” estarão à sua disposição pelo amor que você tem. Cuide-o. Guarde. Ou o aguarde.
Todos têm de tudo um pouco sobre o amor que cada um pode ver e ler de maneira diversa e dispersa. Abra os olhos. Arregale. Chorará. Rirá. Aplaudirá esse espetáculo que a vida o fez vivenciar. E esse amor, o seu, o meu, o outrem, nos levarão de volta aos braços que podem estar cruzados, abertos, soltos, acenando, empurrando, sendo seu apenas seu.
O melhor de tudo é ouvir e sentir as três palavras que encantam e desencantam o mundo desde que o mundo o é, colocadas numa frase única que mesmo em outros idiomas e em qualquer língua dirão assim: EU TE AMO. Eu já disse. Você já me ouviu. Agora... E agora?! Eu repito meu monólogo a três palavras, algo invisível entre você e eu.

Cortando a Linha




Quando se chega a um determinado ponto rompemos metas, alcançamos objetivos, nem sempre os que foram projetados, mas ali estão. Cortamos a linha que nos separa, que nos ampara, que traçamos diante de nós e invisíveis aos outros. Riscamos no chão de concreto com nossas vontades, com nossos desejos. E realmente algumas coisas acontecem impedindo rumar por essa reta. Ficamos em cima dessa linha imaginária desenhada às duras penas com o giz de nossas escolhas. Ela é a afiada; ela é suave. Mas a sentimos sob nossos pés guiando diante de nossos olhos.



E olhamos as intempéries vindo com os caninos sedentos, salivando, babando com os olhos esbugalhados, logo quando viramos a cabeça. Vemos se ainda estamos em cima da linha traçada. Corremos para a direita ou esquerda, saindo do prumo. Queremos retornar. Vamos retomar as diretrizes propostas no nosso plano de negócio. As intempéries tentarão agarrá-lo pelos pés puxando para o lado contrário. Não permita isso! Deixe pelo menos um pé fincado na linha. Nem que seja a ponta dos dedos. Se apegue com as unhas. Rasgue a pele. Esforce-se.



Chegará um momento que você pensará muito mais em si do que no resto. E o resto não é apenas o “resto”. Ele pode ser o todo, o porquê disso tudo. Será que vale a pena ser egoísta?! Óbvio que você se perguntará. Para alguns sim, outros não. Esteja em sintonia consigo e trará o objetivo mais próximo. Sempre haverá momentos em que mais forte que se sinta, que mais certo apareça, as intempéries com suas ganas o atingirá como um ônibus, descendo uma rua, cheio de ocupantes. Não se importarão com você. Nesse instante a sua linha foi apagada, rudimentarmente, por outras mãos. Mas fixe o olhar, aproxime-se e verá que ela ainda está ali, enfraquecida, sim, mas ali. Pegue, novamente, seu giz e reforce as margens.



E quando o concreto não existir mais, mesmo que seja um piso liso, de mármore, madeirado, na própria areia, escreva, force, coloque um pedaço sólido em cima. Não perca o prumo. Ponha isso na cabeça, sinta no coração. Sentirá a diferença. Sentirá a dor quando perceber que estará ainda no caminho que traçou. O problema, sempre, é que será uma decisão sua e não de quem se envolve. Passará os dias e um dilema surgirá. Pois é, fará parte do remanejo de ações que o permitirá sair “vivo” disso tudo. Porque se sua linha foi apagada a refaça. Desenhe outra. E tantas mais que forem possíveis. Você não terá o que fazer a não ser isso. Não deixe ser engolido pelo ataque voraz das intempéries. Não precisa viver de ilusões porque a vida se encarregará de apresentá-lo uma outra oportunidade mais cedo ou mais tarde. Perceba que o “não” pode ser uma carta na manga num jogo de altas rodas. O blefe não será seu desta vez.



Você já passou por tanta coisa. Eu não sei de tudo e nem você, mas sabemos bem o que se passou. O amanhã será a sua resposta e se não, nem precisará você quebrar a cabeça com soluções miraculosas buscando simpatias santificadas, patuás à tira colo ou saídas de escape. Siga a linha. O giz está na sua mão. Providencie as ferramentas necessárias.



Com as malas prontas, você poderá mais uma vez correr o mundo. Dessa vez será diferente. Sua linha levará para o lugar certo. Por isso me ouça, reforce. Esteja à mercê dos fatos com o peito arfando. Erga sua cabeça e o destino estenderá as duas mãos para você.



Tome, pegue o giz que deixei em cima de suas malas.

