Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Tuesday, May 07, 2013

Circum-navegação

     
     Sempre é bom retornar para casa. De algum modo, chegamos no dilema do momento em que temos que parar, respirar e ver que precisamos voltar. Para o ponto de partida, seja numa ação passada, numa decisão futura ou num rompante do presente. O seu ponto.

     Não há por que ter medo de tomar essa decisão. Você já chegou até aqui e viu bem mais do que deveria. Viveu coisas e situações que poderia lhe render histórias de lembranças sem fim. Você as viveu. Não deixou passar batido. E não se abateu por elas.
    Como precisar, de modo exato, se tudo já foi visto? Necessário? E o que já foi “batido”? Você saberá. Entre seus dias, num amanhecer conhecido ao olhar no espelho, lá estará toda a história diante de você. Implacavelmente narrada de acordo como você faz, a sua crônica diária.
   O retorno, dar o giro no próprio eixo, rodopiar de braços abertos e cabeça virada para cima tentando ver o céu e seu infinito, as nuvens, o azul pleno, os aviões cruzando de lado a lado desse espaço sem fim, sua significância, sua importância egoísta de estar aqui, agora aguardando o decorrer do dia, da noite e de outro dia, assim por diante. Seu maior triunfo: retornar!
  Conhecer o mundo incauto dos deslizes, dos sonhos que se perderam com a realidade, dos problemas que existem, dos medos e receios que nunca antes tinha se deparado, do passado que pode ser o futuro e a sua contra indicação. De tudo mais que faz de você uma pessoa detentora de ter esse direito.
  Seguir a luz das lanternas no escuro. Correr nu das vergonhas e julgamentos. Desrespeitar a mediocridade da soberba e admitir os erros. Tudo à disposição de todos num cardápio de opções, sem o uso de senhas de espera e muito menos com a ansiedade como promotora desse evento chamado de vida. Experimente a sua dose.
   Ao retornar para casa, se torna uma expressão particular. Cada um em seu mundo prolixo e totalmente rancoroso que se vive, a experiência se refaz ao parecer íntimo. Dissolvida em línguas diversas. E os sintomas começam a aparecer. A oportunidade ao seu casamento; a mudança de carreira; redescobrir o amor; o investimento numa casa maior; a viagem cancelada por causa do nascimento do filho; repensar sobre os seus desagrados; deixar os sonhos um pouco de lado, dando a oportunidade de surgir novos sonhos, e assim circular por tantos mares que possa cruzar até chegar ao seu porto, já conhecido, e tão seguro. Mesmo que as bases estejam estremecidas, gastas, mas com força, dedicação, paciência e um ar de otimismo, tudo pode voltar ao lugar.
   Claro, sabemos, que toda a mudança causa mudanças. Na mais óbvia definição. E merecedora de atenção, pois nem um parafuso ao ser retirado consegue ser recolocado no mesmo lugar, ocupando o mesmo espaço. Surgirão diferenças. E outras mais. Basta saber o que fazer, como, quando e onde, de maneira afirmativa.
  E só devemos trazer em nossas bagagens muito mais do que espelhinhos para presentear. Precisamos voltar de braços abertos para nos entregar.