Bem-Vindos....

Bem-vindos todos os desavisados e os mais avisados...Que estejam com as mentes e as pedras em prontidão para se lançarem ao pequeno Universo de Idéias que os convido a permanecerem só um pouco...

Monday, April 03, 2017

Se salvo se

O vento sopra já mais forte, um tanto a mais de frio chamando para si a presença do outono. Ainda faz sol intenso que queima a pele misturada com a sujeira da cidade. O cabelo sempre desalinhado não consegue segurar o leve penteado. Assim como os pensamentos em turbilhão. Um ciclone de ideias. Uma tempestade de imagens e lembranças. Choques cíclicos do hemisférico dominante do cérebro no lado esquerdo. Um irresponsável pensamento lógico que domina. Perguntas descerram cortinas de dúvidas, enquanto fechamos os olhos com o vento que nos abate de forma nada gentil.
            No relacionamento flutuando como um dente de leão que invade outras áreas, que se dissolve no ar, mas deixando um pouco de si. Já passaste por isso?! Essa sensação de ter deixado algo para trás ou que deixará algum legado logo à frente?! Você observa atentamente como um ofídio as pequenas coisas que se tornam grandes a ponto de derrubar tabus, preceitos, preconceitos e fomentar pós-conceitos?! Que não precisam ser grandes para ser uma ameaça, mas apenas estarem perto o suficiente para atingi-lo?! Tantas perguntas que podem vagar pelos seus relacionamentos não apenas romanceados. Porém também com aqueles de convivência hermenêutica, nada pacíficas de colegas de trabalho ou saudosas de amizade.
            O pensamento e o sentimento num reles jogo de palavras escondidas. Quem não teve a vontade de esbofetear alguém por uma ação, retenção ou missão de alguém próximo. E o próximo idem. Somos invasores de espaços alheios. Nas críticas. Tantas vezes hostis com intenção de corroer com acidez de impressões as mais fortes convicções de boa ventura. Ou obséquio fato de reconhecimento e agrado suavizando com carinho o ego.
            Somos a barbárie da existência, seres humanos. O mais cálido ser pode, encurralado, tornar-se o mais contundente agressor. Usamos redes sociais para demonstrar a nossa existência. Modernidade. Somos anfitriões da ilegitimidade de integração. Filosofia. Afastamos para unir grupos. Segregamos mesmo unindo. E a reação sempre vem. De uma maneira racional da parte dominante do cérebro ou na parte rompante com seus vendavais.
            “Toda regra tem uma exceção...” vale o dito popular. E nós adoramos criar regras exatamente para poder incluir uma frase, um esboço rasurado de opinião suprema. Mesmo suave. Mesmo calmo. Mesmo não intencional.
            E ao parar numa esquina tão parecida com todas as outras que já cruzei percebo que não há diferença. Há distância. O que nos aproxima é um beijo. Um abraço. Um sentimento que achamos tão nobre que o evitamos. Abrindo cada um, do seu jeito, sua caixa. Vasculhando cada centímetro até o fim e encontrando pequenas folhas serrilhadas do dente de leão. Um invasor dentro do seu coração que fará florescer em meio aos ventos, mudanças de estação, de lugar.
            Descobrirá que não é regra. E sim exceção em não amar.