Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Saturday, February 26, 2011

Confissões De Um Fantoche Bêbado


O fantoche descansa no chão com os cordões das marionetes sobre ele e esperando a mão para manuseá-lo. As marionetes são retiradas uma a uma. Ele, o fantoche, fica ali. Ele tem em seus olhos uma estrela de papel e um botão. Seu corpo é feito de uma meia grossa, listrada. Onde eram para ser a divisão de um dedo do pé tornam-se braços. E ele ali, parado, sem ninguém suspeitar, ouve-se no silêncio, seu coração pulsar.

No seu rosto há uma costura que dá a impressão de sorrir. Sempre com o mesmo rosto. Não há movimentos próprios, dizem alguns. Mas há. Quando ninguém está por perto ou desviam o olhar, ou mesmo quando o deixam caído entre panos, ele contorce seu rosto demonstra todos os sentimentos. A felicidade que seu rosto emana não é a mesma que expressa seu sentimento. Ele é um fantoche,apenas. O que pode-se esperar????

Ele tem sonhos. E como tem. Queria ter nos braços seu filho. Brincar com ele, ser o seu “palhaço” o seu fantoche. Criar manias com ele, fazer de gato e sapato consigo mesmo. Estripulias. Comicidade. Esse sentimento o faz sorrir como a costura em seu rosto e também o faz chorar como o silêncio testemunha. Ele sonha em poder ouvir os resmungos do seu filho até tirá-lo do sério. Ele torce por isso; deseja. Ele necessita. A dor é o sentimento que aparece na solidão, e nessas imagens correm diante de seus olhos falsos vão além de qualquer visão maior. Além do horizonte. Visão além do alcance ( Thundercats)...

O fantoche é um Pierot diminuto, mas com a alma de um gigante. Cada dia a tristeza o absorve e cada dia ele reage para que seu sonho se torne realidade. Ele está caído como um bêbado no meio-fio. Ele está em cima da mesa com a iluminação baixa. Ele está triste afundado em seus sonhos.

Ele dirá para seu filho que cometeu os fatídicos erros de sua vida. Será o medidor, o julgador, mas só tenha um pouco, bem pouco, quase nada de carinho. Isso já bastará para que a costura do sorriso, ali permaneça. O pequeno, seu filho, será o mais o juiz, advogado e júri.

Por ele o sorriso estará lá, mesmo que o tempo e as situações façam o fantoche rasgar a sua meia. Façam a costura se desfazer. Que a estrela em um dos olhos caia, descole e só fique o botão de cor marrom sem brilho. Quando seu filho o pegar, agarrar com força desproporcional, machucando, ele estará feliz. O fantoche não terá a costura mas as cores das tintas da alegria e o calor do filho ao lado.

O seu filho nem tem idéia de onde ou quem ele seja, mas sabe bem que aquele fantoche o fará feliz. De um jeito ou de outro.

