Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Thursday, April 14, 2016

Todo o game over tem o seu play again...



Faz muito tempo que encosto a cabeça no vidro da janela embaçando-o com a minha respiração. Não necessariamente a janela está no mesmo lugar. Ela pode ser de um ônibus em movimento completamente lotado de pessoas que vão de encontro com a física. Pode ser a que confidencia no suspiro de onde trabalhamos. Pode ser a que acalanta no nosso abrigo, ou melhor, no lar casa.

Com o passar desse tempo descobre-se quais seriam os motivos. A saudade do que passou, da esperança que queremos que venha forçadamente rápida, a solidão que teima em permanecer ao seu lado sendo a única companhia, a frustração daquilo que não foi atingido, o enfado da mesmice rotineira e o amor que abrange todos apertando-os, esmagando-os e até separando.  

A vida se tornou um campo de batalha. Quando entramos nessa luta gerando uma guerra, se for o caso, temos metas e objetivos. O sangue quente fervendo. Os olhos em chamas. Estratégias, planejamentos e nos fortalecemos, nos armamos, nos preparamos. Contudo somos desprovidos de antecipar os ataques sorrateiros que nos traem a atenção. Num piscar de olhos e explode a ponte que sustenta sua passagem para outra etapa, para ultrapassar chegando até o fim. Este fim é um recomeço ininterrupto. O rodopio de 360º retornando ao começo.

Para todo o jogo temos o seu início para promovermos todas as expectativas e as demais disfuncionalidades. Ao fecharmos os olhos continuamos a enxergar as coisas de maneira clara. Ali, no primeiro momento do choque da falta de luz e depois o surgimento de imagens que ilustram nos pensamentos. Serão lembranças ou serão projeções, pouco importa. Mas se mantermos a respiração deixando de lado a ansiedade, nos deparamos com a escuridão no segundo momento, que aos poucos vai esmiuçando até recriarmos novas imagens. Sonhos, por assim dizer.    

Nesse tempo todo não tiro a cabeça da janela. Desenho um círculo no vidro embaçado. O apago esfregando o dedo indicador friccionando. Respiro com mais força para voltar a minha tela de layout. 

Já recomposta, refaço o desenho com um coração. Ele fica levemente torto, disforme e decido apagar esfregando o dorso da mão. Agora em seu lugar coloco uma seta que vai em direção à rua. Ou para o lado de fora.  


Ao vibrar o celular vejo uma chamada. Uma mensagem. O coração acelera. Um sorriso desenha não mais o vidro, mas meu rosto.