Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Tuesday, June 14, 2011

Na Companhia de Olhos Vendados


Numa tarde quente, daquela em que o Sol parece um carrasco com raiva que aquece a nuca, queima a pele do rosto, o suor escorre pelo meio das costas, acumulando nas axilas, encharca a camisa, o meio das pernas, você sobe ladeiras, lombas acima, numa rua comum entre tantas, que não existe o endereço que tem que chegar. São minutos que você está sozinho. Na rua o movimento ao contrário de carros, de pessoas que conversam entre si e de repente, você está sozinho. Com todo o movimento, você se vê absolutamente, sozinho. Na sua cabeça diálogos se perdem com a visão da rua. Lá dentro você provoca situações, discussões e soluções. Pergunta-se por ontem, por hoje e como será. Continua caminhando, a respiração forte puxa o ar dos pulmões, enquanto os músculos das pernas se contraem a cada passada. Nos pés, as bolhas crescem, fomentam-se. Nessa solidão você cria um mundo à parte de tudo ao redor e de todos. De repente o silêncio é quebrado pela sua voz no diálogo, antes dentro da sua cabeça para fora da sua boca. A conversa toma rumo pelas esquinas. Perguntas e respostas. Uma música é cantarolada, um poema aparece, daí por diante seu mundo privado torna-se público para uma platéia que o ignora. Canta uma música recém criada com os arranjos e melodias que não se lembrará quando parar. A repete, várias vezes e algumas frases que ficam presas por ai na “caixola”, na sua vitrola física. Acostumou-se a ficar sozinho. Isso tem mais a ver com a sua vida no geral do que essas quadras acima.Mas depois de uma penca de lamentações e ofensas ao universo, você olha para o lado. E vê que nesse momento tem uma companhia. Um tanto machucado, com carrapatos, língua para fora, marchando junto, dando pequenas corridinhas até o outro lado da rua, voltando para o seu lado, ficando a dois passos atrás e, às vezes, grudado. Ele lhe observa, um cachorro preto, vira-lata, focinho com uma cicatriz, patas e peito brancos, barriga inchada, que pede atenção, você conversa com ele, sorri, o cuida quando pára nos cruzamentos. Já faz alguns minutos, quase uma hora e ele ali. Você entra nas lojas, estabelecimentos comerciais e ordena que o cachorro fique do lado de fora. Indica com o dedo em riste. Ele tenta vir junto, mas lhe observa e permanece do lado de fora. Nisso ele corre até um canteiro, cheira a grama, mastiga algo, um resto qualquer, dejetos, vai até um saco de lixo, a um poste, dá pequenos piques, mas volta quando se distancia. E você o espera. Não sabe o porque, mas faz. Também quer companhia, também quer ser cuidado e cuidar. Os dois rumam mais alguns quilômetros. O cachorro sai em disparada, você o segue com o olhar e pára. Ele encontrou comida um frango assado numa lixeira. Entreolham-se, e você diz, em alto bom som, para ele ficar ali. O cão dobra a cabeça como se o ouvisse, olhos de pidão, como se o entendesse. Ele ainda volta correndo, mas você acena com o dedo para ele voltar. De boca aberta, língua para fora parece sorrir e você também. Agradece a companhia. Ele balança o rabo, vai e volta até a metade do caminho onde você está e o resto do frango. E você sai caminhando indo adiante. O cão corre para o outro. Assim o tempo passou e nenhum dos dois percebeu que o Sol já não estava tão forte e o cansaço nem era tão intenso. Você se sente sozinho hoje, mas num desses dias nem que seja em sua crença, entre anjos, demônios, amigos e amores nunca estará. E nunca é muito tempo. O agora já passou. Você está a 10 segundos à frente do seu presente. E daqui a 15 segundos, a solidão fará parte do passado. Abra os olhos, deixe de ficar vendado.