Tuesday, February 15, 2011

Palavras Quebradas Por Conta Gotas

Uma vespa pousa sobre a água parada e molha suas asas impedindo-a de voar. Ela está presa. Sua vida está ali. Na sua imensidão,impotente. Sua natureza não consegue ajudá-la. Algum momento entre o toque na água e a tentativa de voar, deve ter-lhe causado uma sensação única. Mesmo assim, qualquer um já pode ter passado por isso. De um jeito único. Você pode ter tido uma escolha na vida entre várias que fez o andar da sua vida. Passo a passo de um jogo de raciocínio, lógica contra emoção e sentimento. Você pode ter feito atos grandiosos para consigo nesse jogo, mas aos olhos dos outros nada fez mais do que avançar algumas casas no trajeto do tabuleiro. Um dia, você foi para longe atrás da felicidade. Pensando bem, no estado de espírito de ser feliz. Não pensou direito. Não mediu o palmo à frente do seu nariz. Saiu fora da disputa guiado pelo sentimento. Deve pensar em milhões de coisas ao mesmo tempo tentando criar soluções, saídas, razões e explicações. Se foi para longe, algo o faz pensar que devesse ficar. Se ficou é porque acreditou que ainda tem que viver muita coisa no chão que lhe é tirado. É uma descoberta a cada dia. Matando um leão a mais nesse dia. Quando se vê na conversa solitária de um orador diante de uma platéia que sai um por um do anfiteatro. O diálogo de uma conversa, onde não há palavras para serem ditas; são os sinais de alerta apitando com suas luzes vermelhas. Às vezes a poesia de uma canção o faz pesar todos os quilos que as suas escolhas lhe proporcionaram. Mas o trajeto de pedras no caminho, mesmo que você, marcando cada metro vão se espalhado e seu rumo vai para o espaço. E esse espaço não tem como preencher. Você pode ter mudado. Podem tê-lo feito mudar. Abriram a sua “caixa preta” salvando os dados da colisão. Porém hoje, é um estranho consigo mesmo. E você sabe que pode contar com esse “sujeito” que você era, mais fechado, mais racional e com um enorme vazio dentro de um mundo recheado de rostos iguais. Esse “sujeito” que você queria muito que tivesse ido embora com a passagem sem destino certo e que esquecesse como chegar até você, estará lá. Estará aqui. Com ele você pode contar. Seu pior amigo. Seu melhor inimigo. Só que há um detalhe. O sentimento não cala. Ele rasga como se quisesse sair personificado. Mas você não pode pensar só em si. Tem uma parte sua aí. Uma parte sua que respira. E dentro de você será isso que o resgatará desse buraco que você cavou. Nesse quarto de tempo, o jogo continua com o placar aumentando. O amor tem uma função nessa estratégia de defesa. Você deixou de atacar, optou. Escolheu. Apostou com a certeza de levar todos os prêmios. E pensando bem, nesses milhões de coisas que explodem na sua cabeça, você só quis um prêmio. Foi sua aposta. Você chegou no limiar. Não precisava blefar. Fez de tudo como jamais tivera feito. A conversa silencia. Não tem mais no que apostar. É um jogo de parceria. Se não há, não há como prosseguir a partida. Seja com quem for. Mas com um objetivo em comum. É, a conversa silencia, quando se quebram as palavras pelo olhar.

Friday, February 04, 2011

Mentiras e Sonhos




O nome Augusto traduzido significa “perfeito”. Ele sempre se sentiu assim sem saber que era mais pelo seu nome do que por ele mesmo. Desde pequeno se escondeu entre as mentiras para viver os seus sonhos. E descobriu que poderia alcançar mundos. Ele poderia ser perfeito entre eles. Foi de popstar, rockstar, cinestar e acabou se descobrindo o seu bem-estar.

Augusto se reinventava. Se autofagocitava de seus defeitos. Cada zero na prova, cada dez, cada início de conversa para se “enturmar”, cada final de frase de impacto. Ele era perfeito em todas as ocasiões até naquelas em que ficava de lado pela timidez. Descobriu-se um sedutor. Descobriu o caminho que poderia percorrer. E descobriu o problema disso. Ele começou a acreditar. Virou de um mitômano num sonhador sem saber onde um começava e o outro reiniciava. O ponto de desequilíbrio foi pesando para o lado contrário da balança dos fatos.

Augusto tinha todas as características comuns que os ordinários possuem, mas se fazia especial sem ter o brilho próprio. Mas como qualquer pessoa esse brilho de uma hora para outra surge. Ele acabou melhorando. Melhor, mas não acabado. Só que continuava convivendo além da racionalidade da realidade. Ele tornou-se um sonhador sem poder pisar no chão minado que criara ao seu redor. Não era uma pessoa má. Mas havia uma ponta afiada arranhando seu ego.

Com o passar dos anos sua insegurança, sua imaturidade e seu complexo de um mundo imaginário o fez magoar a si e aos outros. O fez ser um pária diante da família e demorou muito para entender porque disso tudo. Sinceramente, ele achava que podia voar como Ícaro e como o próprio derreteu suas asas com aproximação do Sol. As pessoas que ele amava se juntaram em suas ações e muitos foram girando o corpo fazendo um corredor de pessoas de costas. Mas ele ainda achava que era perfeito. Que algo estava errado e não era ele. Culpava a incompreensão dos outros com ele. E aos poucos, com um corte do bisturi que a realidade carrega na cintura, ele foi sendo aberto para o mundo.

Numa das lições que ele teve que engolir a seco empurrando por drágeas hora em hora, descobriu que tudo que esteve na órbita da sua vida se resumia numa única forma clara. A verdade. Ela assustava. Ela trazia mensagens que ele não conseguia ler. E ela assinou embaixo de seu nome como quem rubrica uma lápide, “não há perfeição.”

Acorde, Augusto, acorde, se puder pare de sonhar!