Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Wednesday, September 04, 2013

99%

         

As pessoas vivem rapidamente; como um frame. Frame é cada um dos quadros de uma imagem numa unidade de tempo. Cada movimento numa tela de televisão, por exemplo. Cada quadro é composto por frames. E como se estivéssemos numa enorme tela, a nossa vida é recheada desses momentos fragmentados. E 99% delas nem sabe o seu por que.
Hoje a maior obscenidade é exatamente reduzirmos nossas ansiedades. E sem sombra de dúvidas, a exposição não é sexual. Expor é a palavra de ordem. Mas há a vergonha plena que não se resume ao sexual e sim ao sentimental. Falar de amor, demonstrar, se tornou um tabu. Abrir-se ao amor. A rapidez de tirar a roupa é inversamente proporcional despir-se ao amor.
A velocidade das relações com as redes sociais fomentam o distanciamento e a frivolidade de aproximação com as relações fora delas. Aceleram o conhecimento e a informação. No resto, físico além do virtual, não há como ser veloz. E muito menos como chegar mais perto.
            Nesse preâmbulo o simples fato de ser você já se torna uma coisa difícil. Ter o coração aberto com vontade de amar. Além do sexo, porque sexo por sexo é apenas passageiro, rápido, substituível, muitas vezes. Não falamos em arte de ser você mesmo, não nada disso. É simplesmente complicado ser você. Temos nossas fobias, nossas vontades, que evitamos ao máximo, os inevitáveis compromissos e o ônus dos deveres. A regra, que sem pudor nenhum é quebrada, existe, e na supressão dela, surgirá outra. Nessa mesma porcentagem. Quase 100, mas faltando os “malditos” 1. E ficamos aos nossos caprichos resumidos em 99% querendo acelerar tudo.
            Acabamos rasurando nosso caderno de afetos com frases curtas e ações precisas. Não vemos adiante, a não ser o que está alcance de nossas mãos. Satisfação é a palavra mais usufruída. Homens e mulheres entram no embate da falta de aprofundamento. Um mergulho raso de relações frívolas ou pouco aquecidas com o passar do tempo. Tentando usar todo o tempo possível. Mas é muito pouco. Pouco demais.
            No final queremos nos relacionar de maneira mais rápida. Que a paixão seja um barril de pólvora. E faremos um rastilho bem longe dele, temendo maior impacto. O máximo possível. Seremos nós mesmos. Distantes querendo diminuir espaços. Mas quando menos estivermos prontos, alguém aparecerá e acenderá o rastilho iniciando a queima. Em breve, muito em breve sentiremos a explosão do nosso amor. Este estranho ser que estará escondido embaixo dos nossos escombros sobrevivendo 99%.