Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Tuesday, March 26, 2013

De Perfil


             O seu nome é Dimitri. Um sujeito que muitos sabem quem é, mas poucos o conhecem. Todos sabem alguma coisa sobre ele. Algo como uma personagem da lenda urbana que povoa o coletivo da cidade.
            Uns já o viram por aí em aventuras afloradas. Numa dela ocorreu que o viram derrubar cinco sujeitos numa briga de bar. Tudo começou com um deles  que se enfezou, porque dissera que sua namorada tinha sido alvo de olhares contínuos de Dimitri. Temos que enfatizaram a técnica pouco usual de agregar confusão ao seu currículo. Quando o incomodado veio tomar satisfação com ele, no meio da balburdia do bar, a sua atitude foi dividida em algumas partes. A primeira: Dimitri olha para a garota, sorri e depois olha para sua mão onde segurava uma garrafa de cerveja long neck entre os dedos, presa entre o indicador, o anular e o polegar. A segunda: num giro magistral, após perceber que a garrafa estava vazia, ele inverteu a posição dela, deixando o gargalo para baixo e a segurando com força, desferiu no rosto do sujeito que não parava de afrontá-lo, que se aproximava cada vez mais perto do seu rosto. No resto, veio uma horda de amigos do atingido como apoio e somando-se cotoveladas e “jabs”, cruzados e ganchos acabaram nocauteados um a um, não necessariamente nessa ordem.
            E Dimitri tem um metro e oitenta. Mas há quem diga que ele é menor que isso. Corpanzil. Forte. Cabeça raspada. Já disseram que ele tem longas madeixas. Dimitri é o nome pelo qual todos o chamam. Até por quem nem conversa com ele. Enquanto isso, histórias se proliferam semeando toda e qualquer interpretação.
            Disseram que ele estava completamente bêbado num bar, sozinho, de cabeça baixa e uma parede de vasilhames vazios sobre a mesa. Há quem afirme que ele entrara num domingo cedo, numa Igreja. Outros que era num templo. E ainda aqueles que mencionam de suas longas horas meditando à beira do rio. Ou afiando facas no quintal de sua casa.
            Disseram que ele era violento. Em todas as situações. Adorava facas, navalhas, estiletes. Só não amava mais do que usá-los na pele dos outros. Seja machucando, mutilando ou apenas assinalando pequenos cortes quase cirúrgicos. Ocorrera numa tarde, onde numa discussão sobre futebol, religião, política ou algo assim, que romperam os gritos de uma mulher em pé aterrorizada com o corpo caído ao seu lado. Na sua jugular um corte abissal formando um sorriso largo na garganta que golfava sangue. Em pé, diante de todos estava Dimitri de braços ao longo do corpo e numa das mãos uma faca. Diziam ser um pincel e a cena fora uma pintura num painel; outros, que era uma faca de cozinha.             
            Afirmavam sem dó que ele era um maníaco. Mas também há os que confirmavam o que muitos comentavam: ele era sensível. Chorava ao ver uma cena tocante. Auxiliava pessoas doentes. Era voluntário em ações sociais. Voluntarioso que nunca dizia “não”. Era um romântico. Lia sobre poesia, redigia algumas linhas, as musicava eventualmente. Seduzia as mulheres com todo o seu sentimento. Dedicava-se a amar sem preocupações. E para tanto, sofria pelo desfecho como de costume, não retribuído.
            São todas histórias. Todas verdadeiras. Todas falsas. Todas fantasiadas. Perfis criados em suas redes sociais, atualmente. Como sei disso?! Porque também as conto a cada frase mudando tons, lugares, pessoas e situações igual a todos.
            Tenha cuidado ao falar sobre os outros. Apontando seu dedo na direção deles. Qualquer um, a qualquer momento, pode pegar sua mão e virá-lo na direção oposta quebrando-o.