Thursday, June 02, 2011

Monólogo a Três Palavras

E o amor, hein?! O amor resume todas as culpas que podemos levar nas costas como mochilas para uma viagem sem o itinerário determinado. Esperamos por algo. Um movimento. Uma mexida de braços, maneio de cabelos, uma atitude, uma ação. E como resposta nós temos uma reação. Sabido. Mas a encararemos de acordo como pudermos enxergar. Então vamos abrir os olhos. Arregalando-os.
Veremos o movimento como uma dança; uma canção inventada para o nosso amor. Que amor seja. Que assim seja! Atravessando rios, mares, oceanos e terras distantes para retornar ao ninho. Como uma ave de rapina que vaga atrás de novos territórios em busca de sobrevivência, mas ao retornar trará a experiência e carregará em suas costas as lembranças como bússola. O amor é seu norte/sul.
O amor pode estar por um fio. Desfiando. Definhando. Desafiando. Aconteceu o que deveria. E o que poderá ser daqui pra frente? Exatamente isso. Para frente. Se não terminou que siga junto em frente. Se o fim se fez iniciado que o encerre à frente. Tudo guiado desgovernadamente com a acomodação dos fatos, dos acontecimentos e não somente pela acomodação dos envolvidos.
Não esteja curado do amor pela razão. Combine essa matemática ilógica somando para dividir com seu amor. Apagaram as sobras na subtração de escolhas erradas, de opções rasuradas em questões que pareciam muito complicadas. A não compreensão colocou na sua boca línguas que o fizeram ver o novo dia como novidade. Nem sempre necessários. Não precisava ter passado por isso. Descubra que todos “os bom dias” estarão à sua disposição pelo amor que você tem. Cuide-o. Guarde. Ou o aguarde.
Todos têm de tudo um pouco sobre o amor que cada um pode ver e ler de maneira diversa e dispersa. Abra os olhos. Arregale. Chorará. Rirá. Aplaudirá esse espetáculo que a vida o fez vivenciar. E esse amor, o seu, o meu, o outrem, nos levarão de volta aos braços que podem estar cruzados, abertos, soltos, acenando, empurrando, sendo seu apenas seu.
O melhor de tudo é ouvir e sentir as três palavras que encantam e desencantam o mundo desde que o mundo o é, colocadas numa frase única que mesmo em outros idiomas e em qualquer língua dirão assim: EU TE AMO. Eu já disse. Você já me ouviu. Agora... E agora?! Eu repito meu monólogo a três palavras, algo invisível entre você e eu.

Cortando a Linha




Quando se chega a um determinado ponto rompemos metas, alcançamos objetivos, nem sempre os que foram projetados, mas ali estão. Cortamos a linha que nos separa, que nos ampara, que traçamos diante de nós e invisíveis aos outros. Riscamos no chão de concreto com nossas vontades, com nossos desejos. E realmente algumas coisas acontecem impedindo rumar por essa reta. Ficamos em cima dessa linha imaginária desenhada às duras penas com o giz de nossas escolhas. Ela é a afiada; ela é suave. Mas a sentimos sob nossos pés guiando diante de nossos olhos.



E olhamos as intempéries vindo com os caninos sedentos, salivando, babando com os olhos esbugalhados, logo quando viramos a cabeça. Vemos se ainda estamos em cima da linha traçada. Corremos para a direita ou esquerda, saindo do prumo. Queremos retornar. Vamos retomar as diretrizes propostas no nosso plano de negócio. As intempéries tentarão agarrá-lo pelos pés puxando para o lado contrário. Não permita isso! Deixe pelo menos um pé fincado na linha. Nem que seja a ponta dos dedos. Se apegue com as unhas. Rasgue a pele. Esforce-se.



Chegará um momento que você pensará muito mais em si do que no resto. E o resto não é apenas o “resto”. Ele pode ser o todo, o porquê disso tudo. Será que vale a pena ser egoísta?! Óbvio que você se perguntará. Para alguns sim, outros não. Esteja em sintonia consigo e trará o objetivo mais próximo. Sempre haverá momentos em que mais forte que se sinta, que mais certo apareça, as intempéries com suas ganas o atingirá como um ônibus, descendo uma rua, cheio de ocupantes. Não se importarão com você. Nesse instante a sua linha foi apagada, rudimentarmente, por outras mãos. Mas fixe o olhar, aproxime-se e verá que ela ainda está ali, enfraquecida, sim, mas ali. Pegue, novamente, seu giz e reforce as margens.