Aprovisionado


E a história muda de acordo com as palavras que são redigidas. Melhor ainda, quando elas são ditas. Escolhidas. Em contrapartida, realizadas.

A história tem todas as nuances da estória que essa coisa estranha chamada de vida nos propõe a cada escolha. Novamente, ah, escolha. Que temos todos os momentos que respiramos, quando atravessamos fora da faixa de pedestres, que aceleramos o nosso carro quando o sinal, o semáforo, pisca para o amarelo, que abrimos a porta do guarda-roupa e analisamos qual camisa combina com o seu humor, que sorrimos para alguém com todas as intenções, quando oramos pedindo a Deus mais que proteção, pedimos por solução. Escolhas. Todas elas não caberiam numa só palavra, nem mesmo nela, se pudéssemos ter essa oportunidade.

Quando se escolhe já se faz mais que uma escolha. Alguém vai ler isso e dizer “bobagem, redundância, asneiras!”. E terá nesse instante admitido que fez uma escolha em vez de entender, interpretar, em não querer entender, interpretar.

Não há aqui nenhuma idéia, menção ou vontade de filosofar. Muito pelo contrário. A escolha fica a critério de quem sustentar a leitura firme como quem segura o timão das palavras num mar de frases. E elas borbulham a cada trecho na respiração de Leviatã. No meio disso tudo o surgimento de um redemoinho que o sugará para o centro, engolido pelo monstro. Caberá, quem quiser obviamente, essa escolha aos navegantes.

No emaranhado das escolhas, as histórias vão aparecendo como fungos. Mais que se limpe, retire, apague, “eles” retornarão formando palavras para descrever desde o espanto, a surpresa, os sentimentos de maneira viral.

E estará lá o botão vermelho logo à frente para apertar e será feita uma escolha. REPETITIVO, dirão; opcional, será a resposta.

Eu já fiz muitas escolhas. Algumas certas; outras, absurdamente incertas, senão tolamente, erradas. E sei que terei que fazer tantas outras mais, sem saber quando ou como. Jogarei-me na fé, na boa vontade e acreditarei que farei o melhor. No melhor! E pode ter certeza não agradarei a todos ou menos que 1%.

E criarei mais histórias. Mais palavras escritas, ditas, repetidas. Farei parte delas. E como conseqüência terei feito escolhas. Serão mais indagações, mais fatos para novos enredos de velhas histórias.Não podendo ter o luxo de ter medo. O medo é o cume da nossa escolha. Alguém deve estar rindo sem parar. Escolheu uma maneira certa. Outra pessoa escolheu em desistir da leitura e jogar o PS3, mais divertido com maiores níveis de periculosidade, com maiores desafios que se encerrarão quando desligar o botão seja daqui a alguns minutos ou horas depois.

As palavras estarão em histórias para serem lidas. Escreva uma agora, conte as letras, as sílabas, o som delas e principalmente o que ela significa para você. Será uma escolha apenas sua.

Saturday, February 26, 2011

Confissões De Um Fantoche Bêbado


O fantoche descansa no chão com os cordões das marionetes sobre ele e esperando a mão para manuseá-lo. As marionetes são retiradas uma a uma. Ele, o fantoche, fica ali. Ele tem em seus olhos uma estrela de papel e um botão. Seu corpo é feito de uma meia grossa, listrada. Onde eram para ser a divisão de um dedo do pé tornam-se braços. E ele ali, parado, sem ninguém suspeitar, ouve-se no silêncio, seu coração pulsar.

No seu rosto há uma costura que dá a impressão de sorrir. Sempre com o mesmo rosto. Não há movimentos próprios, dizem alguns. Mas há. Quando ninguém está por perto ou desviam o olhar, ou mesmo quando o deixam caído entre panos, ele contorce seu rosto demonstra todos os sentimentos. A felicidade que seu rosto emana não é a mesma que expressa seu sentimento. Ele é um fantoche,apenas. O que pode-se esperar????

Ele tem sonhos. E como tem. Queria ter nos braços seu filho. Brincar com ele, ser o seu “palhaço” o seu fantoche. Criar manias com ele, fazer de gato e sapato consigo mesmo. Estripulias. Comicidade. Esse sentimento o faz sorrir como a costura em seu rosto e também o faz chorar como o silêncio testemunha. Ele sonha em poder ouvir os resmungos do seu filho até tirá-lo do sério. Ele torce por isso; deseja. Ele necessita. A dor é o sentimento que aparece na solidão, e nessas imagens correm diante de seus olhos falsos vão além de qualquer visão maior. Além do horizonte. Visão além do alcance ( Thundercats)...

