Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Friday, July 27, 2012

Crônicas De Bate-Papo: Frases Entre Dentes


As frases devem ser curtas.  As frases longas, cheias de detalhes, quase sem respirar dizem menos e propagam uma idéia tecendo a colcha de retalhos para conseguir novas idéias. Diz-se que uma discussão deve ser breve, objetiva, incisiva e porque não, cruel. Depois de dez minutos de conversa o foco fica dentro de um prisma de cores e perde-se.  As pessoas passam a discutir milhões de coisas outras, liberando traumas e coisas que não têm nada a ver.
Os conflitos surgidos só aumentam. Quem começa a falar muito busca alternativas para convencer. Percebe-se a fisionomia de quem quer convencer. Sua, aperta as mãos, gesticula, arregala os olhos, entonação de voz mais alta e agressiva. Mas também pode ser de maneira suave, voz pausada, olhar fixo e movimento quase imperceptível. O que caracteriza mesmo são as frases. Nunca curtas. Nunca sem muitas explicações. Uma palestra, às vezes.
          É possível que, num determinado momento, você venha a questionar mais a sua vida seja no âmbito afetivo, profissional, social e perceba com os conflitos enfatizando suas discussões. É possível que seus erros tenham que ser reavaliados e por ali buscar as desculpas. E nesses dois momentos destacados poderíamos ter apenas frases como:  “ preciso de você” ou “me desculpa”. Não acontece isso. Um bom interlocutor, no diálogo que pode se tornar um monólogo de um ciclope debulha-se em frases e mais frases.  Que tal não complicar?
            O melhor conselheiro no momento sugere buscar um momento, particularmente, propício para que você tome consciência de suas decisões e corrobore suas opiniões.  
Seja sucinto. Direto. Verdadeiro. A verdade pode ser feia, mas ela é a única coisa que pode estar entre você e a melhor coisa da sua vida. Seja onde, o que ou quem for. 
             Cuide das frases entre dentes.

Wednesday, July 11, 2012

Cinco Minutos Sem Parar


Ele estava com uma mala vermelha, uma mochila nas costas, um casaco a tiracolo. Calça de jeans levemente rasgada pela moda do desleixo, tênis com as listras que sempre gostou e camisa entreaberta pelo calor intenso no aeroporto.
Caminha de lá pra cá. Seu vôo só sairá daqui seis horas. Para numa cafeteria e gasta em torno de cinco minutos escolhendo um café entre tantas opções. Depois de colocar o dedo indicador em cima da escolha, chama a atendente que, solícita, concorda com um aceno positivo e um sorriso amigável. Ele ficou com a mão apoiada na mesa e levou a outra para a cabeça trespassando os cabelos, desarrumando os fios.
Observava o vai e vêm dos que chegavam e iam carregando histórias, compromissos e pressa. O tempo urge e é incansável. E, nesse meio tempo da rotina, das horas, temos os cinco minutos que marcam. Aqueles que poderíamos ficar parados e, mesmo assim, esbarram em nós. E esbarraram nele.
Os olhos ávidos despertos pela ociosidade e o contar em silêncio do tempo, que não deixa de ser seu companheiro. Ao fundo, conversas e a voz poliglota saída das caixas de som espalhadas pelo saguão que pronuncia errado o inglês forçado. Na mistura de rostos com pessoas de mala em punho, ternos alinhados ou dobrados no antebraço, uniformes dos funcionários das empresas. No fetichismo das e dos comandantes de bordo num desfile de elegância, beleza e fantasias. Ficava ele ali, com a cara quase enfiada na mesa, bebericando o café quente numa tarde de maior calor. Até chegar o momento, o tempo certo entre a coincidência e o acidente.
Ele esticou o pescoço, projetou o olhar e arrumou a postura quando a viu subindo a rampa de um nível do saguão para outro. Ela, a mulher que puxava a mala de rodinhas teimosa, que trancava sobre o piso, e tinha uma bolsa enorme atravessada. Falava sem parar ao telefone celular. Estava boquiaberto. Ele a viu brilhar. O Sol que jazia da porta de entrada e pairava sobre o teto envidraçado do saguão coroava a auréola da sua silhueta.
Parou a mão no ar com o café quase derramando. Os cabelos dela se mexiam como pinceladas numa tela. Ele criara uma poesia no cenário para ela, sua musa. Passava por ele e, nesse momento, num curto espaço de tempo, cinco minutos, ela levantou a cabeça, olhou em sua direção e sorriu.
Estavam unidos de algum jeito, laço feito um nó. Ela ia e vinha como todos os outros, mas os cinco minutos se repetiam a cada passada. Ele a seguiu à distância sentando sempre a alguns metros, alguns assentos de espera. Por coincidência, embarcaram no mesmo avião, e iniciaram uma conversa que se estendeu. Tanto, que ainda se falam, mesmo sem nunca mais terem se visto. Mesmo que nada tenha acontecido, além dos cinco minutos.

