Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Tuesday, February 16, 2016

Cães & Borboletas (Canis lupus familiaris & Rhopalocera)


                Um cachorro de grande porte, de raça de todas as raças, com a cabeça sobre as patas cruzadas. Com o olhar triste, mas atento. Observa atentamente o movimento. Nariz úmido farejando. O farfalhar das asas da borboleta a sua frente o faz ficar intrigado. 
Com seu porte enorme admira aquele pequeno ser colorido, tão frágil, tão ágil. Seu rosto contrai-se, arregala os olhos, os abaixa, não para de seguir os movimentos da borboleta. 
Ele tenta se mexer para se aproximar dela se arrastando no chão. Com a força das patas traseiras e agora com o apoio das da frente. Sua barriga colada no piso arenoso. A borboleta parece querer que ele se aproxime. 
Para de voar permanecendo rente ao solo, bem perto, muito perto e movimenta lentamente as asas sem sair do lugar.
                Ele se aproxima, ensaia um choramingo. A borboleta, agora, o observa. Ele é desajeitado, ruidoso, pesado tem medo que ela voe. Tem medo de machucar, de assustar não sabe como chegar mais perto. A borboleta movimenta cada vez mais devagar as asas. 
De súbito ela pousa no seu focinho.
                Relacionamentos. Quantos cães desajeitados esperam o farfalhar das asas. Quantas borboletas ficam a pouca distância. Homens e mulheres, mulheres e mulheres, homens e homens, enfim pares que se observam com medo com receio imóveis ao acontecimento 
do que parece ser tão simples. Relacionamentos.
                Sensibilidade. A falta deste. O pânico acionado da castração da liberdade do ser. E a falta de entrega ao outro. O que causa tamanho medo?
                Todos têm medo de levar uma mordida. De ser pisoteado pela pata pesada. Que ao se aproximarem de mais possam espantar, assustar ou machucar. A borboleta também hesita. O cão de boa aberta e língua pendendo. Saliva caindo pelo chão. Momentos cruciais. O encontro dos dois. A sutileza com a rudeza.
                E de repente a borboleta voa, o cão tenta segurá-la com a boca dando-lhe dentadas no ar. Ela sobe rápido de forma circular. E fica saltitando o máximo que puder para alcançá-la.

                 Desses desencontros e encontros. Marcantes. Curtos ou longos enquanto durarem, nós realizamos nossas relações. Silêncio, calma, devagar a borboleta está voltando....