O fantoche é um Pierot diminuto, mas com a alma de um gigante. Cada dia a tristeza o absorve e cada dia ele reage para que seu sonho se torne realidade. Ele está caído como um bêbado no meio-fio. Ele está em cima da mesa com a iluminação baixa. Ele está triste afundado em seus sonhos.

Ele dirá para seu filho que cometeu os fatídicos erros de sua vida. Será o medidor, o julgador, mas só tenha um pouco, bem pouco, quase nada de carinho. Isso já bastará para que a costura do sorriso, ali permaneça. O pequeno, seu filho, será o mais o juiz, advogado e júri.

Por ele o sorriso estará lá, mesmo que o tempo e as situações façam o fantoche rasgar a sua meia. Façam a costura se desfazer. Que a estrela em um dos olhos caia, descole e só fique o botão de cor marrom sem brilho. Quando seu filho o pegar, agarrar com força desproporcional, machucando, ele estará feliz. O fantoche não terá a costura mas as cores das tintas da alegria e o calor do filho ao lado.

O seu filho nem tem idéia de onde ou quem ele seja, mas sabe bem que aquele fantoche o fará feliz. De um jeito ou de outro.

Tuesday, February 15, 2011

Palavras Quebradas Por Conta Gotas

Uma vespa pousa sobre a água parada e molha suas asas impedindo-a de voar. Ela está presa. Sua vida está ali. Na sua imensidão,impotente. Sua natureza não consegue ajudá-la. Algum momento entre o toque na água e a tentativa de voar, deve ter-lhe causado uma sensação única. Mesmo assim, qualquer um já pode ter passado por isso. De um jeito único. Você pode ter tido uma escolha na vida entre várias que fez o andar da sua vida. Passo a passo de um jogo de raciocínio, lógica contra emoção e sentimento. Você pode ter feito atos grandiosos para consigo nesse jogo, mas aos olhos dos outros nada fez mais do que avançar algumas casas no trajeto do tabuleiro. Um dia, você foi para longe atrás da felicidade. Pensando bem, no estado de espírito de ser feliz. Não pensou direito. Não mediu o palmo à frente do seu nariz. Saiu fora da disputa guiado pelo sentimento. Deve pensar em milhões de coisas ao mesmo tempo tentando criar soluções, saídas, razões e explicações. Se foi para longe, algo o faz pensar que devesse ficar. Se ficou é porque acreditou que ainda tem que viver muita coisa no chão que lhe é tirado. É uma descoberta a cada dia. Matando um leão a mais nesse dia. Quando se vê na conversa solitária de um orador diante de uma platéia que sai um por um do anfiteatro. O diálogo de uma conversa, onde não há palavras para serem ditas; são os sinais de alerta apitando com suas luzes vermelhas. Às vezes a poesia de uma canção o faz pesar todos os quilos que as suas escolhas lhe proporcionaram. Mas o trajeto de pedras no caminho, mesmo que você, marcando cada metro vão se espalhado e seu rumo vai para o espaço. E esse espaço não tem como preencher. Você pode ter mudado. Podem tê-lo feito mudar. Abriram a sua “caixa preta” salvando os dados da colisão. Porém hoje, é um estranho consigo mesmo. E você sabe que pode contar com esse “sujeito” que você era, mais fechado, mais racional e com um enorme vazio dentro de um mundo recheado de rostos iguais. Esse “sujeito” que você queria muito que tivesse ido embora com a passagem sem destino certo e que esquecesse como chegar até você, estará lá. Estará aqui. Com ele você pode contar. Seu pior amigo. Seu melhor inimigo. Só que há um detalhe. O sentimento não cala. Ele rasga como se quisesse sair personificado. Mas você não pode pensar só em si. Tem uma parte sua aí. Uma parte sua que respira. E dentro de você será isso que o resgatará desse buraco que você cavou. Nesse quarto de tempo, o jogo continua com o placar aumentando. O amor tem uma função nessa estratégia de defesa. Você deixou de atacar, optou. Escolheu. Apostou com a certeza de levar todos os prêmios. E pensando bem, nesses milhões de coisas que explodem na sua cabeça, você só quis um prêmio. Foi sua aposta. Você chegou no limiar. Não precisava blefar. Fez de tudo como jamais tivera feito. A conversa silencia. Não tem mais no que apostar. É um jogo de parceria. Se não há, não há como prosseguir a partida. Seja com quem for. Mas com um objetivo em comum. É, a conversa silencia, quando se quebram as palavras pelo olhar.