Thursday, July 05, 2012

A Jogada de Xadrez: Defesa Câmara


Você nota as mudanças na sua vida quando se depara consigo e sua percepção espelha uma pessoa mais eloqüente do que o usual e neste momento, entre farpas e coisas que desaconselham cuidado, podem ocorrer muitos acontecimentos e o aparecimento de pessoas que cruzam seu caminho como interlocutores de conversas de telefones quebrados.  O positivismo que se apodera do seu corpo é tamanho que você se considera digno de que tudo vai bem.  
A compreensão dos fatos e das coisas que você antes não entendia muito bem, sobretudo no que diz respeito aos acontecimentos passados que você não processou de maneira correta e coerente podem estar chegando à beira do abismo e cabe a você a chance de empurrar com as duas mãos apoiadas nas costas dessas situações para frente. É o seu momento, o seu insight e de vários esclarecimentos.
Novos desafios brotarão em sua existência como fungos, como frutos que despejam suas sementes para a continuidade. O medo não pode ser sinônimo de passividade ou comodidade. Arrisque-se, faça valer essa coisa estranha que chamam de confiança.  A emanação dessa vibração vai virar o mundo de cabeça pra baixo e redecorar as paredes inócuas da rotina.  Acredite mais em si, faça o jogo certo, raciocine como uma jogada de xadrez e proteja seu Rei.  É tudo uma questão de acreditar mais em si mesmo além das críticas e evitar a iminente explosão lhe atingirá com veemência.
Vivencie cada momento seu dentro de um vulcão adormecido. Desça pelas paredes que se fecham e sucumbe a luminosidade do lado de fora. Sinta o calor cada vez mais sufocante vindo do centro do vulcão.  A pressão geológica parece ventilar os túneis e artérias das profundezas vindas da terra criando cavernas cada vez mais obscuras.  O submundo está a sua mercê. Tenha certeza que esse vulcão não ficará parado por muito tempo. Não se sinta seguro em sua poltrona aveludada por frases de conforto. Não é algo alarmante, digamos que é relativamente calmo, num risco real de terremotos emocionais, pessoais, profissionais, ocasionais ou de maneira ordinária, acidentais.  Há vida dentro desse caldeirão.
O vulcão emana gases, poeira e cinzas no deslocamento de placas teutônicas que resultam em terremotos e isso causa os chamados desastres naturais, pense que você no meio disso tudo, ainda pode respirar e achar sua saída, buscando a energia desse afrontamento que a vida lhe propõe. Saiba que o movimento das suas peças de xadrez devem ser minuciosos.
Mesmo contra um vulcão você pode estar no caminho certo. As paredes estão cada vez mais quentes e o chão já começou a tremer. Desmantelando-se sua base acomodada.
                Continue. Sem medo. Mostre-se. O simples fato de implodir afeto lhe será suficiente e lhe permitirá sentir enorme satisfação!