Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Wednesday, February 25, 2015

O Homem que pintava estrelas no céu

         
          Ele estava na rua, à noite, por volta das 22:00 horas, admirando o céu escuro. Movia-se o céu com uma velocidade média, onde nuvens púrpuras que escondiam o brilho das estrelas espalhadas. Parecia que estava num enorme planetário admirando a projeção das imagens. Cantarolava versos de poemas que pipocavam em sua língua como um bardo. Sozinho na rua pouco movimentada, onde os carros que aceleravam nas duas mãos da via, alardeavam, mas que subitamente sumiam ao dobrar a esquina próxima.
            Parado. Esquecendo do mundo ao seu redor e como no planetário, girando seus olhos pelo vasto teto infinito. A vida ao seu lado nada era a não ser esboços em branco de desenhos sem cor. As ruas eram apenas linhas paralelas mal aplanadas, que o conduziam, o asseguravam de não cair dentro do branco total. Luzes dos postes faziam traços perpendiculares que não chegava a tocar nas linhas paralelas. Mas sobre sua cabeça, erguendo-a bem e encarando o céu escurecido, estava toda a cor que ele expressava num sorriso sincero cerrando os olhos e abrindo os braços como um redentor.
            Vestia roupas sóbrias. Camiseta, calça jeans, botas, cinto e exalava o perfume da essência do êxtase. Ao se deparar com esse enorme painel, deslumbrou as estrelas. Pequenos brilhos ofuscantes que ele admirava. Pegou uma caneta esferográfica do bolso direito da calça e uma moeda caiu ao chão num tom agudo, fino, soou e correu pelas linhas paralelas sumindo seu brilho prateado. As estrelas ora escondidas ora reaparecendo, fitavam os glóbulos oculares de quem enxerga as cores. Com sua caneta criou hachuras sobre elas. Sombras com efeitos maiores, onde a quantidade, a espessura e o espaçamento entre as linhas as enfatizavam, criando a  doce ilusão para ele. Onde ele observava a imensidão sem fim seguindo as linhas tracejadas dos seus formatos. Com a mesma caneta, ele mudava de cor cada uma das estrelas. De vermelho utilizando linhas leves, espaçadas, distantes; verde que eram feitas por duas camadas de linhas densas e perpendiculares. Tudo resultando numa imagem mais precisa, mais realista. O azul era pincelado em traçados curtos, interrompidos.
            Passaram-se algumas horas e o céu foi se modificando. As cores agora povoavam sobre sua cabeça a cada estrela pendurada no seu telhado particular. O homem pintava estrelas que lhe acalentavam. Que o faziam cantar. Ele abaixa a cabeça, guarda a caneta de novo no bolso, agora, de trás e observa o chão. Há cores distribuídas não uniformes. Não há um caminho de tijolos amarelos, nem listras permitindo ou não sua passagem. Há cores diversas com tamanhos e volumes que o faz deslizar pela rua.

            Ele não precisa ter sonhos. Ele pode criá-los sob a batuta das estrelas.