Friday, February 04, 2011

Mentiras e Sonhos




O nome Augusto traduzido significa “perfeito”. Ele sempre se sentiu assim sem saber que era mais pelo seu nome do que por ele mesmo. Desde pequeno se escondeu entre as mentiras para viver os seus sonhos. E descobriu que poderia alcançar mundos. Ele poderia ser perfeito entre eles. Foi de popstar, rockstar, cinestar e acabou se descobrindo o seu bem-estar.

Augusto se reinventava. Se autofagocitava de seus defeitos. Cada zero na prova, cada dez, cada início de conversa para se “enturmar”, cada final de frase de impacto. Ele era perfeito em todas as ocasiões até naquelas em que ficava de lado pela timidez. Descobriu-se um sedutor. Descobriu o caminho que poderia percorrer. E descobriu o problema disso. Ele começou a acreditar. Virou de um mitômano num sonhador sem saber onde um começava e o outro reiniciava. O ponto de desequilíbrio foi pesando para o lado contrário da balança dos fatos.

Augusto tinha todas as características comuns que os ordinários possuem, mas se fazia especial sem ter o brilho próprio. Mas como qualquer pessoa esse brilho de uma hora para outra surge. Ele acabou melhorando. Melhor, mas não acabado. Só que continuava convivendo além da racionalidade da realidade. Ele tornou-se um sonhador sem poder pisar no chão minado que criara ao seu redor. Não era uma pessoa má. Mas havia uma ponta afiada arranhando seu ego.

Com o passar dos anos sua insegurança, sua imaturidade e seu complexo de um mundo imaginário o fez magoar a si e aos outros. O fez ser um pária diante da família e demorou muito para entender porque disso tudo. Sinceramente, ele achava que podia voar como Ícaro e como o próprio derreteu suas asas com aproximação do Sol. As pessoas que ele amava se juntaram em suas ações e muitos foram girando o corpo fazendo um corredor de pessoas de costas. Mas ele ainda achava que era perfeito. Que algo estava errado e não era ele. Culpava a incompreensão dos outros com ele. E aos poucos, com um corte do bisturi que a realidade carrega na cintura, ele foi sendo aberto para o mundo.

Numa das lições que ele teve que engolir a seco empurrando por drágeas hora em hora, descobriu que tudo que esteve na órbita da sua vida se resumia numa única forma clara. A verdade. Ela assustava. Ela trazia mensagens que ele não conseguia ler. E ela assinou embaixo de seu nome como quem rubrica uma lápide, “não há perfeição.”

Acorde, Augusto, acorde, se puder pare de sonhar!

Sunday, January 02, 2011

A Sorte Sem Surpresas


Há quem diga que a sorte é para os que não tem competência. Há quem diga que a sorte existe para os predestinados. Há quem afirme que não exista a sorte. Se ela existir, o azar vem junto com a mochila arrastando pelo caminho. Para alguns; bem mais pesada. A sorte pode ser um rasgo no lapso do tempo para provar a todos que a fé se faz presente. Motivos insólitos caindo diante dos nossos olhos. Coincidências do acaso que não explicamos. O descuido nosso com o destino que traçamos. A revolta contra a rotina bem regrada. A quebra do código da vida que tentamos desvendar todos os dias. Fatos, por assim dizer como alguém escapar de um acidente, um beijo inesperado de quem nunca pensou que faria isso, acertar nos números premiados da megasena, ganhar numa rifa um valor em dinheiro que pagará a conta atrasada do telefone, ser chamado para um emprego que a esperança já tinha até esquecido, ter um filho lindo perfeito que o fará chorar como criança cada vez que ver sua foto. Ter sorte é mais que a sorte si. É muito mais que possamos definir ou conseguir entender. Não tê-la é negar os acontecimentos da vida. Quando vemos a sorte dos outros, não percebemos a nossa. É como se ouvíssemos um chiado ao longe que incomoda. Tudo que vemos, presenciamos ou pressentimos faz parte dessa surpresa que dissemos ser a sorte. Tudo que passamos. Se o leite derramou não adianta chorar. Podemos limpar a sujeira e em alguns cantos ainda permanecerá, mas se voltarmos, se tivermos sorte, poderemos limpar tudo mais uma vez com mais cuidado. E as lágrimas secarão. Ou enxugue-as. Ontem me lembrei de coisas que disse, que fiz, que me arrependo, que não tiveram o porquê de terem acontecido. Uns dirão que sim, deveria ter acontecido. É um aprendizado. Uma lição da vida. Outros que foi mau-caratismo. E com sorte eu saberei a resposta certa, já que as perguntas se repetem sem maiores surpresas.