Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Monday, September 01, 2014

DISCOS RISCADOS - Volume IV

           
         
            É muito comum entre as pessoas expressarem-se através da música.
Esboçando sentimentos ou pontuando situações que lhe são de esmero, que consigam expor muito mais do que conversas e palavras feitas no calor do momento. A música pode ser um acelerador de ocasiões, o “start”. O algo mais sem ser explícito, mesmo o sendo.
                Eu, pessoalmente, faço o uso contínuo de citações através da música. Seja pela sua sonoridade marcante como as letras cantaroladas em outras bocas escorrendo saliva à dentro para outras, ora pela sonoridade deveras macia, caustica, vibrante que o meu sentimento vocifera.
                Você pode apaixonar (e apaixonar-se) uma pessoa pelas letras que lhe tocam. A sensibilidade irá além da pele, do físico. Povoará o imaginário. Assentará o conhecido. E a reciprocidade se dará “batendo” ou não. Pode inclusive ofender aos quatro ventos através de furacões sonoros. Basta colocar na faixa certa mesmo que arranhe o vinil ou trave o cd. Salve em mp3 frívolo ou na pureza irritante do blu-ray. Até o regozijar da próxima tecnologia.
                Compartilhar é a palavra da ordem caótica de um mundo de redes sociais e falsas pretensões de privacidade. A autoexposição é uma ação disseminada outrora como uma praga cibernética ou uma dádiva da velocidade da informação. Com tantos “Ou” pode-se afirmar que precisamos nos interligar. Conectando. E os ouvi-los. Então se faça pelas mensagens subliminares de intenções esparsas nas canções.
                Eu coloco alguma nova música para que me ouçam. Minhas descobertas, meu estado de espírito, minhas frustrações e algumas que assovio no caminhar das ruas em qualquer hora que esteja no meu mundo particular já dito por aqui e ali. Canto melodia desafinando. Erro notas nos pianos que teclo no ar. Sinto o vibrar das cordas do cello abrindo o compasso. A cada passada na rua íngreme acompanho a batida dando ritmo ao que vem. Penso numa letra. Crio-a em cima de um poema que misturo rimas na música que me envolve. A música que ainda não fiz e que está pronta.
                Estar apaixonado. Querer dar consolo. Dividir momentos alegres ou tristes. De alguma forma querer fazer parte do outro, independente do interesse, para que esteja na mesma sintonia. A música certa que deseja enviar. Que deseja emitir. Que deseja ser tocada.
                O pior disso, num ótica bem ampla, é não consegui r desligar a música de seu cérebro. Aquela que lhe traz sensações que gostaria de esquecer. Que o faz sofrer. Que traz lágrimas. Que sai das entranhas das caixas de som, dos gritos dos fones de ouvido, da reverberação do seu cérebro que não deixa desapegar.

                Como todo disco riscado. A música para num ponto e se repete. Estagna. Não nos faz seguir em frente. Talvez esteja na hora de trocar de faixa. Mas nunca parar de ouvir as músicas.