E quando o concreto não existir mais, mesmo que seja um piso liso, de mármore, madeirado, na própria areia, escreva, force, coloque um pedaço sólido em cima. Não perca o prumo. Ponha isso na cabeça, sinta no coração. Sentirá a diferença. Sentirá a dor quando perceber que estará ainda no caminho que traçou. O problema, sempre, é que será uma decisão sua e não de quem se envolve. Passará os dias e um dilema surgirá. Pois é, fará parte do remanejo de ações que o permitirá sair “vivo” disso tudo. Porque se sua linha foi apagada a refaça. Desenhe outra. E tantas mais que forem possíveis. Você não terá o que fazer a não ser isso. Não deixe ser engolido pelo ataque voraz das intempéries. Não precisa viver de ilusões porque a vida se encarregará de apresentá-lo uma outra oportunidade mais cedo ou mais tarde. Perceba que o “não” pode ser uma carta na manga num jogo de altas rodas. O blefe não será seu desta vez.



Você já passou por tanta coisa. Eu não sei de tudo e nem você, mas sabemos bem o que se passou. O amanhã será a sua resposta e se não, nem precisará você quebrar a cabeça com soluções miraculosas buscando simpatias santificadas, patuás à tira colo ou saídas de escape. Siga a linha. O giz está na sua mão. Providencie as ferramentas necessárias.



Com as malas prontas, você poderá mais uma vez correr o mundo. Dessa vez será diferente. Sua linha levará para o lugar certo. Por isso me ouça, reforce. Esteja à mercê dos fatos com o peito arfando. Erga sua cabeça e o destino estenderá as duas mãos para você.



Tome, pegue o giz que deixei em cima de suas malas.

Aprovisionado


E a história muda de acordo com as palavras que são redigidas. Melhor ainda, quando elas são ditas. Escolhidas. Em contrapartida, realizadas.

A história tem todas as nuances da estória que essa coisa estranha chamada de vida nos propõe a cada escolha. Novamente, ah, escolha. Que temos todos os momentos que respiramos, quando atravessamos fora da faixa de pedestres, que aceleramos o nosso carro quando o sinal, o semáforo, pisca para o amarelo, que abrimos a porta do guarda-roupa e analisamos qual camisa combina com o seu humor, que sorrimos para alguém com todas as intenções, quando oramos pedindo a Deus mais que proteção, pedimos por solução. Escolhas. Todas elas não caberiam numa só palavra, nem mesmo nela, se pudéssemos ter essa oportunidade.

Quando se escolhe já se faz mais que uma escolha. Alguém vai ler isso e dizer “bobagem, redundância, asneiras!”. E terá nesse instante admitido que fez uma escolha em vez de entender, interpretar, em não querer entender, interpretar.

Não há aqui nenhuma idéia, menção ou vontade de filosofar. Muito pelo contrário. A escolha fica a critério de quem sustentar a leitura firme como quem segura o timão das palavras num mar de frases. E elas borbulham a cada trecho na respiração de Leviatã. No meio disso tudo o surgimento de um redemoinho que o sugará para o centro, engolido pelo monstro. Caberá, quem quiser obviamente, essa escolha aos navegantes.

No emaranhado das escolhas, as histórias vão aparecendo como fungos. Mais que se limpe, retire, apague, “eles” retornarão formando palavras para descrever desde o espanto, a surpresa, os sentimentos de maneira viral.

E estará lá o botão vermelho logo à frente para apertar e será feita uma escolha. REPETITIVO, dirão; opcional, será a resposta.

Eu já fiz muitas escolhas. Algumas certas; outras, absurdamente incertas, senão tolamente, erradas. E sei que terei que fazer tantas outras mais, sem saber quando ou como. Jogarei-me na fé, na boa vontade e acreditarei que farei o melhor. No melhor! E pode ter certeza não agradarei a todos ou menos que 1%.

E criarei mais histórias. Mais palavras escritas, ditas, repetidas. Farei parte delas. E como conseqüência terei feito escolhas. Serão mais indagações, mais fatos para novos enredos de velhas histórias.Não podendo ter o luxo de ter medo. O medo é o cume da nossa escolha. Alguém deve estar rindo sem parar. Escolheu uma maneira certa. Outra pessoa escolheu em desistir da leitura e jogar o PS3, mais divertido com maiores níveis de periculosidade, com maiores desafios que se encerrarão quando desligar o botão seja daqui a alguns minutos ou horas depois.

As palavras estarão em histórias para serem lidas. Escreva uma agora, conte as letras, as sílabas, o som delas e principalmente o que ela significa para você. Será uma escolha apenas sua.